Demência Vascular causada por Encefalopatia arteriosclerótica subcortical

há 1 ano     -     
 Demência Vascular causada por Encefalopatia arteriosclerótica subcortical

J.C, 74 anos, morador de um Lar de Idosos, vem à consulta com o geriatria acompanhado pelo cuidador. O acompanhante relata que J.C. tem se comportado de forma diferente nos últimos meses. Ele, que costumava reconhecer as pessoas e interagir com os outros idosos, tem se mostrado mais recluso e desconhece alguns funcionários. Além disso, fala repetidamente a mesma coisa.O paciente é diabético de longa data, controlado no momento, hipertenso, Apresenta histórico de doença coronariana arterial e antes de chegar ao abrigo era etilista crônico. O cuidador refere, ainda, que em 2012 J.C. iniciou quadro de crises convulsivas. Posteriormente, J.C. passou a apresentar afasia, Hemianopsia e hemiparesia.

 

Ressonância Magnética mostrando diminuição na densidade da substância branca, dilatação ventricular com leve atrofia cortical e infartos lacunares (Setas).

 

Resposta: Demência Vascular causada por Encefalopatia arteriosclerótica subcortical (Doença de Binswanger)

Critérios diagnósticos do DSM-IV para Demência Vascular

A. Aparição de déficits cognitívos múltiplos, como indicam:

1) Uma alteração da memória (alteração da capacidade para aprender informações novas ou para lembrar informações anteriores)

2) Um ou varios dos distúrbios cognitivos seguintes:

a. Afasia (distúrbio da linguagem)

b. Apraxia (alteração da capacidade de realisar une atividade motora apesar de funções motoras normais)

c. Agnosia (impossibilidade para reconhecer ou identificar objetos apesar de funções sensoriais normais)

d. Distúrbio das funções executivas (fazer projetos, organizar, ordenar no tempo, ter um pensamento abstrato)

B. Os déficits cognitivos dos critérios A1 e A2 são ambos responsáveis por uma alteração significativa do funcionamento social ou profissional e representam um declínio significativo em relação ao nível de funcionamento anterior

C. Evidências de sinais e sintômas neurológicos focais (por ex., reflexos osteotendinosos exacerbados, sinal de Babinski, paralisia pseudobulbar, distúrbios da marcha, fraqueza de uma extremidade), ou então evidências através de exames paraclínicos de doença cerebrovascular (por ex., infartos múltiplos acometendo o córtex e a substância branca sub-cortical), julgada ter ligação etiológica com a demência

D. Os déficits não surgem exclusivamente no decorrer de um delírio 

 

Encefalopatia arteriosclerótica subcortical

A Encefalopatia arteriosclerótica subcortical (Doença de Binswanger) é, provavelmente, uma forma de demência multi-infarto*, com alterações arterioscleróticas induzidas pela hipertensão, em artérias penetrantes medulares longas, induzindo a lesões isquêmicas secundárias, na substância branca periventricular. Em casos mais graves há demielinazação também da substância branca central e infartos múltiplos nos núcleos basais, tálamos, ponte e núcleos relacionados ao cerebelo, mas com envolvimento limitado do córtex.

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