Cefalosporinas | Tudo o que você precisa saber

há 4 meses     -     
Cefalosporinas | Tudo o que você precisa saber

 
As cefalosporinas são frequentemente prescritas na prática clínica, elas possuem amplo espectro de ação, são facilmente administradas, possuem baixa toxicidade e, além disso, apresentam perfil farmacocinético favorável. Apesar de apresentarem extensa e diversificada farmacologia suas principais características podem ser descritas de forma sucinta e clara.

Esta classe de antibióticos, assim como a penicilina, pertence ao grupo dos beta-lactâmicos. A presença deste anel é essencial para a atividade antimicrobiana.

As cefalosporinas são frequentemente prescritas para tratar as seguintes doenças: infecções de pele, partes moles, faringite estreptocócica, infecção urinária e profilaxia de várias cirurgias.
Aqui vamos levá-lo pela farmacologia das cefalosporinas, começando pelo mecanismo de ação e classificação e em seguida efeitos adversos.

Mas antes disso, é importante fazer uma breve revisão sobre a parede celular bacteriana, para poder entender melhor o mecanismo de ação das cefalosporinas.

PAREDE CELULAR

A parede celular bacteriana tem muitas funções, as principais são: reter nutrientes, manter o formato característico, ser um sítio receptor, além de ser uma barreira osmótica. Ela é formada por um polímero chamado peptidoglicano, que é composto por N-acetil-glicosamina (NAG), ácido N-acetilmurâmico (NAM) e uma cadeia peptídica.

As bactérias gram-positivas possuem uma parede celular simples, composta por várias camadas de peptidoglicano, já as bactérias gram-negativas possuem uma parede celular mais complexa, formada por lipopolissacarídeos, fosfolipídios, proteínas e uma camada menor de peptidoglicano.

Existem enzimas que são essenciais para a síntese do peptidoglicano. As cefalosporinas se ligam a estas enzimas, inativando-as e impedindo a síntese da parede celular.

Mecanismo de ação
 
Como explicado acima, as cefalosporinas, assim como todos os beta-lactâmicos, exercem ação antimicrobiana ao se ligarem e inativarem uma enzima chamada proteína ligadora de penicilina (PBP penicillinbindingprotein), este processo impede a síntese da parede celular e provoca a lise osmótica da bactéria. Este mecanismo de ação é considerado bactericida, pois provoca a morte da célula.
 
Um ponto importante a ser lembrado é que com o passar do tempo algumas bactérias desenvolveram a capacidade de produzir enzimas capazes de provocar a hidrólise dos medicamentos antes que eles atinjam seu sítio ativo, um exemplo são as beta-lactamases, elas destroem o anel beta-lactâmico dos antibióticos, causando resistência.
 
CLASSIFICAÇÃO

 As cefalosporinas são classificadas em gerações (1°, 2°, 3° e 4°) de acordo com a atividade antimicrobiana.
 
  • Cefalosporinas de primeira geração
Apresentam elevada atividade contra cocos gram-positivos (S. aureus, S. epidermides produtores de beta-lactamase, S. pneumoniae, Streptococcus agalactie e Streptococcus pyogenes) e atividade moderada contra gram-negativos (E.coli , Proteus mirabilis e K. pneumoniae). Não possuem atividade contra H. influenzae, estafilococos resistentes à oxacilina, pneumococos resistentes à penicilina, Enterococcus spp. e anaeróbios. Uma vantagem é que podem ser utilizadas durante a gestação. Os fármacos representantes deste grupo são a  Cefalotina e a Cefazolina ( apresentam boa absorção oral) e Cefalexina e Cefadroxil (são de uso parental).
 
A Cefalotina e a Cefazolina são administradas sob a forma de sal sódico. Devem ser administradas por via endovenosa pois a via intramuscular é muito dolorosa, elas atingem altas concentrações em diversos órgãos, porém não atravessam a barreira hematoencefálica.
 
