Caso Clínico de Pneumologia - Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

há 2 anos     -     
Caso Clínico de Pneumologia - Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica

História Clínica

Paciente P.B.S., 62 anos, masculino, negro, trabalhador rural, chega ao pronto-atendimento acompanhado da esposa com queixa de dispneia.

HMA: Paciente refere dispneia aos grandes esforços e tosse seca ou com pouca secreção, de cor clara, há alguns anos. Há 7 dias, cursa com piora da dispneia e da tosse, agora com secreção amarelada. Há 1 dia, apresentou febre. Nega internações anteriores pelos sintomas atuais.

AM: Nega alergia e asma na infância. Refere HAS em uso irregular de losartana 50 mg 1x ao dia. Nega DM.

HV: Tabagista há 47 anos de 01 maço/dia. Usa de fogão à lenha desde criança. Refere passado de etilismo social de destilado (“bombinha”), estando abstêmio há 02 anos. Dieta hipossódica, pobre em fibras.

HPS: Acompanhante relata que paciente está mais triste porque não tem o rendimento que tinha antes no trabalho, na roça, pois “cansa” mais rápido. Está também mais fechado desde que tentou parar de fumar, há 02 anos, mas não obteve êxito.

 

Exames Físicos

Regular estado geral, lúcido e orientado em tempo e espaço, corado, anictérico, desidratado. Uso de musculatura acessória na respiração.

PA: 140x90 mmHg

PR: 110 bpm

FR: 28 ipm

Temperatura axilar: 37,4 C

Sat O2 = 85%

 

ACV: Ritmo cardíaco regular, em 2 tempos. Não ausculto sopros.

AR: Presença de tiragem intercostal. Expansibilidade diminuída, FTV aumentado em terço inferior do HTD, timpanismo à percussão. Murmúrios vesiculares difusamente diminuídos, presença de crépitos em terço inferior do HTD.

Abdome: Plano, flácido, indolor, ruídos hidroaéreos presentes, sem visceromegalias.

Extremidades: bem perfundidas. Edema de membros inferiores +/4+

 

Pontos de Discussão

Qual o diagnóstico provável do paciente?

Que exames devem ser solicitados?

Qual a melhor conduta?

 

Discussão

O paciente apresenta quadro de tosse crônica, dispneia, história de tabagismo e de exposição à fumaça de lenha, que são dados sugestivos de DPOC.

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica se caracteriza pela presença de obstrução crônica do fluxo aéreo, que não é totalmente reversível. A obstrução do fluxo aéreo é geralmente progressiva e está associada a uma resposta inflamatória anormal dos pulmões à inalação de partículas ou gases tóxicos, causada primariamente pelo tabagismo. O processo inflamatório é variável em cada indivíduo e pode compreender bronquite crônica, bronquiolite obstrutiva e enfisema pulmonar.

A infecção respiratória constitui a principal causa de agudização em pacientes com DPOC. Muitas vezes, as características típicas de infecção pulmonar, tais como febre, leucocitose e alterações evidentes na radiografia de tórax, não estão presentes e não são imprescindíveis para o início da antibioticoterapia.

O principal exame diagnóstico para o DPOC é a espirometria, devendo ser realizada antes e após administração de broncodilatador, de preferência em fase estável da doença. Pode ser solicitada uma radiografia de tórax (PA e perfil) não para definição da doença, mas para afastar outras doenças pulmonares, como neoplasias.

Para este paciente, está indicada a realização de gasometria arterial, pois a SpO2 é inferior a 90%.

As avaliações eletro e ecocardiográfica estão indicadas nos casos em que há suspeita de hipertensão pulmonar e cor pulmonale. Neste caso, o edema de membros inferiores é um dado sugestivo.

 

Conduta:

Neste caso, o tratamento pode ser feito a nível ambulatorial, pois o paciente possui escore CURB-65 entre 0 e 1.

Oxigênio: Titular oferta de O2 para manter SpO2 entre 90% e 92%

Iniciar antibioticoterapia.

Iniciar uso de beta-2-agonista de curta duração associado a brometo de ipratrópio por via inalatória.

Corticoide: prednisona ou equivalente via oral

Orientações quanto à cessação do tabagismo

 

LABAP - Liga Acadêmica Bahiana de Pneumologia

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