Beta-bloqueadores | Tudo o que você precisa saber

há 5 meses     -     
Beta-bloqueadores | Tudo o que você precisa saber


A classe farmacológica dos B-bloqueadores é amplamente utilizada para manutenção da pressão arterial desde muito tempo, ou seja, para o controle da hipertensão arterial.

A curto prazo, os efeitos do uso dos beta-bloqueadores apresentam redução da freqüência cardíaca e da pressão arterial. 

Já beta-bloqueadores com atividade vasodilatadoras, que hoje são conhecidos como os novos beta-bloqueadores (Por exemplo: Carvedilol e Bisoprolol) costumam ser melhor tolerados graças ao seu efeito de redução da pós-carga e das pressões de enchimento ventricular. 

Após algum tempo de uso, os beta-bloqueadores melhoram o funcionamento do coração, sendo observado o aumento do débito cardíaco e assim por consequência, melhora da qualidade de vida do paciente.

Por esse motivo, vamos levá-lo através da farmacologia dos beta-bloqueadores, olhando primeiro para o sistema biológico responsável pelo funcionamento e manutenção da função cardiovascular e para os dois tipos de receptores envolvidos em sua ação (e respectivos mecanismos), depois, vamos avaliar seus efeitos adversos e interações medicamentosas.

- Hipertensão Arterial

Mas antes para entender melhor os medicamentos dessa classe, será interessante fazer uma breve revisão sobre a Pressão Arterial e Hipertensão Arterial Sistêmica... A Pressão Arterial (PA) é a pressão que o sangue exerce sobre a parede dos vasos à medida que está circulando por todo o corpo. 

A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é dada como o aumento da pressão que o sangue exerce sobre a parede dos vasos, assim, podendo causar problemas em diversos órgãos-alvo, como por exemplo, rins, coração e olhos, caso o paciente já apresente algum problema em algum desses órgãos, esse comprometimento pode ser agravado pela HAS. 

A HAS é uma das causas mais comuns de complicações cardiovasculares, entretanto, fazendo o manejo correto, pode-se tanto evitar o acontecimento destas futuras complicações, como tratar as comorbidades.

A Hipertensão Arterial Sistêmica é uma das principais causas do aumento dos índices de mortalidade, principalmente em pacientes idosos, que são pessoas mais susceptíveis a esse tipo de complicação, mas, hábitos de vida pouco saudáveis podem levar pessoas mais jovens a adquirirem também.

- Sistema Nervoso Central

O Sistema Nervoso Simpatico (SNS) é um sistema que excita o organismo, para que este consiga passar por situações de estresse sem grandes danos, possui fibras pré-ganglionares, que são mais curtas que as pós-ganglionares, seu neurotransmissor é a acetilcolina (Ach) e seu receptor é a noradrenalina.

 O SNS tem uma gama de efeitos cardiovasculares, incluindo a aceleração, aumento da contratilidade cardíaca e vasoconstrição periférica.


 
- Mecanismo de Ação
 
Os betabloqueadores apresentam mecanismo de ação comum entre seus tipos, o bloqueio dos receptores beta-adrenérgicos, porém com perfis farmacológicos diferentes, inibindo as respostas inotrópicas e vasoconstritoras à ação da epinefrina e da norepinefrina nos receptores beta-adrenérgicos β1 e β2. 
 
Os 2 tipos de receptores estão ligados a proteína Gs. Quando o neurotransmissor se liga ao receptor, aumenta a concentração do AMPc, que se trata de um segundo mensageiro, que leva a informação a suas células-alvo. As diferenças entre os tipos de receptores β, tem ligação com às ações vasodilatadoras de alguns medicamentos desta classe.
 
É importante ressaltar que o efeito terapêutico dos beta-bloqueadores não depende apenas do tipo ou geração de beta-bloqueador escolhido, mas também da dose em que este é administrado.
 
- Receptores β1
São responsáveis por Aumentar o débito cardíaco, aumentar a fração de ejeção de sangue e a frequência cardíaca; Causa o aumento de lipólise e Libera renina.
 
- Receptores β2
Causam relaxamento visceral (graças a sua grande presença em músculos lisos): Lipólise; Aumento da secreção de reninas nos rins; Inibição da liberação de histamina dos mastócitos; Dilatação das artérias do músculo liso; Glicogenólise e Gliconeogênese. 
 
- Novos Beta-Bloqueadores
Está sendo feito uso terapêutico dessa nova classe, que tem como principal mecanismo de ação o bloqueio concomitante dos receptores α1, β1 e β2, sem demonstrar níveis altos de ação agonista inversa, o que resulta numa redução dos efeitos colaterais. 
 
Exemplo: Carvedilol e Nevibolol.
 
 
Os medicamantos beta-bloqueadores agem justamente bloqueando esses efeitos nos receptors β: Reduzem o débito cardíaco, reduz a liberação de renina (Inativando o Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona).
 
- Diferenças entre os beta-bloqueadores
 
Os beta-bloqueadores podem ser diferenciados de acordo com a sua seletividade, solubilidade e eliminação e metabolismo.
 
- Seletividade
 
1. Não seletivos: São aqueles que bloqueiam tantos os receptores adrenérgicos β1 (que estão localizados principalmente no miocárdio, o músculo do coração) quanto os receptores adrenérgicos β2 (que são encontrados na musculatura lisa dos vasos sanguíneos, no pulmão e em muitos outros órgãos). 
Uma consequência do uso desse tipo de beta-bloqueador é a acentuação dos efeitos periféricos como a broncoconstrição e o aumento da resistência arterial periférica. 
Exemplo: Propranolol; Nadolol e Timolol. 
 
