A equipe multidisciplinar no pós-transplante

há 1 ano     -     
A equipe multidisciplinar no pós-transplante

O transplante, ao contrário do que muitos pensam, não é a cura. Ele é uma modalidade de tratamento e, dessa forma, requer do paciente adesão aos novos cuidados para que haja um desfecho clínico positivo e uma sobrevida satisfatória do enxerto. O papel da equipe multidisciplinar no pós-transplante consiste, justamente, em auxiliar o paciente que se depara com essa nova realidade. Abaixo são listadas algumas das inúmeras intervenções atribuídas a essa equipe:

-FARMACÊUTICO: Em virtude das várias comorbidades que em geral apresenta, um paciente transplantado fará o uso não só dos medicamentos imunossupressores, mas de diversos outros pelo resto da vida. A polifarmácia aumenta a possibilidade de interações medicamentosas e reações adversas, o que pode gerar desconforto e dificuldade de adesão ao tratamento. A atenção farmacêutica é essencial não só por poder propiciar aconselhamento e revisão da terapia medicamentosa, mas também a educação do paciente, situando-o como ser ativo e corresponsável por seu tratamento.


-ENFERMEIRO: O cuidado da enfermagem não se restringe apenas à dimensão biológica: avaliação do paciente e de seus exames, identificação e resolução de intercorrências, elaboração de planos de cuidados, entre outros. Ele também abarca a dimensão subjetiva, através de uma assistência específica que faz com que o paciente se sinta acolhido e aumente a confiança na equipe. Nesse sentido, o profissional da enfermagem tem papel fundamental na educação dos pacientes e seus familiares, fazendo com que eles se tornem coparticipes do tratamento.
-PSICÓLOGO: O pós-transplante caracteriza-se pela adaptação do indivíduo a uma nova condição de saúde e, por isso, o paciente e as pessoas que o cercam podem estar expostos a situações de ansiedade e estresse. O acompanhamento psicológico é fundamental não apenas na reintegração do paciente ao meio familiar, laboral e social, mas também para auxiliar na aceitação de possíveis intercorrências e na identificação de melhores soluções para situações estressoras, sendo essencial na estruturação do bem estar físico e emocional dos mesmos.
-ASSITENTE SOCIAL: Esse profissional intervém nas dificuldades socioeconômicas, psicossociais e culturais do paciente. Busca também fazer com que o transplantado compreenda sua história de vida e saúde, bem como a importância da sua realidade social na evolução de seu tratamento. As ações do serviço social abrangem o entendimento dos seus deveres e direitos como cidadão, permitindo o acesso aos programas sociais e previdenciários, a recursos e a serviços, dentre eles o acesso gratuito aos medicamentos imunossupressores após a alta hospitalar. 
-MÉDICO: O médico tem como funções fazer o exame físico do paciente transplantado, prescrever e controlar a dose dos imunossupressores, identificar e tratar doenças associadas, esclarecer dúvidas, solicitar exames, dentre outras funções que busquem o bem estar do paciente. Deve trabalhar com os demais profissionais da equipe buscando a manutenção do tratamento mais adequado ao paciente e às suas demandas.
-NUTRICIONISTA: Os pacientes transplantados tendem a ter alterações nos estados nutricionais resultantes de diversos fatores, como a possibilidade de desenvolvimento de diabetes, dislipidemias e desordem no metabolismo do cálcio. O nutricionista intervém como educador de seus hábitos alimentares, orientando sobre as consequências de uma dieta inadequada no pós transplante e sugerindo opções saudáveis de alimentação.

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