"Cidades são estruturas complexas, tanto quanto o cérebro humano"

há 1 ano     -     

"Cidades são estruturas complexas, tanto quanto o cérebro humano"

(Imagem: Rick Moser/Shutterstock.com)

 

O intenso processo de urbanização vem trazendo consigo reflexões sobre a influencia dos espaços na saúde humana, uma vez que, até 2050, a estimativa é que mais de 70% da população esteja vivendo nas grandes cidades. Contudo, poderia a saúde mental também ser afetada por isso?

 

Com o aumento das populações urbanas, o número de distúrbios psíquicos também tem aumentado, sendo a depressão, por exemplo, considerada a doença do século, com previsão de ocupar o segundo lugar nas doenças mais incapacitantes em 2020 segundo dados da OMS.

 

Ainda não existem muitos estudos consistentes que relacionem o planejamento urbano diretamente com suas consequências no cérebro e psique humana, mas fenômenos como a violência, mobilidade urbana, poluição ambiental, visual e sonora e isolamento social pela redução de espaços abertos e de lazer se mostram como importantes fatores estressantes que, aliados com predisposições biológicas e genéticas, contribuem com o desenvolvimento de transtornos mentais.

 

Além disso, esse crescimento desenfreado, redução e padronização dos espaços colabora para uma mecanização do trabalho e reificação dos trabalhadores, transformando o indivíduo em mais um tijolo na construção (https://www.youtube.com/watch?v=P7mHf-UCZp0).

 

Em Porto Alegre, por exemplo, o tempo de deslocamento para o trabalho em 2010 era de 30 min para 55,53% dos porto-alegrenses, 30 e 60 minutos para 34,41% e 60 min ou mais para 10,05%. No quesito violência, a cidade ocupava o 15º lugar no país, com uma taxa de 33,1 óbitos por 100 mil habitantes. Todos esses pontos diretamente relacionados com o estresse e com o planejamento urbano de nossa cidade.

 

Dessa forma, é de extrema importância pararmos para olhar para nossas cidades e vermos, além da arte urbana, como podemos adaptar esses espaços para realmente promover saúde física e mental para nossas populações. Isso só é possível com um trabalho multi/interdisciplinar envolvendo a área da saúde, arquitetura e urbanismo, construção civil e outras.

 

Que a cidade não seja apenas uma obra de arte, mas também um espaço de promoção de saúde e bem estar para ser ocupado por todos e todas!


Referências: 

  • Linnell KJ, Caparos S, de Fockert JW, Davidoff J. Urbanization decreases attentional engagement. J Exp Psychol Hum Percept Perform. 2013 Oct;39(5):1232-47.
  • Trentini, S. Reportagem publicada no site TheCityFix Brasil. Planejamento urbano e acesso ao transporte também afetam a saúde mental. 2016. Disponível em <http://thecityfixbrasil.com/2016/06/17/elementos-do-planejamento-urbano-que-afetam-a-saude-mental-de-quem-vive-nas-cidades/>

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