2. Cardiosseletivos: Bloqueiam apenas os receptores β1 adrenérgicos, presentes em grande extensão no coração (daí vem o nome “Cardiosseletivos”), no Sistema Nervoso Central e nos rins, tendo então menores efeitos de bloqueio periférico não desejado/esperado. Mas atenção, em doses muito altas, os beta-bloqueadores cardiosseletivos podem ter ação no receptores β2 adrenérgicos.
EXEMPLO: Atenolol e Metoprolol
 
3. Os que tem ação vasodilatadora (ou os novos beta-bloqueadores): Antagonizam os receptores α1 periféricos e produção de óxido nítrico. 
Exemplo: Carvedilol e Nebivolol.

 
VOCÊ SABIA? O pindolol (um outro exemplo de  betabloqueador não seletivo), tem destaque dentre os outros pelo fato de apresentar atividade simpatomimética intrínseca, portanto, agindo como um agonista adrenérgico parcial e, então, tendo como consequência menos bradicardia e broncoconstrição que os demais betabloqueadores da categoria de não seletivos.
 
 
- Solubilidade
 
A solubilidade dos beta-bloqueadores determina a sua biodisponibilidade e desenho dos efeitos colaterais. Quanto mais lipossolúvel, mais o beta-bloqueador penetrará a barreira hematoencefálica, e por consequência, causará mais efeitos colaterais ao paciente, tais como confusão, letargia e depressão. 
 
Como exemplo: O Propranolol é muito lipossolúvel, já o Atenolol é hidrossolúvel, portanto menor penetração nas barreiras fisiológicas e maior meia vida, causando então menos efeitos colaterais.
 
- Eliminação e Metabolismo
 
De acordo com o tipo de excreção apresentada pelo beta-bloqueador, é preciso se fazer uma análise de acordo com o perfil do paciente. 
 
O Atenolol é eliminado na urina, então se faz necessário o ajuste de dose em pacientes que tem Insuficiência Renal. 
 
Já o Propranolol, Metoprolol e Carvedilol são excretados em sua grande extenção atráves de metabolismo hepático, sendo preciso que sejam monitorados em casos de paciente com Disfunção Hepática.
 
- Possíveis efeitos dos beta-bloqueadores
 
1. Redução da frequência cardíaca, do débito cardíaco e da fração de ejeção de sangue; 
2. Inibição da liberação de renina pelas células justaglomerulares; 
3. Inibição da atividade simpática pelo sistema nervosa central; 
4. Redução do retorno venoso e do volume plasmático; 
5. Diminuição da volemia; 
6. Geração de óxido nítrico (apenas nebivolol); Melhora da complacência vascular; Redução do tônus vascular; 
7. Readaptação dos barorreceptores; 
8. Atenuação da resposta pressórica às catecolaminas (Epinefrina e Norepinefrina) com exercício e estresse.
 
- Efeitos Adversos
 
Os efeitos adversos dos beta-bloqueadores dependem dos subtipo do receptor, mas de maneira geral, apresentam-se: 
fadiga, bradicardia (diminuição da frequência cardíaca), dispnéia de exercício, ou seja, a capacidade de exercício está diminuída, depressão (quanto mais lipossúvel for o beta-bloqueador, mais atravessará a barreira hematoencefálica e terá ação sobre o sistema nervosa central), disfunção sexual, crises de asma e distúrbios do sono.
 
IMPORTANTE:
 
Os beta−bloqueadores são normalmente contraindicados em casos de pacientes com asma, bloqueio atrioventricular de 2º e 3º graus e doença pulmonar obstrutiva crônica.
 
- Interações Medicamentosas
 
Principais interações entre alguns beta-bloqueadores e algumas classes/medicamentos: 
 
Agentes Hipoglicemiantes X Propranolol e Atenolol: Mascara os sinais da Hipoglicemia; 
Antidepressivos X Propranolol: Diminui os efeitos inotrópicos negativos do Propranolol; 
 
Digoxina X Atenolol e Metoprolol: Aumenta a toxicidade da Digoxina e pode causar bloqueio atrioventricular; 
 
Alguns AINE’s X Propranolol: Reduz o efeito anti-hipertensivo; 
 
Varfarina X Propranolol e Atenolol: Aumenta nos níveis plasmáticos da Varfarina e aumenta o tempo de protrombina e o RNI, respectivamente; 
 
Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA), diuréticos tiazídicos e bloqueadores α1 adrenérgicos X Propranolol: Aumentam o efeito anti-hipertensivo.


 
Referências
 
ZHANG, David Y.; ANDERSON, Allen S.. The Sympathetic Nervous System and Heart Failure. Cardiology Clinics, [s.l.], v. 32, n. 1, p.33-45, fev. 2014. Elsevier BV.
 
MARQUES, Alessandra Casadei. Principais interações medicamentosas em pacientes hipertensos. Revista Especialize On-line Ipog, Goiânia, v. 1, n. 6, p.1-17, dez. 2013.
 
BORTOLOTTO, Luiz Aparecido; CONSOLIM-COLOMBO, Fernanda M.. Betabloqueadores adrenérgicos. Revista Brasileira de Hipertansão, São Paulo, v. 16, n. 4, p.215-220, set. 2009.
 
II CONSENSO BRASILEIRO PARA TRATAMENTO DA HIPERTENSÃO ARTERIAL. Mangaratiba, mar. 1994.





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