Caso Clínico Oncologia - Liga Acadêmica de Oncologia da UFPel

há 1 ano     -     
Caso Clínico Oncologia - Liga Acadêmica de Oncologia da UFPel

CASO CLÍNICO

 

 Paciente masculino, 52 anos, branco, casado, procedente e residente em Camaquã – RS. Procurou atendimento médico com queixa principal de “má digestão e dor no estômago”. Em seu relato, dizia que há aproximadamente nove meses iniciou quadro de dispepsia e começou a fazer utilização de antiácidos (sonrisal) por conta própria. Associa-se a isto, há seis meses, quadro de plenitude gástrica, mesmo após pequenas refeições, e leve dor epigástrica, sem irradiação, tendo a alimentação como fator de alívio. Há 5 meses a dor se tornou constante, associando quadro de inapetência e perda ponderal de 6kg. Há quatro meses, após perda de mais 4kg e astenia, procurou atendimento médico, sendo internado para realização de exames diagnósticos e adoção de conduta terapêutica. Qual é o provável diagnóstico?

 

 Anamnese: Referia constipação intestinal e fezes endurecidas, vômitos desencadeados pela alimentação e anorexia. Negava hematêmese ou melena. Tinha o pai e uma tia paterna falecidos de câncer e mãe viva e hígida além de três filhos e mulher saudáveis. Condições de moradia regulares em casa de alvenaria e com saneamento básico. Fazia uso de água de poço. Tabagista 36 maços/ano, etilista 0,5L/dia de cachaça por 32 anos.

 

 Exame físico: MEG, emagrecido, fácies de dor, mucosas hipocoradas 3+/4+, anictérico, afebril, desidratado 1+/4+, lúcido. PA: 90x60mmHg. FC: 100bpm. FR: 22mrpm. Tax: 36 C. Peso: 54kg. Altura: 1,70m. Cabeça e pescoço: prótese dentária, sem lesão em mucosas, linfonodos retroauriculáres, submentonianos, cervicais e supraclaviculares não identificados à palpação, fundo de olho sem alterações dignas de nota. Ausculta pulmonar sem alterações, ausculta cardíaca com RR2T com bulhas hiperfonéticas e presença de sopro sistólico 1+/4+. Abdome: plano, doloroso à palpação superficial e profunda de epigástrio, presença de massa de limites imprecisos e consistência pétrea sem mobilidade de aproximadamente 9cm, fígado e baço não palpáveis, sem ascite identificável ao exame físico. Apresentava edema em membros inferiores, com cacifo, 2+/4+.

 

 Exames Laboratoriais: Hb 8mg/dL, Hc: 24%, hipoalbuminemia e presença de sangue oculto nas fezes.

 

 Qual é o diagnóstico mais provável?

Queixa digestiva, perda ponderal e massa epigástrica palpável nos sugere um câncer gástrico. Quando o tumor é palpável, como neste caso, estamos diante de um quadro avançado, pois em suas fases iniciais ele não costuma se apresentar com dados específicos na anamnese ou exame físico. Para diagnóstico precoce, se lança mão de EDA em grupos de risco, como pacientes que já tiveram câncer gástrico, com história familiar de câncer gástrico e dispepsia tratada corretamente sem melhora terapêutica. A EDA permite uma biopsia da lesão para posterior classificação anatomopatológica. Utiliza-se mais comumente a classificação de Borrmann.

            Além disso, também podemos classificar o câncer gástrico em tipo difuso e tipo intestinal. O tipo difuso se localiza distalmente, apresenta ulcerações e é caracterizado por lesões pré-malignas e acomete principalmente homens (2:1) em torno dos 60 anos. Por sua vez, o tipo difuso, tende a ser pouco diferenciado com aspecto ulcerativo ou difusamente infiltrativo, este último, tendo o aspecto de linite plástica, tornando a parede da mucosa gástrica rígida e com perda das pregas. Este acomete pacientes mais jovens (50 anos).

 O câncer gástrico se dissemina por via direta, linfática ou hematogênica, sendo esta última mais evidenciada em casos avançados. A pesquisa de metástases é feita através de RX tórax e US Abdominal, para visualizar pulmões e fígado, maiores sítios de metástases. A ocorrência de disseminação peritoneal é verificada através de laparoscopia

 

No caso acima citado foi realizada uma laparotomia exploradora com gastrectomia total e remoção do grande e pequeno omento e linfadenectomia regional. Após analise anatomopatológica, foi possível classificar o tumor como adenocarcinoma difuso de Lauren , estadiamento  T3N1M0.

 

 

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