Caso clínico - Artrite Reumatoide

há 1 ano     -     
Caso clínico - Artrite Reumatoide

Fonte: http://blog.handcare.org/wp-content/uploads/2016/12/hand-anatomy-cropped.jpg

ID: J.F.N, sexo feminino, 53 anos, branca, divorciada, bancária, natural e procedente de Salvador.

Queixa Principal: ”Dor intensa (7/10) nas articulações das duas mãos há 9 meses , porém com piora há 3 meses”

HMA: Paciente refere dor em articulações metacarpofalangeanas e interfalangeanas há 9 meses, que perdurou durante cerca de 4 semanas , passando por um período de recessão sem dor e retornando há 3 meses com piora do quadro. Relata que ambas as vezes a dor melhorava ao uso de AINEs, principalmente dipirona sódica monohidratada (500mg). Relata que acompanhado das dores teve rigidez matinal nas articulações acometidas e que esta rigidez perdurava por cerca de 60 minutos, melhorando com o decorrer do dia. Relata fadiga, que iniciou conjuntamente com o quadro há 9 meses e perdura até os dias atuais. Refere ainda sensação febril de prostração (sic), não chegando a medir tal febre, mas que iniciou recentemente, cerca de 2 semanas e que tem atrapalhado bastante o seu cotidiano.:

Interrogatório Sistêmico (IS): Nega perda de peso, diminuição do apetite lesões em pele, queda de pelos, diarreia, vômitos e astenia. Relata leve formigamento em 4 e 5 metacarpos e falanges em ambas as mãos quando realizava atividades manuais durante um longo período, como digitar no trabalho (sic).

Antecedentes médicos (AM): Nega DM, HAS, asma, uso de medicamentos, internações, traumas, cirurgias prévias, alergias a medicamentos e alimentos. Nega transfusão sanguínea.

Antecedentes epidemiológicos (AE): Nega viagens recentes, contato com pessoas com doenças infectocontagiosas.

Antecedentes familiares (AF): Pais vivos, mãe com 73 anos, sem problemas de saúde de seu conhecimento. Pai com 81 anos com DMII diagnosticado há 30 anos. Nega outras doenças de caráter heredofamiliar.

HV: Nega etilismo e uso de drogas ilícitas. Refere ser tabagista há 28 anos, fumando 1 maço/dia. Refere boa alimentação e sedentarismo.

 

Exame Físico:

Dados vitais:

  • PA= 130X80mmHg,
  • FC=78 BPM
  • FR=18 IPM

      Geral: Bom estado geral e nutricional vígil, normocorada , afebril e acianótica.

Pele: Nódulos subcutâneos em I e III falanges da mão direita.

Cabeça e pescoço: Sem alterações

ACV: Precórdio calmo, ictus não palpável, BRNF em 2 tempos

ABD: Plano, simétrico, cicatriz umbilical intrusa e centralizada ,RHA+ indolor a palpação e ausência de visceromegalias

OSTEOMOTOR: Manutenção de movimentos de flexão, dorsiflexão, abdução e adução em  ambos os punhos. Pequena dificuldade de realizar movimentos de flexão e extensão das articulações metacarpofalangeanas e interfalangeanas, em ambas as mãos. Ao teste do squeeze sentiu intensa dor.

EXTREMIDADES: Bem perfundidas e sem edemas.

 

Discussão:

Qual o provável diagnostico e quais exames devem ser solicitados para o correto diagnostico e manejo da paciente?

Para iniciar o diagnostico do caso em questão devemos olhar para o sintoma guia que nesse caso foi a dor em articulações metacarpofalangeanas de forma simétrica que melhorava ao uso de AINEs. Tal fato é uma característica típica das artrites , sendo a mais comum delas a artrite reumatoide. Vemos então outro sintoma bem típico da doença que é a rigidez matinal, além da sensação febril. Em hábitos de vida podemos ver que a mesma era fumante e parece que tal fator está relacionado à uma maior incidência dessa doença. Além de que a doença costuma acometer em maioria pacientes do sexo feminino, como o caso da nossa paciente. Uma outra possível patologia que poderia ser levantada seria a artrite psoriática, porem estas tem um caráter maior de acometimento da pele, causando lesões descamativas; poderia se suspeitar de outras artrites como infecciosas, porem estas acometem normalmente somente uma articulação, tendo também um padrão mais agudo1. Para o correto diagnostico e manejo da doença se recomenda a requisição de radiografias e do fator reumatoide sérico, além de exames de prova inflamatória como PCR E VHS; sendo que para correta conclusão diagnostica se utilizam os critérios de EULAR/ACR.

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