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Estudantes de medicina aprendem melhor na base da humilhação?

há 4 meses     -     
Estudantes de medicina aprendem melhor na base da humilhação?


Bullying e assédio entre médicos, enfermeiros e alunos está crescendo no sistema de saúde da Austrália e uma pesquisa Norte Americana mostrou que isso pode ser fatal para o paciente.

 

O Medical Journal of Australia mostrou que entre 25% a 50% dos médicos e enfermeiros na Austrália já sofreram bullying, discriminação e/ou foram assediados.

 

Já foi evidenciado em outros estudos que em ambientes de trabalho no qual existem ocorrências de bullying, há fortes indícios para a causa da depressão, ansiedade, burnout entre outros problemas na saúde do trabalhador. Consequentemente, isso também pode diminuir a performance e a auto-estima dos profissionais. Estes sintomas associados com estresse e uma baixa satisfação dos trabalhadores, leva à um aumento da absenteísmo (diminuição da presença do profissional do trabalho), impactando continuamente no cuidado ao paciente e aumentando a carga de trabalho nos hospitais e clínicas que já possuem excessivas horas de trabalho.

 

Outra pesquisa com mais de 100 hospitais do EUA evidenciou que mais que ? dos participantes (71%) - principalmente enfermeiros e médicos - concordaram que um comportamento não-profissional e uma má comunicação contribuem para erros médicos. Além disso, 27% dos que responderam afirmaram que um comportamento não-profissional pode ter contribuído para a morte prematura de um paciente.

 

Aprendizado na base da humilhação:

 

Boa comunicação entre as equipes clínicas é o centro para um tratamento seguro. Quando membros da equipe se sentem desconfortáveis para falar devido ao medo de uma resposta negativa, o tratamento será comprometido.

 

Mais um estudos sobre o assunto evidencia que equipes médicas que eram tratadas de forma mais rude por um preceptor performaram significativamente pior em uma situação simulada, onde eles tinham que manejar uma criança doente, em comparação aos times que eram tratados com respeito. Existem também outros estudos que confirmam esse resultado (veja em 1 e 2). Os autores também afirmam que a grosseira sozinha explica 12% da variabilidade do diagnóstico.

 

As equipes tratadas com grosseria compartilhavam menos informações com os colegas e não procuravam ajuda com frequência. Isto gerou um resultado negativo para os pacientes que estavam participando da simulação. É possível traçar um paralelo com resultados que estudos Australianos trouxeram entre os médicos residentes e os estudantes de medicina, que reportaram serem rotineiramente “ensinados na base da humilhação” e serem desrespeitados durante o correspondente ao internato deles.

 

Os médicos residentes são regularmente tratados com grosseria, hostilidade e perguntas agressivas dos seus professores. Este são os preceptores, eles também deveriam ajudar a fazer a abordagem dos paciente no seu cuidado.

 

E agora?

 

Os efeitos dos comportamentos não-profissionais no sistema de saúde já são alarmantes para ignorarmos. Mas políticas de “tolerância-zero” para esse tipo de comportamento são improváveis de trazer mudanças duradouras. Ao invés disso, precisamos de intervenções baseadas em evidências para reduzir a prevalência de comportamentos negativos, minimizar seus efeitos nas equipe e pacientes, e normalizar uma cultura de satisfação e respeito. Mudar a cultura de um ambiente de trabalho é muito difícil, porém necessária. Já existem programas que tem como objetivo empoderar o funcionário a falar quando eles veem um problema de forma anônima em um formulário eletrônico (Ethos, usado no Hospital St Vincent’s na Austrália). A partir disto, colegas treinados dão o feedback para o funcionário que obteve uma reclamação.

 

O seu local de trabalho tem algum sistema que permite essa conversa? Vocês já lidaram com preceptores, colegas de trabalho ou professores que ensinavam na base da humilhação? Conta pra gente!

 

Até a próxima.






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