Diabetes: Tudo que você precisa saber

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Diabetes: Tudo que você precisa saber
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Diabetes: Tudo que você precisa saber

O Diabetes Mellitus (DM) inclui um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por hiperglicemia, resultante de defeitos na secreção de insulina e/ou em sua ação (GROSS et al., 2002).

O aumento da prevalência do diabetes está associado a diversos fatores, como: rápida urbanização, transição epidemiológica, transição nutricional, maior frequência de estilo de vida sedentário, maior frequência de excesso de peso, crescimento e envelhecimento populacional e, também, à maior sobrevida dos indivíduos com diabetes (OLIVEIRA et al., 2017).

O diabetes apresenta alta morbi-mortalidade, com perda importante na qualidade de vida. É uma das principais causas de mortalidade, insuficiência renal, amputação de membros inferiores, cegueira e doença cardiovascular. Mundialmente, os custos diretos para o atendimento ao diabetes variam de 2,5% a 15% dos gastos nacionais em saúde, dependendo da prevalência local de diabetes e da complexidade do tratamento disponível (BRASIL, 2006).

Os tipos de diabetes mais frequentes são as do tipo I, também conhecido como diabetes juvenil pelo fato de surgir antes da idade adulta, do tipo II, gestacional e secundária a outras doenças, porém a característica em comum entre todos os tipos é a manutenção da glicemia em níveis acima dos valores considerados normais.

Todos os indivíduos diabéticos do tipo 1 têm que usar insulina como base do tratamento, pois a fisiopatologia da doença decorre da destruição das células beta pancreáticas, produtoras de insulina, já nos indivíduos diabéticos do tipo 2, considera-se que cerca de 25% dos casos requerem utilização de insulina, pois, à medida que a doença progride, ocorre uma perda funcional das células produtoras de insulina e, necessariamente, o paciente deverá ser insulinizado (SÃO PAULO, 2011).

Tabela 1: Fatores de risco para o diabetes mellitus.
Idade acima de 45 anos;
Obesidade (>120% peso ideal ou índice de massa corporal Ž 25kg/m2);
História familiar de diabetes em parentes de 1° grau;
Diabetes gestacional ou macrossomia prévia;
Hipertensão arterial sistêmica;
HDL-colesterol abaixo de 35mg/dl e/ou triglicerídeos acima de 250mg/dl;
Alterações prévias da regulação da glicose;
Indivíduos membros de populações de risco (afro-americanos, hispano-americanos e outras).
Fonte: GROSS et al., 2002

Neste artigo você poderá aprender melhor sobre a diabete mellitus e a farmacoterapia empregada no seu tratamento, conhecendo as diversas opções e características como mecanismo de ação, efeitos colaterais, interações medicamentosas e farmacocinética. Mas antes vamos revisar os tipos de Diabetes e os aspectos clínicos mais relevantes.
 

Classificação etiológica

  • Diabete Mellitus Tipo 1
O DM1 é um distúrbio catabólico em que a insulina está ausente, o glucagon está elevado e as células beta pancreáticas falham em responder a estímulos insulinogênicos. A insulina exógena é necessária para reverter o estado catabólico, prevenir cetose, reduzir a hiperglucagonemia e a glicose sanguínea. DMl designa uma doença autoimune e portanto implica a caracterização da presença de anticorpos (SILVA, 2010).
  • Diabete Mellitus Tipo 2
O DM2 corresponde a mais de 90% dos casos. Ele é influenciado por fatores genéticos, idade, obesidade e resistência periférica à insulina, em vez de processos autoimunes. As alterações metabólicas são em geral mais leves do que as observadas no DM1 (WHALEN et al., 2016).

