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A importância dos cuidados paliativos frente a pacientes oncológicos | Colunistas

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A importância dos cuidados paliativos frente a pacientes oncológicos | Colunistas


O câncer, segunda causa de morte no Brasil segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e um problema de saúde pública mundial, é uma doença crônica e progressiva que traz muita dor e sofrimento tanto para o paciente oncológico como para os seus familiares.

Durante os anos de 2012 a 2016, segundo o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), houve 1.015.496 óbitos por neoplasias. Com isso, a prática assistencial pautada em uma abordagem holística, como os Cuidados Paliativos, para esses doentes pode proporcionar uma melhor qualidade de vida, minimizar o sofrimento e amparar as angústias frente a esse processo bastante impactante na vida das pessoas.

         Segundo a Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer, estabelecida na Portaria nº 874/2013, os cuidados paliativos estão inseridos em todos os níveis de atenção na área de saúde, respeitando o conceito de hierarquização da assistência no âmbito do SUS, que se traduz na atenção básica de saúde, na média e na alta complexidades, garantindo, com isso, o direito integral, equânime e universal à saúde do cidadão.

          Os cuidados paliativos são ações ativas e integrais prestadas a pessoa logo ao diagnóstico de uma doença progressiva e irreversível até a finitude como também para os seus familiares ocorrendo tanto em âmbito hospitalar como domiciliar a depender da condição clínica do paciente. Nessa perspectiva, onde o processo curativo não é mais uma opção, a prática paliativa surge com abordagens que visem o controle tanto da dor física como psicológica e espiritual valorizando o ser e suas queixas.

Para pôr em prática a abordagem paliativa, devido a sua complexidade, é necessário que haja uma interatividade entre o enfermo e a família com toda a equipe multidisciplinar a partir de uma comunicação, tanto verbal como não-verbal, franca e honesta a fim do estabelecimento de um vínculo e uma relação médico-paciente de confiança contribuindo para a oferta de um cuidado humanizado onde o paciente não deve ser considerado apenas como um corpo doente, mas como uma pessoa que carrega consigo uma história de vida constituída de medos, anseios e desejos.

Frente ao exposto, os cuidados paliativos ainda se encontra em um campo conceitual em construção sendo, portanto, a sua inserção prática um desafio para as equipes de saúde. Tal fato deve-se aos cuidados paliativos não estarem pautados apenas na competência técnica e científica, mas sim em questões éticas e culturais presentes na nossa sociedade.

Contudo, sabe-se que é de suma importância essa prática assistencial para o reestabelecimento de uma qualidade de vida visto que esse processo acarreta intenso sofrimento para todos em volta do paciente.

Além disso, no cenário brasileiro, ainda é precário o conhecimento acerca dos cuidados paliativos tanto pela população como até mesmo pelos profissionais de saúde. Diante disso, é de suma importância a inserção da disciplina de cuidados paliativos na grade curricular dos cursos de graduação em saúde a fim de demonstrar e ampliar o campo de visão desses futuros profissionais acerca da importância dessa arte de cuidar.

Somado a isso, a ampliação de pesquisas sobre os vários aspectos que envolvem os cuidados na finitude, incluindo-se estudos que abordem as preferências dos pacientes e de seus familiares acerca de tratamentos e de intervenções pode auxiliar na estruturação para uma oferta de cuidado com mais qualidade fazendo com que a prática do cuidado paternalista, o qual é cultural na nossa sociedade, dê espaço para a contratualista onde há uma relação de compromisso e de poder compartilhado entre o médico e paciente.
 
 
REFERÊNCIAS
Amorim, W. W.; Oliveira, M. (2010). Cuidados no final da vida. Revista saúde Coletiva, 43 (7), 198.
Araújo, D.; Linch, G. F. C. (2011). Cuidados paliativos oncológicos: tendências da produção científica. Revista de Enfermagem, UFSM, 1(2), 238-245, Mai/Ago
Araujo MMT, Silva MJP. Estratégias de comunicação utilizadas por profissionais de saúde na atenção à pacientes sob cuidados paliativos. Rev Esc Enferm USP 2012;46(3):626-632.      
BRASIL. Ministério da Saúde. Datasus: informações de saúde. Disponível em Melo AGC, Caponero R. Cuidados paliativos: abordagem contínua e integral. In: Santos FS, organizador. Cuidados paliativos:discutindo a vida, a morte e o morrer. São Paulo: Atheneu; 2009.         
Melo AGC, Caponero R. O futuro em cuidados paliativos. In: Santos FS. Cuidados paliativos: diretrizes, humanização e alívio de sintomas. São Paulo: Atheneu; 2011.  
Silva RCF, Hortale VA. Cuidados paliativos oncológicos: elementos para o debate de diretrizes nesta área. Cad Saúde Pública2006;22(10):2055-2066.         
 
 
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