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Caso Clínico de Neurologia - Miastenia Gravis

há 1 ano     -     
Caso Clínico de Neurologia - Miastenia Gravis

História Clínica

ID: SSS, sexo feminino, 32 anos, parda, balconista.

QP: Fraqueza muscular progressiva e fadiga há 15 dias.

HMA: Paciente relata que há cerca de dois meses notou “visão borrada” com piora à noite e ao fazer leituras prolongadas e com melhora ao acordar. Marido refere que, durante o mesmo período, percebeu que as pálpebras da paciente estavam ficando mais baixas. No último mês passou a apresentar cansaço da mandíbula ao final das refeições e dificuldade de deglutição, se engasgando com alimentos sólidos. Há cerca de quinze dias, evoluiu com alteração na fala,  fraqueza muscular progressiva iniciada em MMSS, com dificuldade para pentear o cabelo, que progrediu para MMII, prejudicando a deambulação a ponto de necessitar de cadeira de rodas. Relata quadro de fadiga e cansaço proeminentes ao final do dia, principalmente nos dias mais estressantes.

 

Exame Físico

GERAL: Paciente em regular estado geral, dispnéica, afebril, mucosas coradas e hidratadas.

DADOS VITAIS: PA 125x85 mmHg  FC: 90 bpm   FR: 33ipm   SatO2: 92%   Temperatura: 36,0°C

AR: Expansibilidade diminuída globalmente. MVBD em ambos HT, sem ruídos adventícios. Uso de musculatura acessória.

ACV: bulhas rítmicas e normofonéticas em 2T, ausência de sopros.

ABD: Semi-globoso, simétrico, RHA+, flácido, indolor a palpação, ausência de visceromegalias.  

EXT: Bem profundidas e sem edemas.

NEURO: Vigil, orientada, obedecendo a comandos simples e complexos. Disártrica. Pupilas isocóricas e fotorreagentes. Semiptose palpebral bilateral. Motricidade ocular extrínseca fatigável com movimentação contínua.  Sem outros déficits de nervos cranianos. Tônus muscular preservado. FM grau 3/5 em MSE proximal e grau 4/5 em MSD proximal; FM grau 2/5 em MMII proximal. Demais grupos musculares com força preservada. Reflexos tendinosos profundos +/IV globalmente. Reflexo cutâneo plantar flexor bilateralmente. Avaliação de coordenação apendicular prejudicada. Sensibilidade preservada.

Imagem ilustrativa de ptose palpebral bilateral.

 

Pontos de Discussão

1. Qual o diagnóstico mais provável?

2. Qual o tratamento indicado?

 

Discussão

  1. Trata-se de miastenia gravis, uma doença autoimune da junção neuromuscular na qual ocorre a produção de anticorpos que atuam contra os receptores nicotínicos da acetilcolina, localizados na membrana pós-sináptica da placa motora. Pode acometer qualquer faixa etária, com maior incidência na terceira e quarta década de vida, predominantemente em mulheres. As principais manifestações clinicas são fraqueza muscular, principalmente nos músculos bulbares e faciais, podendo afetar também os grupo musculares proximais dos membros. O quadro piora consoante ao grau de atividade muscular e melhora após repouso. Comumente se inicia nos músculos oculares, resultando em visão dupla e ptose. O envolvimento dos músculos respiratórios é menos comum, mas pode ameaçar a vida. Os casos nos quais o músculos da respiração estão extremamente comprometidos causando alterações significativas da ventilação são denominados de crise miastênica.
  2. O tratamento da miastenia se divide em 4 tipos básicos:
    1. Tratamento sintomático: tratamento inicial com uso de inibidores da anticolinesterase.
    2. Imunossupressão crônica: uso de doses moderadas a altas de glicocorticoides iniciada em pacientes hospitalizados.
    3. Imunossupressão rápida: uso de plasmaférese e IVIG em pacientes com crise miastênica e naqueles com miastenia não controlada com imunoterapia crônica.
    4. Tratamento cirúrgico: timectomia. 

       

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