Tabela 2: Critérios laboratoriais para diagnóstico de DM adotados pela SBD
  Glicose em jejum (mg/dL) Glicose 2h pós 75g de glicose (mg/dL) Glicose ao acaso HbA1c (%)
Normoglicemia < 100 < 140 - < 5,7
Pré-diabetes ou risco aumentado para DM ≥ 100 e < 126 ≥ 140 e < 200 - ≥ 5,7 e < 6,5
Diabetes estabelecido ≥ 126 ≥ 200 ≥ 200 com sintomas inequívocos de hiperglicemia ≥ 6,5
Fonte: Adaptado de Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2017-2018

Tratamento

 
O DM é uma doença crônica incurável, porém tratável. Quando se trata do DM2 é possível haver inicialmente uma mudança de hábitos alimentares atrelada a prática de exercícios físicos regulares, sempre com acompanhamento de profissionais capacitados, e caso essas medidas não sejam suficientes para o controle dos níveis de glicose no sangue torna-se indispensável a introdução de medicamentos hipoglicemiantes orais, tendo como primeira escolha a metformina.

No Caso da DM1, por ser uma disfunção autoimune, é necessária a rápida introdução de tratamento medicamentoso atrelado a mudanças no hábito de vida e acompanhamento multidisciplinar.
 

Farmacoterapia

 
  • Insulinoterapia
A insulina é constituída de duas cadeias peptídicas A e B unidas por duas pontes de dissulfeto, é membro da família de peptídios que incluem os fatores de crescimento insulina-símiles (IGFs) (SILVA, 2010).

A insulina exógena é administrada para substituir a falta de secreção de insulina no DM1 ou para suplementar a secreção insuficiente de insulina no DM2 (WHALEN et al., 2016).

As insulinas diferem em início e duração de ação (ultrarrápida, rápida, intermediária e lenta), espécie de origem (humana, suína, bovina, ou mistura bovina/suína) e pureza. Com relação à concentração, a mais usada atualmente é a de I00 U (I 00 U/mL) (SILVA, 2010).

Na prática, a reposição insulínica é feita com uma insulina basal (cuja função é evitar a lipólise e a liberação hepática de glicose no período interalimentar), uma insulina durante as refeições (bolus de refeição) e doses de insulina necessárias para corrigir hiperglicemias pré-prandiais ou de período interalimentar (bolus de correção) (OLIVEIRA et al, 2017).

Como a insulina é um polipeptídeo, ela é degradada no trato gastrintestinal (TGI) se for administrada por via oral. Portanto, em geral, ela é administrada por injeções subcutâneas (SC). Sua meia-vida é de 5-6 minutos em indivíduos normais ou diabéticos não complicados. A maior parte da insulina circula livremente; só uma pequena fração da insulina endógena ou exógena se prende à globulina (SILVA, 2010; WHALEN et al., 2016).

Reações adversas

 
Hipoglicemia é a reação adversa mais comum e grave à insulina, outras reações adversas incluem aumento de massa corporal, reações no local da injeção e lipodistrofia. A lipodistrofia pode ser minimizada por rotação do local de aplicação. Os diabéticos com insuficiência renal podem precisar de redução da dose de insulina (WHALEN et al., 2016).

Antidiabéticos Orais

 

Sulfoniureias

Esses fármacos são classificados como secretagogos de insulina, pois promovem a liberação de insulina das células β do pâncreas, como exemplo temos glibenclamida, glipizida e glimepirida (WHALEN et al., 2016).

Estimulam a produção endógena de insulina pelas células beta do pâncreas, com duração de ação de média a prolongada (8 a 24 horas). É a droga de escolha para os indivíduos não obesos (IMC < 25kg/m2).

Possuem um radical sulfona ligado a um grupo ureia. Diferentes sulfonilureias possuem diferentes radicais Rl e R2 com potência hipoglicemiante oral variável. A absorção das sulfonilureias é razoavelmente rápida e completa.

São ácidos fortes e circulam ligados às proteínas plasmáticas (70-90%, principalmente a albumina). São metabolizadas no fígado para compostos inativos   (SILVA, 2010).

Efeitos colaterais mais comuns são a hipoglicemia, geralmente leve e auto limitada. Deve ser identificada pelo paciente e corrigida com ingestão de alimento (SÃO PAULO, 2011).

Biguanida

A metformina é medicamento representante da classe das biguanidas, é o fármaco de primeira escolha para tratamento do diabetes mellitus tipo 2. A redução da glicemia provocada pela metformina se deve especialmente à diminuição da produção hepática de glicose.

