Caso Clínico de Neurocirurgia - AVC Hemorrágico

há 2 anos     -     
Caso Clínico de Neurocirurgia - AVC Hemorrágico

História Clínica

L.B.F.C., feminino, 77 anos, natural de Caetité, lavradora aposentada, portadora de hipertensão arterial sistêmica mal controlada, em uso irregular de Losartana 100mg/dia e Hidroclorotiazida 25mg/dia, admitida após relato de instalação súbita de fraqueza no hemicorpo direito. Relata cefaleia súbita holocraniana intensa. Familiares negam história pregressa ou familiar de episódios semelhantes, negam alergias, e êmese associada ao quadro. Ao exame: apresenta PA 194/120, FC 114 bpm, com pulso rítmico e cheio, glicemia capilar 159 mg/dl. Ao exame neurológico se mostra desatenta e um pouco sonolenta, com hemiplegia e anestesia completa à direita. Pupilas isocóricas e fotorreagentes, ausência de nistagmo, força muscular preservada à esquerda e sensibilidades superficial e profunda preservadas à esquerda. Sem outros achados alterados.

Exames

Segue tomografia realizada após 25 minutos da admissão

Pontos de Discussão

1- Qual o diagnóstico mais provável e a principal indicação de tomografia de crânio que ela tinha.

2- Qual a etiologia mais provável para o evento nesta topografia?

Discussão

Questão 01

Diagnóstico mais provável

Trata-se de uma paciente hipertensa, com história de déficit neurológico de instalação súbita,apresentando sinais localizatórios, na ausência de hipoglicemia, sugerindo portanto, evento vascular, ou seja, um acidente vascular encefálico (AVE).

Indicação da tomografia de crânio

Na suspeita de um AVE, deve-se realizar imediatamente uma tomografia de crânio buscando diferenciar entre etiologia isquêmica ou hemorrágica. Tal definição implica em diferentes manejos terapêuticos do paciente.

Questão 02

Temos na imagem uma tomografia de crânio em janela para parênquima cerebral, em corte axial. Nela, visualizamos uma lesão hiperdensa em topografia de gânglios da base, mais especificamente o núcleo lentiforme, à esquerda. Tais características permitem o diagnóstico de um AVE hemorrágico. Tratando-se de uma paciente idosa e hipertensa, a etiologia mais provável é de uma hemorragia hipertensiva. Nesta localização de gânglios da base a irrigação é realizada por artérias perfurantes, que em pessoas hipertensas, têm a predisposição da formação de microaneurismas de Charcot Bouchard, que são pequenas dilatações nos ramos terminais destas artérias. A ruptura desses microaneurismas leva a hemorragias cerebrais

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