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Como se manter motivado durante o Ciclo Básico

há 2018 anos     -     
Como se manter motivado durante o Ciclo Básico

Quem está estudando em uma faculdade que se utiliza de uma grade curricular tradicional de ensino da medicina já deve ter ouvido inúmeras vezes o discurso: “O Ciclo Básico é um período difícil da graduação pelo fato das matérias serem muito complicadas e de pouca aplicabilidade na vida prática”. Isso muitas vezes acaba fazendo com que o estudante, que mal começou o curso, já entre em um nível de desânimo e, inconscientemente, crie uma resistência para o aprendizado do conteúdo. Mas será mesmo que sempre tem que ser assim? Não seria possível aproveitar esse período inicial na medicina de uma maneira mais agradável?

 

Primeiramente, é essencial o estudante perceber que o ciclo básico é importante, sim, para sua formação! Às vezes, o modo como os conteúdos são lecionados realmente não deixa isso tão evidente, mas à medida que vamos amadurecendo percebemos o quanto o conhecimento das ciências básicas ajuda no cotidiano da medicina. Sempre que vamos estudar algum aspecto mais aprofundado sobre fisiopatologia, funcionamento de fármacos, genética, entre outros, quanto melhor o nosso background, mais fácil o nosso aprendizado.

 

Além disso, é muito frequente que médicos queiram se dedicar não apenas à prática clínica-cirúrgica, mas também em pesquisas tanto de ciências básicas puras como em pesquisas translacionais (que têm como objetivo criar soluções concretas para problemas de saúde). Nesses casos, é simplesmente indispensável que o profissional tenha um bom conhecimento não apenas das ciências, mas também acerca de técnicas laboratoriais e noções de bioestatística.

 

Porém, a importância do ciclo básico não se resume somente em servir de sustentação para pesquisas ou para facilitar o aprendizado posterior de alguns conceitos práticos. Por trás do ensino do ciclo básico, há lições que são muito mais profundas e que acompanharão a vida acadêmica e profissional futura do estudante. Um grande exemplo disso é como estudo bem feito das ciências básicas proporciona o desenvolvimento de um raciocínio científico sólido e natural. Esse benefício é de grande valia para o amadurecimento do indivíduo uma vez que, em um âmbito universitário e em uma carreira de ciências aplicadas, sempre será necessário buscar entender o porquê dos acontecimentos e procurar elaborar respostas para questionamentos.

 

Uma vez tendo reconhecido a importância do Ciclo básico na sua formação, o aluno pode se motivar nos estudos vendo a aplicabilidade dos temas abordados. E existem muitas formas para se conseguir essa maior integração dos conteúdos básicos com a futura prática médica - tanto clínica quanto de pesquisa.

 

Uma primeira dica que gostaríamos de trazer, então, é que durante essa fase o aluno tenha curiosidade de procurar uma situação clínica na qual ele possa usar o conteúdo básico. Por exemplo, ao estudar Bioquímica e as muitas vias metabólicas, o aluno pode pesquisar doenças cujos mecanismos tenham relação com a função de determinada enzima. Muitas vezes os professores só citam na aula, mas se você for pesquisar pode aprender muito e gravar com maior facilidade os temas básicos quanto sua utilidade.

 

Em matérias como anatomia, patologia e fisiologia essa busca por aplicabilidade é bem mais fácil, pois são as que mais temos contato após o término do ciclo básico. Por isso, outra dica é aproveitar ao máximo essas matérias, ver as aplicações clínicas e ter uma formação boa e ao mesmo tempo mais agradável.

Sabemos que algumas áreas vão exigir mais em termos de abstração e esforço, porém não se deixe desanimar e tente sempre fazer esse exercício de enxergar a utilidade dos temas aprendidos, pois assim o processo fica mais leve. Além disso, atualmente há inúmeros recursos digitais e audiovisuais que proporcionam uma experiência mais palpável para o estudante como animações de processos fisiológicos com o intuito de demonstrar eventos microscópicos de uma maneira lógica e didática.

 

Outra forma se de vivenciar o conhecimento básico é procurar uma Iniciação científica, ou seja, uma atividade extra em um laboratório ou clínica cujo foco é estudar determinado tema (seja doença, remédio, vias fisiológicas).

 

Numa pesquisa, além de se estudar mais a fundo o processo de produção de conhecimento, método científico, o aluno pode entender e aplicar muito do que é visto no ciclo básico - tanto de técnicas de laboratório quanto dos conteúdos vistos. Muitas vezes em uma aula de Biologia Molecular é difícil de conseguirmos visualizar bem processos celulares, como ativação de genes e como que certas técnicas reproduzem e interagem com esses mecanismos.  Mas à medida que o aluno tem sua prática constante num laboratório, por exemplo, fica mais palpável e fácil de se assimilar o conteúdo das aulas.

 

            Enfim, são muitos os métodos que podem tornar o estudo do ciclo básico mais agradável e para cada pessoa um jeito de estudar diferente vai funcionar melhor. Mas o intuito do texto realmente foi dizer que o Ciclo Básico é muito relevante para a nossa formação médica e que é possível estudar suas matérias sem que isso seja um processo de sofrimento demasiado. Esperamos que a reflexão seja útil para os estudantes que estão iniciando esse período de suas formações agora.

 

Qualquer dúvida, estamos à disposição.

Abraços e bons estudos!

 

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