Doença Arterial Obstrutiva Periférica

há 1 ano     -     
Doença Arterial Obstrutiva Periférica

A Doença Arterial Obstrutiva Periférica é uma afecção causada pela obstrução, endurecimento ou estenose de artérias na periferia. Pode ocorrer em membros superiores ou inferiores, entretanto é bem mais comum nos membros inferiores.

A causa mais comum desta doença é a aterosclerose (85%), fenômeno em que ocorre o acúmulo de placas de ateroma (gordura, proteínas, cálcio e células da inflamação) na parede dos vasos sanguíneos, sendo estas que causam os estreitamentos, endurecimentos e obstruções, levando a dificuldade da progressão do sangue, oxigênio e nutrientes para os tecidos dos membros como músculos, nervos, ossos e pele. Contudo, pode ocorrer por vasculites ou aneurismas arteriais.

Apresenta uma prevalência de 10 a 25% na população acima de 55 anos, sendo que aumenta com a idade.  Cerca de 70 a 80% dos pacientes acometidos são assintomáticos, ou seja, não apresentam qualquer queixa ligada a doença. Principalmente devido o processo de formação das doenças ser lento e gradual, permitindo a formação de rede sanguínea colateral, garantindo a viabilidade dos tecidos mais distais. Porém muitos exibem marcha lenta ou deficiente. Sendo o sintoma mais comum a Claudicação Intermitente, definida como dor, incomodo, cãibra, dormência ou sensação de fadiga muscular, e que ocorre durante o exercício, sendo aliviada com o repouso.

Outros sintomas ocorrem principalmente ao déficit sanguíneo dos tecidos, principalmente em repouso, no qual os pacientes se queixam de dor, sensação de frio ou dormência nos pés ou dedos. Geralmente esses sintomas ocorrem no período da noite, quando as pernas estão na horizontal. Achados físicos importantes consistem em diminuição ou ausência de pulsos distais à obstrução, e em casos mais graves espessamento das unhas, queda de pelos, diminuição da temperatura cutânea, podendo ocorrer ulceras ou gangrenas.

Os fatores de risco estão intimamente associados à formação da placa aterosclerótica. O diabetes melito, assim como a HAS, o tabagismo e a hiperlipidemia, estão relacionados principalmente a lesão no endotélio vascular, que propiciam a formação da placa. A idade avançada está relacionada à cronicidade da formação das placas ateroscleróticas, assim como na  presença das doenças associadas, como hipertensão e diabetes. Já os estados de hipercoagulabilidade, estão associados a formação espontânea de trombos ou êmbolos dentro do sistema arterial, que podem estão relacionados ou não a deficiência de fatores de anticoagulação.

A realização do diagnóstico da DAOP baseia-se principalmente na anamnese e no exame físico. Na anamnese é importante buscar associação do paciente aos fatores de risco típicos da afecção. A suspeita da doença deve ter início a partir do sexo e da idade do paciente. Em seguida, observamos a presença ou não dos demais fatores de risco já citados anteriormente. Além disso, é importante pesquisar se há relatos familiares de casos de AVC, infarto ou mesmo da própria DAOP, nos demais membros da família (principalmente pais ou irmãos), no intuito de descartar causas genéticas.

No exame físico, podemos observar através da inspeção do membro acometido uma pele fina, seca e descamativa, com presença de rachaduras e calosidades; unhas quebradiças e rarefação de pelos; palidez; presença ou não de úlceras; necroses ou gangrenas. Na palpação: presença de extremidades com temperatura diminuída em relação com a temperatura corporal ou a temperatura da região proximal; pulsos arteriais diminuídos ou ausentes; presença de frêmitos. Além de fazer o teste de enchimento capilar. Na ausculta: Sopro sistólico na região onde existe frêmito, característico de estenose. Realizar também a ausculta das artérias femorais.

Os exames complementares são ferramentas que auxiliam a realização do diagnostico conclusivo, sendo a partir deles possível saber o exato local da obstrução arterial, as complicações decorrentes da obstrução, e até o prognostico do paciente. Os principais exames realizados são o ITB(índice Tornozelo-Braquial), Ecografia- Doppler, arteriografia e a oximetria percutânea.

O tratamento tem como objetivo aliviar os sintomas, reduzir a progressão, induzir a regressão e a prevenção das complicações cardiovasculares secundarias.

O tratamento clínico está relacionado ao controle da hipertensão(evitar tratamentos anti-hipertensivo muito vigoroso, em particular o uso de beta bloqueadores), a redução do colesterol, ao uso de antiagregantes plaquetários(Ticlopina ou Clopidogrel, além de aspirina oral para todos os pacientes), a realização de atividades físicas, a parada do consumo do tabaco e ao pacientes diabéticos devem ser seguidos pelos médicos , e quando possível, por equipe multidisciplinar na prevenção e tratamento do pé diabético.

Já o tratamento cirúrgico está mais relacionado a desobstrução do fluxo sanguínea arterial. A revascularização de um membro isquêmico pode ser feita tanto pelo método convencional quanto pelo método endovascular. No tratamento cirúrgico convencional se encontram a endarterectomia, onde se faz a abertura da artéria, fazendo a ressecção das placas de ateroma e trombos antigos. Já no tratamento endovascular a dilatação endoluminal tem se mantido útil. Sua técnica consiste na cateterização de uma artéria estenosada, na qual se insufla um balão na área obstruída, permitindo um remodelamento da artéria até um diâmetro satisfatório.

 

Referencias:

PINTO, Daniel Mendes; MANDIL, Ari. Claudicação intermitente: do tratamento clínico ao intervencionista. Rev. Bras. Cardiol. Inv, v. 13, n. 4, p. 261-9, 2005.

NETO, Silvestre Savino; DO NASCIMENTO, José Luis Martins. Doença arterial obstrutiva periférica: novas perspectivas de fatores de risco. Revista Paraense de Medicina, v. 21, n. 2, p. 35-39, 2007.

DOENÇA, IMPACTO DA. Doença arterial obstrutiva periférica no paciente diabético: avaliação e conduta.

Sociedade Brasileira de Angiocirurgia e Cirurgia Vascular-SBACV. DOENÇA ARTERIAL PERIFÉRICA OBSTRUTIVA DE MEMBROS INFERIORES DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

 

Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital Universitário Walter Cândido da Universidade Federal do Ceara-Doença Arterial Obstrutiva Periférica

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