Caso Clínico - Asma

há 1 ano     -     
Caso Clínico - Asma

ASMA

LAPED - Liga Acadêmica de Pediatria

Autores: Letícia Leite Fagundes; Ana Clara Lado Oliveira Holak.

Orientador (a): Tassia Viviane Cardoso de Souza

Instituição: Universidade Severino Sombra

RELATO DE CASO: ASMA NA INFÂNCIA

IDENTIFICAÇÃO:

L.S.B, 5 anos e 3 meses, feminino, natural de Vassouras, residente do bairro centro.

QUEIXA PRINCIPAL: “Cansaço".

HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL – HDA

Mãe refere que a pré-escolar iniciou há 4 dias, quadro de congestão nasal e tosse seca, com piora no período noturno. Relata que hoje houve piora da tosse associada a quadro de taquidispnéia. A mesma relata que realizou nebulização com soro fisiológico, sem melhora, e decidiu portanto procurar o PSI. Nega febre. Refere 1 episódio de vômito associado a dor abdominal. Nega outras queixas.

Nega alergia medicamentosa.

AO EXAME FÍSICO:

ECTOSCOPIA:

Pré-escolar taquidispnéica, taquicárdica, afebril, corada, hidratada, acianótica e anictérica. Boa perfusão capilar periférica. Apresenta batimentos de asa do nariz, retração de fúrcula, tiragem subcostal e intercostal.

Peso: 21 kg

OTO: membrana translúcida bilateralmente

ORO: hiperemia de amígdalas

AR: MVUA, presença de sibilos difusos e crepitações em ambas as bases.

FR: 49 irpm SAT O2 90% em ar ambiente

ACV: RCR, 2 tempos, bulhas normofonéticas, sem sopros. FC: 146 bpm

ABD: distendido, hipertimpânico,  peristalse presente, indolor, não palpo massas ou megalias.

MMII: sem edemas, pulsos simétricos.

HPP: Mãe relata outros episódios semelhantes, 3 episódios nos últimos 3 meses. Refere que as crises incapacitam a filha de realizar atividades diárias e que quase sempre necessitam de idas a emergência. Relata episódios noturnos esporádicos. Refere uma pneumonia tratada ambulatorialmente aos 3 anos de idade,  com amoxacilina. Relata ainda que tem espirros em salva sempre que acorda e apresenta prurido nasal diário. Nega cirurgias. Nega transfusões sanguíneas.

H. Familiar: Mãe relata ter tido bronquite na infância. Pai e irmão de 10 anos são portadores de rinite alérgica. Avós maternos hipertensos. Avós paternos faleceram vítima de trauma automobilístico.

H. Gestacional e Neonatal: G2, P2, A0. Realizou 7 consultas pré-natal. Sorologias normais. Fez uso de ácido fólico e sulfato ferroso. Teve DHEG e DMG. Nascido de parto cesáreo, 36 semanas, apgar 7/8. Evoluiu com desconforto respiratório transitório e hipoglicemia, permaneceu em Unidade neonatal intermediária por 48 horas.

H. Crescimento e Desenvolvimento:  Adequado para idade

H. Vacinal: Adequada para idade.

H. Social: Casa de alvenaria, 5 cômodos, saneamento básico, reside com pai, mãe e irmão. Nega etilismo e uso de drogas. Pai tabagista.

HIPÓTESES DIAGNÓSTICAS:

  • ASMA
  • PNEUMONIA
  • ASPIRAÇÃO DE CORPO ESTRANHO
  • ASPIRAÇÃO DE CONTEÚDO GÁSTRICO

CONDUTA:

Ofertar oxigênio sob forma de cateter até 3l/min ou macronebulização 10l/min e monitorização contínua de frequência cardíaca e Saturação de O2.

Nebulização com beta 2 agonista ou inalação com espaçador contínua ou 3 etapas com intervalo de 20 minutos.

  • Quantas gotas de berotec? A dose pode ser de até 15 mcg/ kg
  • Quantos jatos do salbutamol? A dose é de 50 mcg/ kg

PACIENTE CONTINUA COM TAQUIDISPNÉIA:

2° etapa de nebulização com beta 2 agonista associado a anticolinérgico ou inalação.

Corticóide

VENOSO X ORAL

  • Prednisolona 1 mg/kg/dia VO
  • Hidrocortisona 10 mg/kg/dose IV
  • Metilprednisolona 4 mg/ kg/dia IV

PACIENTE APRESENTA MELHORA PARCIAL DO QUADRO PERMANECE COM LEVE TIRAGEM SUBCOSTAL.

