Caso Clínico de Neurocirurgia - Massa Mediastinal e Olho baixo

há 1 ano     -     
Caso Clínico de Neurocirurgia - Massa Mediastinal e Olho baixo

S.G.B., 35 anos, masculino, mototaxista, procedente e natural de Quixadá-CE. Casado.

Qp: “Olho baixo”

HDA: Há cerca de 1 ano e meio, paciente percebeu ptose palpebral à esquerda. Não chegava a fechar o olho. Cerca de 4 meses após o início desse primeiro sintoma, relata perda de força progressiva em MMSS, sobretudo à direita. A progressão da perda de força foi relativamente lenta, demorando alguns meses para chegar em seu ápice. Nega dor ou parestesias. Refere que no último mês teve início quadro de dispneia, progredindo até ocorrer mesmo aos pequenos esforços. Também foi vista uma massa em mediastino anterior.

HPP e hábitos: Há 5 anos, sofreu TCE ao andar de moto sem capacete. Foi levado ao IJF onde foram constatadas (sic) 3 rachaduras no crânio. Ex-tabagista (1 carteira por dia) e ex-etilista, abandonou ambos os hábitos há um ano e meio. 5 tatuagens, feitas em Quixadá há 6 anos. Atualmente usa 2 medicamentos, neostigmina e corticoide.

HF: 3 irmãos e 5 filhos, todos hígidos. Pai vivo e hígido. Mãe viva, tem HAS.

IOA:

Geral: Refere perda de peso por dieta.

Cabeça e pescoço: Nega alopecia. Nega alterações visuais (embora use óculos).

Aparelho cardiorrespiratório: Dispneia aos pequenos esforços (vide HDA). Nega palpitações. Nega edema de MMII.

TGI: Nega disfagia. Nega alterações de hábito. Nega urgência ou incontinência.

Genito urinário: Nega disfunção erétil. Nega urgência ou incontinência.

Neuropsiquiatrico: (vide HDA). Nega alterações em MMII, nega alterações comportamentais.

EF:

Cabeça e Pescoço: Ptose à esquerda. Face arredondada. Giba de búfalo no pescoço.

Tórax: RCR, 2T, BNF. Gordura supraclavicular presente. Pulmão normal à ausculta.

Abdome: Globoso, flácido. Não há estrias. Não foram palpadas massas ou visceromegalias.

Membros: Não se nota edema ou baqueteamento digital.

Neurológico: Pupilas isocóricas e fotoreagentes. Todos nervos cranianos testados e normais. Reflexos biciptal, triciptal, aquileu e patelar ++/4+. Babinski ausente. Exame de força: 5/5 em MMSS e MMII, proximalmente e distalmente (atualmente)*.

 

Comentários do Caso

Os pacientes com timoma podem apresentar quadro clínico não muito específico: tosse, dispnéia, dor torácica, perda de peso, queda do estado geral. Porém, alguns pacientes são diagnosticados por radiografias de tórax em exames de rotina que mostram opacidade homogênea no mediastino ântero-superior ou por apresentar miastenia gravis associada. Grande parte dos pacientes que apresentam timoma é de portadores de outras doenças auto-imunes ou endócrinas. Cerca de 27% dos pacientes com miastenia gravis apresentam timoma, 83% dos homens com miastenia gravis entre 50 e 60 anos possuem timoma e 20-40% dos pacientes com timoma apresentam miastenia gravis. Artrite reumatóide, miosite e aplasia por células vermelhas puras são outras síndromes que podem vir associadas ao timoma.

O timoma está mais presente nas 5a e 6a décadas de vida, sendo menos freqüente em pacientes abaixo de 40 anos de idade. Não há relação com sexo e raça e existe freqüência maior dos timomas malignos sobre os benignos. 

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