DESAFIO | Uma dorzinha de cabeça nada simples

há 4 meses     -     
DESAFIO | Uma dorzinha de cabeça nada simples
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Área do desafio: Neurologia
Apresentação do caso:
Mulher, 42 anos, apresenta-se na UBS do seu bairro junto ao marido. Na consulta, o marido informa que a esposa está afásica há 40 dias e isso aconteceu após queixar-se de cefaléia intensa em região frontal. Nega outras alterações neurológicas associadas. Após o quadro de cefaléia ficou internada em um hospital quando foram feitas duas TCC uma na data da admissão e outra dois dias depois e ambas não demonstraram nenhuma alteração. Na consulta pode-se perceber que a paciente consegue compreender bem o que é dito e consegue se comunicar através da escrita, ela tenta falar, mas só consegue emitir sons confusos. Queixa-se ainda de cefaléia quando tenta falar. Tem história pregressa de depressão pós-parto e diagnóstico de transtorno bipolar.
 Na UBS foi solicitado um ressonância magnética cujo laudo mostrou as seguintes alterações:
Leve ventriculomegalia supratentorial, sem indícios de transudação liquórica transependimária associada, a ser valorizada em contexto clínico adequado.
Muito prováveis pequenos focos esparsos de gliose perivascular na substancia branca de ambos os hemisférios cerebrais, presumivelmente secundários a microangiopatia obstrutiva crônica.
Questões para discussão:
  1. Quais as áreas do encéfalo responsáveis pela fala?
  2. Quais os tipos de afasia?
  3. Há lesões orgânicas nesse caso?
Gabarito:
  1. As áreas do encéfalo responsáveis pela fala são: área associativa pré-frontal, onde se encontra a área de Broca e a área associativa parietoocipital, conhecida como área de wernicke.
  2. As afasias podem ser classificadas em dois tipos:
Afasia de recepção (sensorial, de Wernicke): pacientes incapazes de compreender palavras, símbolos auditivos, visuais ou táteis. Causada por um distúrbio na parte posterior do giro temporal superior do hemisfério dominante para a linguagem.
Afasia de expressão (motora, de broca): a capacidade de produzir palavras é prejudicada, mas a compreensão está preservada. Resulta de um distúrbio na parte dominante frontal esquerda ou frontoparietal.
  1. Não há lesões orgânicas nesse caso. Os achados demonstrados pela ressonância magnética demonstram alterações compatíveis com o envelhecimento e não são indicativas de nenhum processo patológico. Sabendo disso, e tendo como base o histórico da paciente,  é mais provável que o quadro clínico se relacione com o quadro de enxaqueca ou com questões psiquiátricas.
Referências:
MACHADO, Angelo B.M.; HAERTEL, Lúcia Machado. Neuroanatomia funcional. 3.ed. São Paulo: Atheneu, 2006.
GREENBERG, D. A.; AMINOFF M. J.; SIMONS R. P. Neurologia clínica. 5º edição. São Paulo: Artmed, 2005
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CEFALEIA. Exaqueca com aura. Disponível em: https://sbcefaleia.com.br/noticias.php?id=351
 
Autores: Gabriele Ferraz e Nathany Dayrell
 

A Liga Acadêmica de Neurociências (NEUROLIGA), da Faculdade de Medicina da Universidade Federal dos Vales do
Jequitinhonha e Mucuri (FAMED/UFVJM), fundada na cidade de Diamantina, Minas Gerais, no dia 04 de Julho de 2016, é uma entidade civil, apartidária, não religiosa, de duração ilimitada e com caráter multiprofissional, sem fins lucrativos. É formada por acadêmicos matriculados na FAMED/UFVJM e cursando o segundo período ou período posterior, e tem suas atividades sob coordenação e supervisão de um docente da FAMED.

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