Diagnóstico de fibromialgia: deixando de lado os tender points

há 1 ano     -     
Diagnóstico de fibromialgia: deixando de lado os tender points

Fibromialgia é uma síndrome dolorosa crônica não inflamatória, caracterizada por dores musculoesqueléticas generalizadas. Nessa doença, há pontos dolorosos específicos conhecidos como tender points (são descritos 18 tender points na literatura). Clinicamente, além da dor generalizada, há outros sintomas apresentados pelos pacientes, como sono não restaurador, fadiga, comprometimento da memória e rigidez articular. A causa da fibromialgia, apesar de não ter sido totalmente elucidada, está relacionada à sensibilização central, que gera redução do limiar para percepção da dor.

A fibromialgia tem prevalência em 2% da população mundial, sendo mais comum entre 35 e 60 anos de idade, predominantemente em mulheres.

A partir de 1990, passou-se a utilizar os tender points como um dos critérios de diagnóstico da fibromialgia, sendo estes empregados pelo Colégio Americano de Reumatologia (American College of Rheumatology - ACR). Entretanto, em 2010, o ACR lançou os Critérios Preliminares de Diagnóstico da Fibromialgia. Este documento estabeleceu critérios adicionais para seu diagnóstico, utilizando o Índice de Dor Generalizada (IDG) e a Escala de Gravidade de Sintomas (EGS). Foram criados para o uso, também, em nível primário e não exigem o exame físico dos tender points (devido à constatação do pouco uso na prática médica). São considerados complementares aos critérios de 1990, pois ainda necessitam de validação na prática diária. Alguns estudos sobre validação já vêm sendo publicados em diversos países.

O IDG é calculado pela soma de números de regiões dolorosas referidas pelo paciente. Sua pontuação está entre 0 e 19. As regiões são:

Índice de Dor Generalizada (0 – 19)

Cervical

Tórax

Abdome

Dorso

Lombar

Mandíbula D

Mandíbula E

Ombro D

Ombro E

Braço D

Braço E

Antebraço D

Antebraço E

Quadril D

Quadril E

Coxa D

Coxa E

Perna D

Perna E

 

 

O EGS pontua, de 0 a 3, a intensidade dos sintomas apresentados, nos últimos sete dias.

Escala de Gravidade dos Sintomas

 

0

1

2

3

Fadiga

(Cansaço ao realizar atividades)

 

 

 

 

Sono não reparador

(Acorda cansado)

 

 

 

 

Sintomas cognitivos

(Dificuldade de memória, concentração, etc.)

 

 

 

 

Sintomas somáticos

(Dores: abdominal, de cabeça, muscular, nas articulações, etc.)

 

 

 

 

 

 

Diagnóstico:

Quando alcançadas as três condições seguintes:

  1. Pontuação:

 

  1.  
  1.  
  1.  

≥ 7

≥ 5

  1.  
  1.  

Entre 3 e 6

≥ 9

 

  1. Sintomas presentes há pelo menos 3 meses;
  2. Não ter outra doença que explique as dores.

A partir do diagnóstico, o paciente deverá ser orientado sobre sua condição e prognóstico, assim como receber o tratamento para as dores. O manejo deste paciente será tema de outra publicação específica.

 

Bibliografia:

  • Martinez JE, Martinez LC. Revisitando a fibromialgia: o desafio diagnóstico continua. Rev.Fac.Ciênc.Méd.Sorocaba 2010;12(4):6-9.
  • Wolfe F, Clauw DJ, Fitzcharles M, Goldenberg DL, Katz RS, Mease P et al. The American College of Rheumatology Preliminary Diagnostic Criteria for Fibromyalgia and Measurement of Symptom Severity. Arthritis Care Res. 2010; 62(5):600-10.
  • Dias DN, et al. Prevalência de fibromialgia em pacientes acompanhados no ambulatório de cirurgia bariátrica do Hospital de Clínicas do Paraná - Curitiba. Rev Bras Reumatol. 2017.
  • American College of Rheumatology - www.rheumatology.org

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