A metformina é administrada na forma de comprimidos de 500mg, 850mg e 1g por via oral, sendo lenta e incompletamente absorvida no trato gastrointestinal com dose diária usual de 2 gramas e dose máxima de 3 gramas/dia (SWEETMAN, 2002).
O efeito colateral mais sério é a acidose lática, que tem incidência variando de 0,01 a 1,067 casos por 1.000 pacientes/ano de terapia. Outros efeitos colaterais são mais comuns, como: náusea, anorexia, diarreia e vômitos, que usualmente são passageiros e requerem suspensão do tratamento em apenas 10% dos pacientes. Para minimizar os efeitos gastrointestinais, deve-se iniciar com doses menores e aumentar progressivamente, conforme a tolerabilidade do paciente, ademais a apresentação de liberação prolongada (extended release, XR) causa menor incidência de efeitos gastrinestinais (OLIVEIRA et al, 2017; SILVA, 2010).

 A metformina não é metabolizada, circulando em forma livre. A fração ligada a proteínas plasmáticas pode ser considerada como insignificante (NOLTE; KARAN, 2006). É excretada por via urinária inalterada de forma muito rápida pelos rins.

Glinida

Essa classe de fármacos inclui a repaglinida e a nateglinida. As glinidas são consideradas também secretagogas de insulina.
Como as sulfonilureias, as glinidas estimulam a secreção de insulina. Elas se fixam em local diferente na célula β, fechando canais de K+ sensíveis a ATP, iniciando uma série de reações que resultam na liberação de insulina.

Fármacos que inibem a CYP3A4, como itraconazol, fluconazol, eritromicina e claritromicina, podem aumentar o efeito hipoglicemiante da repaglinida, já aqueles que induzem a CYP3A4, como barbitúricos, carbamazepina e rifampicina, podem ter efeito oposto (WHALEN et al., 2016).

Tiazolidinadiona (Glitazona)

Esta classe de agentes engloba três compostos: troglitazona, rosiglitazona, e pioglitazona. Atuam aumentando a sensibilidade à ação da insulina no tecido muscular, hepático e adiposo, desta forma, favorecem o consumo de glicose pelos tecidos periféricos (muscular e adiposo) e diminuem a produção hepática de glicose (SÃO PAULO, 2011).

São mais bem toleradas do que a metformina, mas podem levar a aumento de peso e retenção hídrica, sendo esses seus efeitos colaterais mais comuns (SILVA, 2010).

Inibidor da α-glicosidase

A acarbose é o fármaco representante da classe, e seu mecanismo se dá através do retardo da digestão e absorção dos carboidratos no intestino delgado, desse modo, reduz o aumento na concentração sérica da glicose provocado pela refeição (SÃO PAULO, 2011).

Os efeitos adversos são predominantemente gastrointestinais (flatulência, meteorismo e eventualmente diarreia), e controlados com ajuste da dose e dieta (SILVA, 2010).   

Referências

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Diabetes Mellitus / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. 64 p., Brasília : Ministério da Saúde, 2006.
GROSS, J. L. et al. Diabetes Melito: Diagnóstico, Classificação
e Avaliação do Controle Glicêmico. Arq Bras Endocrinol Metab, v. 46, n. 1l, fev., 2002.
NOLTE, M. S; KARAN, J. H. E. Farmacologia básica e clínica. 9. ed., Rio deJaneiro: Guanabara Koogan, 2006.
OLIVEIRA, J. E. P. (Org.) et al. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2017-2018. São Paulo: Editora Clannad, 2017.
SÃO PAULO (ESTADO). SECRETARIA DA SAÚDE. Manual de Orientação Clínica: diabete mellitus. São Paulo: SES/SP, 2011. 46p.
SILVA, P. Farmacologia. 8. ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.
SWEETMAN, S. Martindale: The Complete Drug Reference. 33. ed. London: Pharmaceutical Press, 2002.
Whalen, K.; Finkel, R.; Panavelil, T. A. Farmacologia ilustrada. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.
 
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Sou o Farmacêutico Concurseiro da Sanar! No meu blog você vai encontrar tudo sobre concursos, residências e sobre a carreira do farmacêutico no Brasil! Estamos melhorando aos poucos a sua experiência por aqui!

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