Caso Clínico de Radiologia - Doença renal policística

há 1 ano     -     
Caso Clínico de Radiologia - Doença renal policística

História Clínica

Paciente do gênero feminino, 67 anos, portadora de doença renal crônica (DRC) estágio 5 em diálise, é internada no serviço de nefrologia para tratamento de pielonefrite. É hipertensa, medicada e controlada. Apresenta história de repetidos episódios de sepse com provável foco renal. Ao exame de admissão, apresentava-se hipocorada (2+/4+), com discreta hepatoesplenomegalia e massas palpáveis em topografia de lojas renais. Restante do exame sem alterações.



Avaliação Imaginológica


Imagem 1: Tomografia computadorizada abdominal, corte axial, nível lombar, após a injeção intravenosa de meio de contraste iodado. Rins com dimensões globalmente aumentadas, contornos bosselados, apresentando múltiplas formações contíguas acaptantes de meio de contraste, com conteúdo líquido homogêneo, notando-se mínima presença de parênquima remanescente de permeio (demarcado em vermelho).


Imagem 2: Tomografia computadorizada abdominal e pélvica, reconstrução coronal, após a injeção intravenosa de meio de contraste iodado. Rins com dimensões globalmente aumentadas, contornos bosselados, apresentando múltiplas formações contíguas acaptantes de meio de contraste, conteúdo líquido homogêneo, notando-se mínima presença de parênquima remanescente de permeio (demarcado em vermelho); algumas formações apresentam calcificações parietais; há formações císticas também no parênquima hepático.



Imagem 3: Tomografia computadorizada abdominal, corte axial, nível hepático, após a injeção intravenosa de meio de contraste iodado. Presença de múltiplas formações císticas no parênquima hepático, com limites definidos, conteúdo líquido homogêneo, sem calcificações parietais, acaptantes de meio de contraste (demarcado em vermelho). Presença de calcificações ateromatosas na aorta e em alguns ramos.



Diagnóstico


Os achados à tomografia computadorizada (TC) e a história de pielonefrites de repetição são bastante sugestivos de doença renal policística autossômica dominante, observada como múltiplos cistos nos rins, podendo associar-se a cistos no parênquima hepático.

 

Discussão


Qualquer obstrução ao fluxo de urina pode causar retenção a montante e aumento da pressão intraluminal, o que danificaria o parênquima renal. A manutenção dessa obstrução pode levar à hidronefrose com dilatação dos cálices (que se diferenciam dos cistos por manterem conexão com o sistema calicinal), e à perda progressiva da função renal. Os métodos de exame por imagem mostrariam rins aumentados de tamanho, mas sem a presença de cistos no parênquima.
A Doença Renal Policística Autossômica Dominante (DRPAD) é uma doença geralmente de início tardio e caracterizada pelo desenvolvimento progressivo de cistos renais e alargamento dos rins bilateralmente. Manifesta-se com alterações da função renal,hipertensão, dor lombar e insuficiência renal. Aproximadamente 50% dos pacientes com DRPAD vai ter insuficiência renal crônica (IRC) a partir dos 60 anos. A DRPAD é uma doença sistêmica que pode cursar com cistos em outros órgãos como o fígado (o que pode levar a cirrose), vesículas seminais, pâncreas e aracnoide. Pode também vir acompanhada de anomalias não-císticas como os aneurismas intracranianos, aneurismas da aorta (podendo causar dissecção), prolapso da valva mitral e hérnias da parede abdominal.
Os sintomas nos seres humanos e símios são: hipertensão arterial sistêmica, cansaço, dor lombar de leve a grave intensidade e infecções do trato urinário. A doença leva muitas vezes à insuficiência renal crónica e pode resultar na perda total da função renal, conhecida como Insuficiência Renal Crônica Terminal, que exige alguma forma de terapia renal substitutiva, como a diálise.
No Brasil, a frequência da DRPAD é de 10,3% entre os doentes em tratamento dialítico(1). Atualmente, um único estudo(2) descreveu a baixa prevalência da DRPAD no Brasil entre pacientes em hemodiálise, sendo 9,2 casos por 100.000 habitantes (ou 1:10.912).

 

Referência: http://www.medicina.ufmg.br/imagemdasemana/index.php?caso=187

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