O Cefadroxil  possui um longo tempo de meia-vida, portanto, pode ser empregado com intervalos maiores entre as doses. A absorção da Cefalexina pode ser prejudicada pela ingestão de alimentos, porém a efetividade não é comprometida.
 
É importante lembrarmos que o uso empírico de cefalosporinas de primeira geração, normalmente não é recomendado.
Esta geração de medicamentos pode ser usada para tratar infecções de pele e partes moles provocadas por  Staphylococcus aureus e Streptococcus pyogenes, como a celulite e a erisipela.  Elas não atravessam a barreira hematoencefálica, portanto, não são recomendadas em infecções do sistema nervoso central. A Cefazolina é o fármaco de escolha para profilaxia de muitas cirurgias, devido a sua baixa toxicidade, espectro de ação (Staphylococcus sensíveis a oxacilina), baixo custo e meia vida prolongada.
 
ATENÇÃO: em casos de resistência às cefalosporinas de primeira geração, ocorre reação cruzada entre os fármacos do grupo. Além disso, os Staphylococcus aureus resistentes à oxacilina (MRSA ou ORSA) também são resistentes as cefalosporinas.
É importante lembrar também que em casos de alergia grave às penicilinas, deve-se evitar o uso de cefalosporinas, devido à similaridade química das classes, que pode provocar reação alérgica cruzada.
 
  • Cefalosporinas de segunda geração: diferenciam-se das cefalosporinas de primeira geração por apresentarem atividade ligeiramente maior contra gram-negativos (H. influenzae, Moraxella catarrhalis, Neisseria meningitidis, Neisseria gonorrhoeae) e por serem muito menos ativas contra gram-positivos. Sua melhor ação em gram-negativos ocorre, pois estas drogas possuem resistência a hidrólise feita pelas cefalosporinases. A Cefoxitina (cefamicina), Cefuroxima, Cefuroxima axetil e Cefaclor são as drogas que compõem esta classe. São ativas contra Staphylococcus sensíveis a oxacilina, Streptococcusdo grupo A, Streptococcuspneumoniae, enterobactérias, Haemophilusinfluenzae e Moraxellacatarrhalis. Além disso, possuem atividade contra bactérias anaeróbias, com exceção da Bacteroides fragilis, que normalmente é responsável por graves infecções do trato gastrointestinal.
As cefalosporinas de segunda geração também não são indicadas para infecções do sistema nervoso, pois não atingem concentrações significativas no líquor.
 
A Cefuroxima é apresentada como um sal sódico, é solúvel em água e tem administração parenteral, podendo ser intramuscular ou endovenosa. Pode ser usada para tratar infecções respiratórias, urinárias, infecções de pele e partes moles e infecções intra-abdominais. A formulação oral é indicada em infeções leves.
 
O Cefaclor é administrado por via oral. É semelhante à cefuroxima, pois apresenta as mesmas indicações clínicas, porém sua absorção é prejudicada pela ingestão de alimentos.
 
A Cefoxitina possui estrutura química similar à da cefalotina, no entanto, pertence à classe das cefamicinas. É administrada preferencialmente por via endovenosa, pois a intramuscular é bastante dolorosa e não ocorre absorção oral. Possui atividade contra anaeróbios do grupo Bacteroides fragilis, sendo utilizada no tratamento de infecções pélvicas e ginecológicas, infecções intra-abdominais, pré-diabético, profilaxia de cirurgias colorretais, entre outras. Contudo, apresenta elevada capacidade de induzir resistência enzimática por bactérias gram-negativas, portanto seu uso é restrito, e utilizado na maioria das vezes para profilaxia cirúrgica.
 
