A importância do afeto da mãe para o bebê durante a amamentação

há 2 anos     -     
A importância do afeto da mãe para o bebê durante a amamentação

A IMPORTÂNCIA DO AFETO DA MÃE PARA O BEBÊ DURANTE A AMAMENTAÇÃO

Franci Junior Gomes da Silva*; Lorena Gonçalves Leal**

 

* Acadêmico de enfermagem 7º período e integrante da LASM.

** Docente de enfermagem e coordenadora da LASM.

 

O Nascimento de um bebê é um ato marcante na família, um membro novo traz muitas mudanças e novidades no cotidiano, e assim vem surgindo dúvidas sobre o processo do cuidar e amar. O vínculo entre a mãe e bebe dentro desse trabalho tem como objetivo de mostrar a importância do aleitamento materno para esse fortalecimento.

Segundo Vieira (2008), o ser humano está geneticamente programado para a amamentação, pois em 99,9 % da sua existência na terra, amamentou seus descendentes. A amamentação apesar de ser biológica deixou de ser praticada por influências socioculturais; “O homem é o único mamífero que dá o leite de outra espécie animal para seu próprio filho! E isto (...) não é inócuo; causa problemas, às vezes para o resto da vida!” (MARTINS FILHO, 1987, p. 14).

Apesar de pertencer à classe dos mamíferos, o ser humano distanciou-se muito de nossas origens, deixando de amamentar seus filhos e por isso paga um ônus que vai desde uma simples suscetibilidade às doenças até à morte. A amamentação assegura proteção à saúde não só para as crianças, como também para suas mães, assim como fortalece o vínculo afetivo entre eles. A amamentação propicia também a economia para famílias, instituições de saúde, governos e nações. (BUENO E TERUYA, 2008, p.155).

De acordo com o Ministério da Saúde (2009), o ato de amamentar é muito mais do que nutrir a criança. É um processo que envolve interação profunda entre mãe e filho, com repercussões no estado nutricional da criança, em sua habilidade de se defender de infecções, em sua fisiologia e no seu desenvolvimento cognitivo e emocional, além de ter implicações na saúde física e psíquica da mãe.

Segundo recomendações da OMS (Organização Mundial da Saúde), as crianças até os seis meses de vida, devem receber o aleitamento materno exclusivo, sendo apenas o leite materno, evitando a inclusão de qualquer outro tipo de alimento complementar ou bebidas. Segundo a UNICEF (The United Nations Children's Fund), o leite da mãe é ideal para o bebê e adapta-se para ir de encontro das necessidades dele, em constantes alterações.

O leite materno é o alimento mais benéfico para a criança nos primeiros meses de vida. A composição do leite, além de ser rico em nutrientes essenciais para o desenvolvimento do bebê, é, também, um importante meio condutor de anticorpos que o protegem contra infecções. Vômito e diarréia, infecções do peito, dos ouvidos e da urina, são mais prováveis em bebês que tem a amamentação materna, substituída por outros alimentos. Quando a amamentação é estabelecida, se torna um procedimento fácil e, para a maioria das mães e bebês, uma experiência aprazível. Mas para tanto, é necessário que no início deste processo, a mãe e bebê devem aprender a forma mais conveniente e adequada para ambos, buscando informações com a equipe de profissionais da saúde que a acompanham durante o pré-natal ou puerpério.

A amamentação envolve muito mais do que apenas nutrir o bebê, foi visto que este processo é definidor tanto do vínculo afetivo entre mãe e filho, como, também, serve de espelho sobre os fatores que regem as etapas de educação da criação, pois, nesta fase a criança recebe e armazena informações marcantes e de rotina, podendo refletir na definição de sua personalidade e na sua formação como cidadão.

Há estudos de casos que avaliaram crianças que tiveram a ausência da figura materna durante os primeiros anos de vida. Experiências de R. Spitz demonstraram que crianças abandonadas pela mãe antes de completarem um ano de idade, mesmo havendo assistência e o acompanhamento de profissionais, cuidados higiênicos extremos, controle nutricional, não se desenvolviam normalmente, a falta de afeto materno levou as crianças a apresentarem comportamento como tristeza, aparência deprimida, indo até atitudes mais agressivas, apáticas, sofrendo queda de peso e perturbações psicossomáticas.

