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Caso Clínico de Neurologia - Siringomielia

há 1 ano     -     
Caso Clínico de Neurologia - Siringomielia

CASO CLÍNICO

ID: MASR, 61 anos, sexo feminino, negra, casada, dona de casa, ensino fundamental incompleto, natural e procedente do Município de Dias D’Ávila.

QP: Fraqueza nos braços há 1 mês

HMA: Paciente hipertensa refere que há 1 mês apresentou dor em ombros precedendo a instalação de quadro de diminuição de sensibilidade inicialmente em membro superior esquerdo com evolução bilateral, e diminuição de força em membros superiores, com instalação progressiva que a impedia de levantar os braços e realizar as atividades cotidianas. Nega fatores desencadeantes, de piora ou alívio. Refere formigamento em MMSS, pior à direita. Nega alteração de pele, dor, movimentos involuntários e outros comemorativos associados.

IS: Nega alteração do nível da consciência, epilepsia, e alterações esfincterianas e outros sintomas.

Antecedentes pessoais: Nega trauma e comorbidades.

Hábitos de vida: Nega etilismo e tabagismo.

Exame físico:

Paciente em bom estado geral, anictérico, eupneico, acianótico. PA: 140 x 90 mmHg; FC: 82 bpm; FR 16 ipm.

Neurológico:

Paciente comunicativa, consciente e orientada quanto ao tempo e espaço. Sem alteração de linguagem. Nervos cranianos inalterados. Ao exame de força muscular, apresentava graduação 5/5 em MMII. Força muscular 3/5 para abdução do braço e 2/5 distalmente para flexão do antebraço e 1/5 para flexão dos dedos à esquerda. No braço direito força muscular 1/5. Reflexos tendinosos profundos preservados e simétricos em MMII e hiporreflexia em MMSS. Diminuição de tônus muscular em MMSS, contudo normais em MMII. Anestesia dolorosa e térmica em MMSS.  Hipoestesia tátil e proprioceptiva em MMSS, pior em MSD. Sem alteração de equilíbrio estático e dinâmico. Reflexo cutâneo plantar indiferente bilateralmente.

Sem achados clinicamente significativo no restante do exame físico.

 

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Exames complementares:

TC de coluna cervical: Alteração de contorno discal em diversos níveis compatíveis com espondilodiscoartrose. Protusões discais em níveis C4-C5,C5-C6, C6-C7, causando compressão medular. Hipodensidade em região central da medula em nível de C4-C7. 

 

DISCUSSÃO

  1. Qual o diagnóstico provável para o caso e seu tratamento?
  2. Qual exame solicitar para esclarecimento do diagnóstico da paciente em questao?

RESPOSTAS

  1. O mais provável diagnóstico para este caso é um quadro de mielorradiculopatia em nível de coluna cervical secundária a espondilodiscoartrose, associado a uma Síndrome Siringomiélica secundária.  A espondilodiscoartrose é um processo degenerativo associado ao envelhecimento que pode ocorrer em qualquer nível da coluna, acometendo os componentes da articulação e originando diminuição do espaço ocupado pela medula no canal vertebral com consequente disfunção raquimedular. O padrão de sintomas pode ser variável de acometimento central ou periférico, dependendo da área de acometimento na medula ou de feixes radiculares. Assim, quadro clínico pode ser diverso, abrangendo paresia, hiporreflexia, hipoestesia, parestesia ou disfunção esfincteriana.  Sintomas geralmente podem surgir de forma insidiosa, contudo, podem surgir alterações mais abruptas relacionadas a pequenos traumas que precipitam a lesão medular. As opções de tratamento para a compressão medular secundária a espondilodiscoartrose incluem imobilização e descompressão cirúrgica.

A síndrome Siringomiélica inclui inicialmente padrão de acometimento prefencial de fibras sensitivas térmicas e dolorosas, indicando topografia mais interna do comprometimento medular. Com o aumento da área afetada, há acometimento das pontas anteriores da substência cinzenta levando frequentemente a atrofia distal dos membros superiores. Além disto, coexistem manifestações leucomielínicas que se referem a alterações na substância branca secundárias a degeneração ou compressão de suas fibras resultando em piramidalismo e síndrome cordonal posterior.

 

O exame de escolha seria RNM cervical, cujo exame pode evidenciar alterações intramedulares e/ou de coluna vertebral com repercussão na medula espinhal para justificar o quadro clínico da paciente. 

 

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