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Como melhorar suas prescrições médicas? | Colunistas

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Como melhorar suas prescrições médicas? | Colunistas

Como melhorar suas prescrições médicas?


Componente fundamental da interação médico-paciente resolutiva, a prescrição médica sumariza um grande conjunto de conhecimentos e técnicas que adquirimos no decorrer de nossa formação e experiência médica, a fim de garantir a melhor evolução para nosso paciente.

Todos sabemos da importância desse momento, e talvez seja um dos maiores motivadores para o graduando abrir bem os olhos nas aulas de farmacologia e fazer todo tipo de relação mnemônica para tentar absorver efetivamente a vasta quantidade de nomes, funções, interações e contraindicações que os professores despejam sobre a classe. Sendo assim, estão os médicos recém-formados preparados para prescrever de forma a gerar o maior benefício possível ao paciente? A Organização Mundial da Saúde, em seu livro especificamente voltado para a melhora das prescrições médicas, acredita que não.
Mas antes de comentar mais sobre o tal livro, vamos focar nos pontos importantes que envolvem uma boa prescrição médica:


Conhecimento da fisiopatologia da condição
Entender o padrão fisiológico do corpo e as alterações patológicas decorrentes da enfermidade é ponto fundamental de qualquer diagnóstico que precede a prescrição. É inclusive o motivo de ser dito popular: “Médico nunca para de estudar.” Não podemos nos furtar de revisitar as fontes, ainda mais em dias como os nossos em que ferramentas como o PubMed podem nos levar a artigos de revisão atualizados e específicos para quase todo tipo de situação que encontramos na clínica.


Estar atualizado no que se refere a fármacos
Ainda na tecla do conhecimento, é responsabilidade do médico saber mecanismos de funcionamento, interações medicamentosas, efeitos adversos e contraindicações dos medicamentos que prescreve. Isso pode parecer óbvio, mas é bom lembrar que médicos podem ser responsabilizados legalmente caso haja novo conhecimento publicado a respeito de algum fármaco que invalide sua prescrição em certas condições, mas o profissional da saúde ainda assim o receitar. Dizer que não sabia, não vale para nós.

Mas, pelo lado positivo, na nossa sociedade conectada e tão próxima da informação, não podemos agir como no passado. O paciente de hoje quer entender seu tratamento, e certamente prefere ouvir do médico os cuidados a tomar com o fármaco que lhe foi receitado do que ouvir do filho ou amigo que procurou no google a respeito. A adesão ao tratamento também é um fator a levar em conta, já que um paciente bem informado e sem dúvidas tem mais chances de seguir o que lhe foi recomendado pelo profissional de saúde [1]. 

Nessa senda, sempre é válido voltar às últimas edições de livros-texto para relembrar algo, assim como observar guidelines específicos como o Beers Criteria da American Geriatrics Society que ressalta medicamentos não recomendados para uso no tratamento de idosos, atualizado em 2015, mas que já está sendo reformulado para esse ano de 2019 (com base nesse guideline, foi feito um aqui no Brasil também [2]). Existem vários tratados internacionais nessa linha e vale a pena se inteirar a respeito.


Direcionamento à individualidade do paciente
Embora a forma como boa parte dos cursos de medicina é estruturada (assim como livros de farmacologia) seja focada na doença, nossos pacientes variam em idade, sexo, etnia, situações socioambientais e culturais. O olhar do médico, ao prescrever, deve dirigir-se, na medida do possível, à uma medicina personalizada [3].  Haja vista que pacientes carecem de formas diferentes de atenção médica, ainda que portando a mesma enfermidade, prescrever sem levar em conta tais peculiaridades é falho e pode levar a menor taxa de adesão ao tratamento.
Sintetizando

A British Pharmacological Society vê de forma pouco positiva o estado atual de médicos novos e antigos no quesito de prescrição farmacológica. Inclusive propõe um currículo especializado a ser implementado nas universidades como forma de sanar esse problema. Isso mostra que conhecimento dos fundamentos é essencial. Ao mesmo tempo, a Organização Mundial da Saúde disponibiliza um livro [4] inteiro trazendo dicas sobre como se atualizar e aumentar a adesão do paciente. É uma leitura leve, essencial para graduandos e muito recomendada para os médicos em exercício. 
A unanimidade é que queremos o melhor para o paciente sempre. E se o melhor envolve o esforço diário da revisão aliado à atualização, é fácil ver porque nunca iremos parar de estudar.

P.S: A British Pharmacological Society está trabalhando em um simulador para treinamento em prescrições no site oficial. É algo para ficar de olho esse ano.
REFERÊNCIAS

[1] ZOLNIEREK, Kelly B. Haskard; DIMATTEO, M Robin. Physician Communication and Patient Adherence to Treatment. Medical Care, [s.l.], v. 47, n. 8, p.826-834, ago. 2009. Ovid Technologies (Wolters Kluwer Health). http://dx.doi.org/10.1097/mlr.0b013e31819a5acc
[2] OLIVEIRA, Márcio Galvão et al. CONSENSO BRASILEIRO DE MEDICAMENTOS POTENCIALMENTE INAPROPRIADOS PARA IDOSOS. Geriatr Gerontol Aging, Vitória da Conquista (BA), v. 10, n. 4, p.168-181, 21 set. 2016.
[3] VOGENBERG, F. Randy; BARASH, Carol Isaacson; PURSEL, Michael. Personalized Medicine: Part 1: Evolution and Development into Theranostics. 2010. Disponível em: . Acesso em: 5 mar. 2019.
[4] HTTP://APPS.WHO.INT/MEDICINEDOCS/PDF/WHOZIP23E/WHOZIP23E.PDF et al. Guide to Good Prescribing: A practical manual. 1994. Disponível em: . Acesso em: 05 mar. 2019.
@luizpradoliveira
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