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Apenas 1 em cada 159 Estudantes de Medicina Sabe Aferir a Pressão Corretamente

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Apenas 1 em cada 159 Estudantes de Medicina Sabe Aferir a Pressão Corretamente

APENAS 1 EM CADA 159 ESTUDANTES DE MEDICINA SABE AFERIR A PRESSÃO CORRETAMENTE

 
O JAMA publicou um artigo no ano passado com um dado alarmante: Apenas 1 em cada 159 estudantes de medicina sabe aferir a pressão corretamente. O artigo na íntegra você encontra aqui.  
 
Aferir a pressão corretamente é em muitos casos, literalmente, vital. Esse estudo, realizado em 39 estados dos Estados Unidos, mostra que estamos muito aquém do necessário para executar um bom exame físico.
 
O artigo fazia uma avaliação dos seguintes critérios:
1.         Preparação do paciente
2.         Escolha do aparelho correto
3.         Tamanho do manguito
4.         Efeitos da posição do corpo do paciente
5.         Efeitos da posição do braço do paciente
6.         Posição do manguito e estetoscópio
7.         Diferenças entre os dois braços
8.         Velocidade de insuflação e desinsuflação
9.         Métodos de observação
10.       Número de medidas
11.       Possibilidade do Efeito do Jaleco
 
O exame físico para ser considerado “excelente” deveria ter seguido à risca esses 11 critérios. Dos avaliados, mais da metade dos estudantes posicionou e usou corretamente o tamanho do manguito, colocou um suporte para o braço do paciente, pediu para o paciente não falar durante a mensuração e pediu para descruzar as pernas.
 
Entretanto, poucos acertaram os outros quesitos como: ter certeza que o pé do paciente estava pisando o chão, pedir para o paciente não usar o celular ou ler durante a mensuração e checar a pressão nos dois braços. Os estudantes foram particularmente mal em checar se o paciente tinha descansado por 5 minutos em uma cadeira antes da aferição. Apenas 11 estudantes fizeram isso.
 
Estudos mostram que cruzar as pernas aumentam a pressão sistólica em 3 a 8 mmHg e posicionar o braço de forma incorreta pode aumentar em até 10 mmHg, o suficiente para mudar o diagnóstico do paciente. Essas aferições incorretas, muitas vezes iniciam o tratamento, e muito, muito raramente um médico vai retirar uma medicação anti-hipertensiva depois que ela já estiver sendo usada.
 
Uma dúvida que é levantada é: Será que a aferição de pressão é só a ponta do iceberg? Se os alunos não estão sabendo realizar partes básicas do exame físico bem, como estão outros exames como identificar os sons cardíacos ou evolução de outros achados físicos?
 
Alguns médicos levantaram teorias para essa deficiência. Uma das teorias é sobre a falta de supervisão. É necessário melhores treinamentos e testes de competências nas escolas de Medicina. Assim como, testes de manutenção para os médicos já atuantes.
 
Entretanto, não podemos colocar toda a culpa nos estudantes. Outra teoria levantada é sobre a falta de tempo para atender corretamente o paciente. A aferição que nos é ensinada requer um ambiente tranquilo e que tenhamos tempo para fazer tudo corretamente e repetir nos dois braços. Os estudantes acabam simplificando o que lhe ensinado para atender a expectativa de ver o paciente em 10-15 minutos. Neste ponto, fica tudo mais complexo porque é um defeito do sistema de saúde, mas que quem responde é o médico e quem paga pela má aferição é o paciente.
 
O que você acha? Culpa dos professores, dos alunos ou do sistema de saúde? Como melhorar essa estatística? Você costuma fazer os 11 passos?
 
Se você quiser revisar e tirar algumas dúvidas sobre como aferir a pressão, nesse link você tem acesso a um guia disponibilizado pela American Heart Association de como fazer isso perfeitamente.
 
Até a próxima!

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