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O sucesso do Trabalho em Equipe na Medicina

há 2 meses     -     
O sucesso do Trabalho em Equipe na Medicina

VOCÊ SABE TRABALHAR EM EQUIPE?

Entenda quais benefícios e como ser um profissional ainda melhor com isso!
 
De que a medicina é uma área de aprendizado constante isso ninguém duvida e, desde a graduação até o exercício profissional, a atuação em equipe é necessária. Porém, por mais sociais que sejamos como humanos, a construção de equipes coesas e ambientes psicologicamente saudáveis pode ser um desafio.
 
É possível encontrar artigos que definem trabalho em equipe como uma modalidade de trabalho coletivo que é construído por meio da relação recíproca, de dupla mão, entre as múltiplas intervenções técnicas e a interação dos profissionais de diferentes áreas, configurando, através da comunicação, a articulação das ações e a cooperação¹.
 
Também estabelece que trabalho em equipe que não configura um modelo estático, mas a dinâmica entre trabalho e interação que prevalece em um dado momento do movimento contínuo da equipe: equipe integração e equipe agrupamento. No primeiro tipo ocorre a articulação das ações e a interação dos agentes; no segundo, observa-se a justaposição das ações e o mero agrupamento dos profissionais.
 
A tendência para um desses tipos de equipe pode ser analisada pelos seguintes critérios: qualidade da comunicação entre os integrantes da equipe, especificidades dos trabalhos especializados, questionamento da desigual valoração social dos diferentes trabalhos, flexibilização da divisão do trabalho, autonomia profissional de caráter interdependente e construção de um projeto assistencial comum¹,².
 
             Você já ouviu falar do Projeto Aristóteles, pesquisa realizada pelas equipes do Google a fim de identificar padrões em equipes de sucesso (e de fracasso)? Esse projeto, dentre várias discussões interessantes, aponta que todo grupo tem o que se chama “cultura da equipe”, que nada mais é que um conjunto de normas subjetivas que definem os comportamentos corriqueiros dos integrantes.
 
            Os grupos “de sucesso” apontam que há interesse coletivo pelas opiniões pessoais, objetivos claros e confiança que o trabalho desenvolvido é importante e apoio mútuo. Os grupos “de mau funcionamento” apresentam no mínimo uma pessoa com certo descontrole emocional que tende a assumir um papel de líder; esses grupos têm suas normas informais incutidas da perda do hábito de discutir problemas e o “líder” tenta controlar as ações do todo.
 
            Fazendo um link com outro estudo dos pesquisadores, eis que a sistematização dessas informações fica ainda mais interessante. Em outro estudo dos pesquisadores, busca-se relacionar a tendência a erros médicos de acordo com a cultura da equipe dos grupos de atuação. Se você acredita que seu talento ou estudo te afastam desses temidos incidentes, saiba que as normas internas para as quais você contribui com a criação através de atitudes diárias são tanto ou mais importantes. Como assim?
 
            Ambos os estudos citados chegaram a uma conclusão em comum: o aspecto chave do bom funcionamento de equipes está no que foi nominado Segurança Psicológica. A Segurança Psicológica consiste na confiança nos demais membros da equipe, não apenas no que tange competência, mas principalmente empatia.
 
Assim, do estudo sobre a frequência de erros médicos desvendou-se que o fator mais importante para que as equipes falhassem menos era a confiança de que em caso de falha, mesmo no meio de uma cirurgia, um membro poderia assumir seus erros sem medo dos demais, que depositariam sua energia em condutas para administrar soluções e não em julgamentos... Segurança psicológica!
 
E você? Sente segurança nas equipes que costuma participar? Acredita que eventualmente a concorrência estabelecida no meio acadêmico dificultam o estabelecimento de “equipes sucesso” na graduação? E no meio profissional, em que o médico de praxe é líder da equipe multiprofissional, você costuma ver comportamentos que favorecem o a segurança psicológica ou o fracasso?
 
  1. CAMPOS, G. S. W. Subjetividade e administração de pessoal: considerações sobre modos de gerenciar trabalho em equipe de saúde. In: ONOKO, R. & MERHY, E. E. (Orgs.) Agir em Saúde: um desafio para o público. São Paulo/Buenos Aires: Hucitec/Lugar Editoral; 1997
  2. PEDUZZI, M. Equipe Multiprofissional de Saúde: a interface entre trabalho e interação. Dissertação de Mestrado, Campinas: Faculdades de Ciências Médicas da Unicamp


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