3° etapa de Nebulização ou Inalação

Após realização de 3° etapa: Pré-escolar em bom estado geral, ativa, reativa, eucárdica (FC: 89 bpm),  eupnéica (FR: 35 irpm), sem esforço  e Sat O2 95% em ar ambiente.

REALIZADO HEMOGRAMA COMPLETO, PCR, ELETRÓLITOS, GASOMETRIA ARTERIAL E RX DE TÓRAX PA E PERFIL

Resultado dos exames solicitados:

Htc 33%                                        PCR 4  mg/dL (< 8mg/dL)

Hb 12, 3 g/dL

Hem 4,35 1012/L                           Na 140 mmol/L (135-145)

Leucócitos 7.300                          K 3,8   mmol/L (3,5-5,5)

Diferencial:0-6/0-0-1-42/43-8

DESFECHO:

Alta hospitalar com a seguinte prescrição:

1. Prednisolona 3mg/ml – Dar 7 ml vo 1 x ao dia por 5 dias.

2. Nebulização de 6/6 horas:

-SF 0.9% 3 ml

-Berotec 5 gotas

-Atrovent 20 gotas

3.  Retorno se: sinais de cansaço (tiragem sub e intercostal, batimento de asa   do nariz e febre) e encaminhamento para o ambulatório de Pediatria do HUV.

DISCUSSÃO:

A asma é uma doença inflamatória crônica, caracterizada por hiper-responsividade das vias aéreas manifestando-se por obstrução ao fluxo aéreo, reversível espontaneamente ou pelo tratamento, com episódios recorrentes de sibilância, dispnéia, aperto no peito e tosse, particularmente à noite e pela manhã ao acordar. Anualmente a asma é responsável por mais 350.000 internações no Brasil.

A gravidade da asma é classificada em: Intermitente/ Persistente/ Persistente moderada/ Persistente grave.

A crise na asma pode ser classificada em:

O paciente classificava-se em uma crise grave.

EXAMES COMPLEMENTARES QUE PODEM SER SOLICITADOS NA ASMA:

  • RX de tórax – Este deve ser solicitado para descartar outras complicações.
  • Eletrólitos – Solicitado devido a hipopotassemia induzida por beta-agonistas.
  • Gasometria arterial – Solicitado para analisar saturação de O2
  • Prova de função pulmonar, principalmente a espirometria que faz o diagnóstico da asma.

Na espirometria encontramos capacidade vital forçada, volume expiratório final (VEF1) e capacidade vital forçada diminuídos na asma. Na espirometria a asma se comporta como distúrbio obstrutivo. Um teste com o VEF 1  reversível com a prova bronco dilatadora sugere asma.

O DIAGNÓSTICO DA ASMA TAMBÉM PODE SER FEITO COM CRITÉRIO CLÍNICO:

1 Critério maior ou 2 menores = asma

DROGAS PARA O TRATAMENTO DA CRISE DA ASMA:

Droga de escolha: BRONCODILATADORES

  • Beta 2 agonistas
  • Anticolinérgicos
  • Corticóide sistêmico
  • Sulfato de magnésio
  • Aminofilina

 

QUANDO DEVEMOS PENSAR EM INTERNAÇÃO PARA ASMA:

  • Piora da obstrução
  • Incapacidade de falar
  • Sensação subjetiva de exaustão
  • Sensório alterado: falta de atenção, confusão ou sonolência
  • Ausência de murmúrio vesicular apesar do esforço respiratório
  • Diminuição progressiva dos valores de saturação de O2 Sinais de fadiga dos músculos respiratórios

 

ORIENTAÇÕES APÓS MELHORA DA CRISE:

  • Sinais de alerta para exacerbações da asma.
  • Um plano de ação de acompanhamento da asma. Atenção ao uso de corticoides pela via oral, se necessário.
  • Orientação para uso de β2 - agonísta em aerossol dosimetrado com espaçador valvulado até procurar o hospital, em caso de piora.
  • Uso correto dos medicamentos inalatórios.
  • Conselhos para adesão ao tratamento.
  • Retorno ao serviço para acompanhamento, 15 dias após o atendimento na emergência.

TRATAMENTO DA ASMA CRÔNICA:

Asma leve ou intermitente: tratamento somente na crise, ou seja, BRONCODILATADOR.

Asma persistente leve: corticóide inalatório em dose baixa

Asma persistente moderada ou grave: corticóide inalatório em dose intermediária/alta associado à Antileucotrienos ou LABA

ASMA DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS:

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