Caso Clínico- Meningite Tuberculosa

há 1 ano     -     
Caso Clínico- Meningite Tuberculosa

FRS, 19 anos, sexo masculino, natural de São José do Rio Preto – SP e procedente de Johanesburgo – África do Sul.

Relata que há 4 semanas iniciou quadro de tosse e febre, acompanhado de perda de peso, mal estar geral, vômitos e cefaleia de forte intensidade, com dor na nuca. Familiares informam que há 1 dia o mesmo se encontra muito sonolento e nos períodos que se encontra mais desperto, apresenta-se confuso e com visão dupla.

AP: usuário de drogas há 5 anos, etilista, não faz uso de preservativo, calendário vacinal atrasado, família relata que apresentou doenças próprias da infância.

AF: mãe de 50 anos, dislipidêmica; pai de 55 anos, hipertenso.

EFG: MEG, corado, febril (38,5°C), FC 98 bpm, FR 20 ipm, PA 120/80 mmHg. Rigidez de nuca, paralisia do olhar a mirada lateral (paralisia de nervo craniano VI, III e IV), retenção urinária, sinais de Kernig e Brudzinski positivos.

Laboratorial: hemograma com glicose e cloreto diminuídos; proteína aumentada. Líquor xantocrômico com contagem de células de 450/mm³, com predomínio de linfócitos. Pesquisa de BAAR positiva.

RX tórax: sem alteração.

Conduta: Medicamentos para tuberculose, rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol durante 1 ano. *

* Quando criança apresentar tuberculose não pode dar etambutol.

PERGUNTAS RELEVANTES:

1- Qual a fisiopatologia da meningite tuberculosa? 

    A meningite tuberculosa é sempre secundária à infecção tuberculosa de um órgão qualquer. O foco primário se encontra, na maior parte das vezes, nos pulmões, mas pode estar localizado nos gânglios linfáticos, nos ossos, nos seios nasais ou no trato gastrointestinal. O início da sintomatologia meníngea pode ser coincidentes com sinais de disseminação miliar aguda ou pode haver evidência clínica de atividade do foco primário, mas não é raro que a meningite seja a única manifestação de atividade da doença. Tem sido afirmado que a meningite é praticamente sempre secundária à rotura de um tubérculo cerebral nos espaços ventriculares ou subaracnóideos. Contudo, a verificação de tubérculos no sistema nervoso, mesmo por ocasião de autópsias é rara atualmente. O aspecto macroscópico do cérebro de pacientes que faleceram durante a fase aguda da meningite tuberculosa não é muito diferente daquele encontrado em outras formas de meningites. As meninges da face dorso-lateral dos hemisférios cerebrais e da medula aparecem pacificadas, espessadas e de coloração leitosa, o processo, contudo é muito mais intenso na base do cérebro, na região optoquiasmática. Ao exame microscópico, verifica-se que o exsudato das meninges espessadas é constituído principalmente por mononucleares, linfócitos, plasmócitos, macrófagos e fibroblastos, com ocasionais células gigantes.

2- Diferencie meningite viral, meningite bacteriana e meningite tuberculosa. 

A diferenciação de meningite viral, bacteriana e tuberculosa é baseada no tempo de instalação e gravidade do caso. Geralmente, a meningite bacteriana é mais grave, aguda, e com rápida diminuição de consciência. A meningite viral, também aguda, mas a evolução é mais branda, e sua gravidade menor. Enquanto a tuberculosa, tem manifestação subaguda, com os sintomas destacados no caso clínico acima, e demora para abaixamento de consciência.

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