Com isso, baseado nos dados científicos já registrados e nos pontos de vista culturais sobre os múltiplos benefícios do aleitamento materno, se torna indispensável que a criança receba cuidado conciliado com afeto durante as etapas de amamentação, dando atenção e mantendo-o em contato mais próximo da mãe possível, bem como, evitando que o bebê vivencie tensões no ambiente familiar e impedir que sentimentos resultantes de conflitos pessoais sejam transmitidos para a criança, impedindo que sejam geradas lesões psicossociais e traumas ou distúrbios de comportamento que prejudiquem, futuramente, a inserção desta criança na sociedade. Se o desmame parcial (Após 6 meses com adicional de alimento complementares) e o desmame total (após 2 anos com substituição da amamentação por alimentos e bebidas), forem realizados no tempo recomendado, as perspectivas de vida para a criança é de uma melhor qualidade de vida, comparada com uma criança que teve o desmame precoce.

A amamentação é o ponto de partida para as interações com o mundo externo é base da afetividade. O Início do processo de individuação: Quando a mãe lhe aconchega nos braços e o amamenta, o bebê começa a perceber que existe algo fora dele que lhe sacia e faz cessar a sua angustia e com o tempo o bebê vai percebendo a existência de um mundo externo e de sua condição de dependência da mãe para sobreviver. O aleitamento estimula uma maior interação da criança com o meio e devido ao instinto de sobrevivência surge a necessidade de “reagir” para obter a gratificação de suas necessidades (o bebê não é um ser passivo), iniciando uma comunicação não-verbal entre o bebê e sua mãe, por meio do choro, grunhidos, movimentos corporais, gestos e expressões faciais. Futuramente, à medida que seu aparelho psicomotor amadurece, essas manifestações vão ganhando sentido: o bebê começa a tocar nos seios da mãe, pegar nos seus dedos, nos seus cabelos, a sorrir, etc.

O processo de amamentar proporciona uma conexão mais íntima entre mãe e bebê satisfazendo mais amplamente as necessidades emocionais e oferecendo maior garantia de equilíbrio interno a ambos. Reduz o efeito traumático causado pelo parto (ruptura), ajudando a prevenir a depressão pós-parto nas primeiras horas após o parto, ocorre uma intensa liberação de Ocitocina (hormônio que proporciona bem-estar, aumento da tolerância à dor e sensação de prazer no ato de amamentar, aumentando o amor pelo bebê). Este hormônio é estimulado sempre que o bebê lambe, suga ou massageia o seio. Independente do aspecto nutricional, o ato de sugar proporciona intensa sensação de prazer para o bebê. Quando esta necessidade não é saciada, o desenvolvimento pode ser afetado, causando problemas emocionais no futuro. Fortalece a ligação afetiva, por proporcionar maior envolvimento da mãe com as necessidades do bebê.

A amamentação é uma vacina contra carência afetiva: a mãe semeia a autoestima, registrando no sistema nervoso do bebê a paz e o amor que sente pelo seu filho. É importante atentar para a maneira como o seio é oferecido ao bebê, porque, além do leite, ele incorpora também a voz da mãe, seus embalos e suas carícias. Além de proporcionar sensação de prazer, proteção e segurança ao bebê, as carícias da mãe durante a mamada auxiliam na formação do seu contorno corporal, despertam a percepção das sensações corporais e promovendo o desenvolvimento da afetividade, o contato físico com o corpo da mãe proporciona segurança e bem estar: O bebê pode ver o seu rosto e observar suas expressões, ouvir as batidas do seu coração, sentir seu cheiro e ouvir sua voz, sentir o calor de seus braços e o toque de suas mãos, estabelecendo o limite entre o seu eu e o de sua mãe. O momento da amamentação é um momento sagrado, onde ocorre uma conexão física e emocional entre mãe e bebê. Para que ocorra uma conexão saudável, nada pode interferir no estado de espírito da mãe e na atenção dedicada ao bebê. Exemplo, se o bebê altera a freqüência de sucção quando os pais conversam com ele enquanto está mamando.

Pode-se verificar através do trabalho que a amamentação é fortemente influenciada por questões biológicas, sociais e psicológicas, pois apesar da amamentação ser algo biologicamente determinado pela natureza ela sofre influências psicossociais. Portanto, é em favor desses aspectos envolventes neste processo, que se conduzirá a maneira de como o aleitamento materno será realizado, com sucesso ou fracasso.

Para tanto, a amamentação para ser realizada com sucesso, é importante que a mulher esteja amparada por uma equipe multiprofissional para ser esclarecida quanto à prática, vantagens e obstáculos que poderão ocorrer na amamentação. Deve ser orientada quanto aos mecanismos de lactação, para que compreenda todo o processo que ocorre em seu corpo.

 

 

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