Caso Clínico - Linfoma Não-Hodgkin

há 1 ano     -     
Caso Clínico - Linfoma Não-Hodgkin

Homem de 53 anos, branco, casado, técnico em agropecuária. Apresentava queixas de desconforto abdominal, astenia e linfadenopatia múltipla, perda ponderal de 12 kg em três meses e sudorese noturna. Paciente previamente hipertenso e diabético insulinodependente. O exame inicial evidenciou paciente em bom estado geral, corado, hidratado, anictérico, acianótico, afebril, eupneico, consciente e orientado. Pressão arterial de 150x90 mmHg e frequência cardíaca de 68 bpm. Exame cardíaco e pulmonar apresentavam-se normais. Ao exame de abdome apresentou, esplenomegalia palpável à 10 cm do rebordo costal esquerdo; hepatomegalia palpável à 7 cm do rebordo costal direito. Linfadenopatias palpáveis e visíveis nas cadeias ganglionares cervicais, supraclavicular, axilares e inguinais. O hemograma de entrada era o seguinte: Hb 13,5 g/dL, Leucócitos 50.600/mm³ (Neutrófilos 13%, Linfócitos 81%); plaquetas 175.000/mm³. Nesta avaliação inicial destacava-se ainda ácido úrico 7,3 mg/dL; potássio de 4,8 mEq/L; albumina 3,1 g/dL e glicose de 193 md/dL;DHL338 U/L. As hipóteses diagnósticas eram de leucemia linfocítica crônica e linfoma.

A imunofenotipagem por citometria de fluxo de sangue periférico evidenciou: 75,68% de linfócitos B, CD5, CD19, CD20 (forte), CD22, CD38, CD79b, FMC-7. Sem expressar CD23, CD200, CD10, CD11c, CD103. Sugestivo de linfoma do manto. Na tomografia computadorizada de abdome evidenciou-se hepatoesplenomegalia associada a conglomerados linfonodais em tronco celíaco, paraótico, periaórtico e mesentérico. Sugestivo de linfoma linfoproliferativo. Tomografia computadorizada de tórax: linfonodos aumentados nas cadeias torácicas interna e periesofágica inferior e linfonodos proeminentes nas axilas. Tomografia computadorizada do pescoço: vários pequenos linfonodos distribuídos pelas diversas cadeias linfonodais cervicais até 10 mm. A endoscopia digestiva alta revelou gastrite enantematosa de fundo e corpo moderado com aspecto infiltrativo difuso, além de gastrite erosiva de antro leve. A colonoscopia revelou válvula ileocecal edemaciada associada a nodulações em submucosa em íleo terminal. As biópsias gástrica, duodenal e do cólon confirmaram a suspeita de infiltração por linfoma de células do manto.

A observação otorrinolaringológica não foi realizada. Assim, não foi possível verificar a suspeita de alterações ao nível do anel de Waldeyer, devido a queixa de alteração da sensação olfatória.

Após avaliação da situação descrita,concluímos tratar-se de um caso de linfoma não-Hodgkin de células do manto, estádio IV de Ann Arbor (comprometimento difuso de mais de um sítio extranodal), MIPI (Mantle-cell lymphoma, international prognostic índex) de 6,5 (alto risco); ECOG-performance status de 1 (paciente sintomático, ambulatorial). Paciente realizou 6 ciclos do protocolo nórdico, sem intercorrências e com boa resposta clínica. Encaminhado ao protocolo do transplante autólogo de medula óssea.

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