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10 Questões para considerar antes de escolher a sua residência médica

há 1 ano     -     
10 Questões para considerar antes de escolher a sua residência médica


1. Qual o perfil de paciente que irá atender ?

O perfil dos pacientes muda conforme a especialidades, enquanto pacientes da oncologia são mais resignados e tendem a aceitar com mais parcimônia as condutas e tratamentos, os pacientes de cirurgia plástica e dermatologia são mais exigentes e questionadores. Pais e mães são ansiosos no trato dos seus filhos. Pense em qual prognóstico e tipos de doença você irá trabalhar (curáveis, incuráveis, agudas, crônicas, etc…)

2. Qual sua demanda financeira?

Embora não haja dados precisos, a média da remuneração muda muito com a especialidade escolhida. Algumas estão ligadas a maiores remuneração inicial porém com menor variabilidade ao longo da carreira (ex: Radiologia) e outras com salário inicial não tão atrativo porém com possibilidades de se agregar maior valor quando se constrói um nome (ex: especialidades cirúrgicas). Esqueça que a escolha da especialidade fará seu sucesso financeiro, isso virá com trabalho, educação financeira (gastar bem menos do que ganha, de forma resumida), e crescimento profissional (que geralmente só atingimos fazendo o que gostamos).


3. Onde quero morar?

Não tem como fazer especialização em medicina nuclear e morar numa cidade de vinte mil habitantes. Por outro lado um pediatra geral dificilmente consegue agregar valor ao seu nome num grande centro, podendo levar anos para conseguir estabelecer volume para atender em consultório particular. Então reflita que tipo de cidade você quer morar antes de decidir.

4. O que gosto de estudar?

Embora a maioria dos estudantes de medicina escolha a especialidade baseada nessa variável, essa é uma das mais traiçoeiras. O que você gosta de estudar não necessariamente tem a ver com seu dia-a-dia profissional (gosto de E.C.G, logo gosto de ser cardiologista? Não necessariamente!). O fato é que gostamos de estudar o quê entendemos e passamos a nos dedicar mais aquela matéria. Mas lembre-se que embora você deva gostar de estudar sobre sua especialidade, o mais importante é você se identificar com a rotina, pois seu desejo de aprender mais virá naturalmente.

5. Qual a rotina da especialidade?

Se você quer fazer medicina intensiva, tenha em mente que passará anos da sua vida em ambiente fechado em regime de plantão. Se gosta mais de ambulatório que tal medicina esportiva, por exemplo? Centro cirúrgico é o ambiente da maioria dos anestesistas.  O que prefiro ? Flexibilidade de horários? Agendas marcadas? Ou a imprevisibilidade dos sobre-avisos?

6. Você se importa com reconhecimento profissional?

Algumas especialidades são fundamentais como radiologia e patologia porém tratam-se de especialidade de bastidor. Todo mundo vai lembrar do obstetra que fez o parto, e do neurocirurgião que operou o tumor, poucos lembraram do radiologista que fez a ultrassonografia ou do patologista que deu o diagnóstico.  Isso é importante para você ? Em que grau ?

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7. Considerações sobre a maternidade e paternidade
 
Qual especialidade me facilita e qual especialidade me dificulta em relação ao desempenho da maternidade e da paternidade? A exigência dessas duas tarefas (criar um filho e fazer residência) certamente pode ser melhor conciliada em alguns programas de residência em detrimento de outros.

8. Qual o peso que a instituição tem na especialidade?

Algumas especialidades exigem grandes centros para aprendizado (ex: cirurgia cardíaca), outras pode-se fazer uma excelente formação em instituições menores (ex: clínica médica). Que equipamentos e estrutura essa instituição precisa para oferecer uma boa residência ? A preceptoria é presente e bem conceituada ? Desenvolvem-se pesquisas de qualidade? Alguns colegas decidiram por exemplo uma especialidade menos concorrida numa instituição de primeira linha em detrimento de especialidades concorridas em instituições de qualidade duvidosa (essa é uma idéia a ser considerada).

9. Pós graduação ou residência médica?

Se a pós-graduação for nos moldes da residência médica (treinamento em serviço) com carga horária equivalente e seja reconhecida por entidade de classe para obtenção do título, pense nessa possibilidade. Existem pós-graduação (aperfeiçoamentos, ou estágios) que são tão bons ou até melhores que as residências (a depender da instituição, claro). Cuidado com o caminho fácil de pós de final-de-semana que estão surgindo, não há atalhos para quem quer ser um profissional de excelência.

10. Evite a síndrome do residente eterno.

Reflita bem e tome a decisão de forma amadurecida, converse com colegas e profissionais. Não tome como exemplo somente professores que admira (pois a realidade do mercado muda constantemente e não necessariamente o cenário atual é equivalente ao que quem te inspirou viveu). Cuidado com a diferença entra a academia e o “mundo real”, a prática médica muda muito nesses dois cenários. Cuidado com a tendência de seguir o fluxo… Se todo mundo quer fazer aquela especialidade “da moda” é porquê o “BOOM” do mercado já passou… Pense nessas variáveis, e escolha aquilo que te faz feliz, pois esse sim é o melhor caminho para o sucesso.


Está pronto para tomar essa decisão tão importante? Se sim, então você precisa começar a se preparar para conquisar uma vaga na residência médica. 



 



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