  • Cefalosporinas de terceira geração: Possuem maior atividade contra bacilos gram-negativos, especialmente os produtores de beta-lactamase e mínima cobertura contra gram-positivos. Demonstram atividade moderada contra os S. arureus sensíveis à oxacilina, com exceção da ceftazidima, contudo, somente a ceftazidima apresenta ação contra P. aeruginosa, de modo que é chamada de cefalosporina anti-pseudomonas. Atravessam a barreira hematoencefálica em casos de inflamação das meninges. Este grupo é composto pela Ceftriaxona, cefotaxima e ceftazidima, todas administradas por via parenteral.
 
A Cefotaxima e a Ceftriaxona possuem atividade contra aeróbias gram-negativas e gram-positivas, são as mais ativas contra Streptococcus com resistência intermediária às penicilinas. A ceftriaxona possui meia vida longa, podendo ser administrada em uma ou duas vezes ao dia. Já a Cefotaxima, precisa ser administrada com uma frequência maior, pois possui tempo de meia vida curto. Podem ser usadas para tratar inúmeras infecções por bacilos gram-negativos, entre elas pneumonias, meningites, infecções intra-abdominais, endocardites, infecções do trato urinário, infecções ósteo-articulares e absessos cerebrais.
 
A Ceftriaxona é a droga de escolha para o tratamento empírico da meningite por H. influenzae, S. pneumoniaee N. meningitidis. Também podem ser usadas na terapia da sífilis, em casos de impossibilidade de uso da penicilina e em infecções por Neisseria
gonorrhoeae, por Shiguella spp. e Salmonella. Para tratar a meningite em neonatos, a Cefotaxima é o fármaco de escolha, pois possui ação contra enterobactérias e baixo risco de efeitos adversos.
 
  • Cefalosporinas de quarta geração: são ativas contra amplo espectro de gram-positivas (principalmente: Staphylococcus sensíveis à oxacilina, Streptococcus dos grupos A e B, Streptococcuspneumonia) e gram-negativas, incluindo atividade antipseudomonas. Além disso, são resistentes às beta-lactamases e atingem as meninges durante a inflamação.
 
O Cefepime é o representante deste grupo, ele é inativo contra anaeróbios do grupo Bacteroides fragilis e possui meia vida mais longa que a Ceftazidima, podendo ser administrado duas vezes ao dia. É indicado em infecções hospitalares como: pneumonias, infecções sanguíneas, infecções do trato urinário, da pele e partes moles e meningites. Em pacientes neutropênicos e febris, recomenda-se o Cefepime em doses máximas, três vezes ao dia.
 
  • Outras Cefalosporinas:
 
Ceftobiprole: é uma cefalosporina considerada de quinta geração, que exibe atividade contra microrganismos gram-positivos e gram-negativos. É caracterizada pela atividade contra Staphylococcus aureus resistente à oxacilina (MRSA ou ORSA), Streptococcuspneumoniae e Enterococcusfaecalis (sensível à Ampicilina). Possui administração exclusivamente endovenosa e é usada principalmente para infecções complicadas de pele e partes moles.
 
Ceftaroline: é semelhante ao Ceftobiprole pela atividade anti-MRSA, com espectro para S. pneumoniae e Enterococcusfaecalis (sensível a Ampicilina), porém possui atividade mais restrita contra bactérias gram-negativas. Apresenta os mesmos usos clínicos que o Ceftobiprole e também deve ser administrado por via endovenosa.
 
EFEITOS COLATERAIS DAS CEFALOSPORINAS
As cefalosporinas costumam demonstrar boa tolerância, contudo algumas reações adversas podem ocorrer, são elas: a tromboflebite e a hipersensibilidade.
ATENÇÃO: Reações anafiláticas, eosinofilia e neutropenia raramente ocorrem; em casos de história prévia de hipersensibilidade grave às penicilinas, deve-se evitar o uso de cefalosporinas; apresentam baixa nefrotoxicidade e hepatotoxicidade.
 


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Sou o Farmacêutico Concurseiro da Sanar! No meu blog você vai encontrar tudo sobre concursos, residências e sobre a carreira do farmacêutico no Brasil! Estamos melhorando aos poucos a sua experiência por aqui!

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