ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO

há 1 mês     -     
ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO

O acidente vascular encefálico (AVE) é caracterizado por um distúrbio neurológico focal, ou às vezes global, com duração superior a 24 horas, e desenvolvimento rápido dos sintomas. Podem ser classificados como isquêmicos ou hemorrágicos, sendo isquêmico quando causado por uma interrupção do fluxo de sangue para o encéfalo devido à obstrução de uma artéria ou hemorrágico na vigência de ruptura de vasos sanguíneos, sendo considerado a doença vascular que mais acomete o sistema nervoso central (SNC).
Os défices apresentados após o acidente incluem deficiência nas funções motoras, sensitivas, mentais, perceptivas e da linguagem, dependendo da localização da artéria acometida, da extensão da lesão e da disponibilidade de fluxo colateral. Os sintomas neurológicos podem refletir a localização e o tamanho do AVE, porém não os diferem claramente quanto a sua etiologia.
A hemorragia intraparenquimatosa cerebral é o subtipo de AVE hemorrágico de pior prognóstico, com até 50% de mortalidade nos primeiros 30 dias após o evento.
Diante da gravidade do AVC e sua incidência em território nacional em 2012 o Ministério da Saúde através da portaria nº 664 de 12 de abril de 2012 cria a Linha de Cuidados em AVC na Rede de Atenção às Urgências e Emergências. Esta portaria aprova Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Trombólise no Acidente Vascular Cerebral Isquêmico Agudo.
 
QUAIS SÃO OS SINAIS DE ALERTA PARA AVE?
 
Os sinais e sintomas dependem do território vascular envolvido, localização e tamanho da lesão envolvida.
 
1. Cefaleia de início súbito, sobretudo se acompanhada de vômitos;
2. Fraqueza ou dormência na face, nos braços ou nas pernas, geralmente afetando um dos lados do corpo;
3. Hemiparesia ou paralisia;
4. Disartria ou Dislalia;
5. Perda da visão ou dificuldade para enxergar com um ou ambos os olhos.
            No acidente vascular isquêmico o paciente pode apresentar: tontura, perda de equilíbrio ou de coordenação.
Os ataques isquêmicos podem manifestar-se também com alterações na memória e na capacidade de planejar as atividades diárias, bem como a negligência. Neste caso, o paciente ignora objetos colocados no lado afetado, tendendo a desviar a atenção visual e auditiva para o lado normal, em detrimento do afetado.
Aos sintomas do acidente vascular hemorrágico intracerebral pode-se acrescer náuseas, vômitos, confusão mental e perda de consciência. O acidente vascular hemorrágico, por sua vez, comumente é acompanhado por sonolência, alterações nos batimentos cardíacos e na frequência respiratória e, eventualmente, convulsões.
 
 
E OS FATORES DE RISCO, QUAIS SÃO?
 
Hipertensão, diabetes, tabagismo, consumo frequente de álcool e drogas, estresse, colesterol elevado, doenças cardiovasculares, sobretudo as que produzem arritmias, sedentarismo, hipercoagulabilidade, idade superior a 55 anos, e história familiar de AVE.
 
COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO?
Sinais clínicos e sintomas associados a exame de imagem: Tomografia computadorizada de crânio (TC) ou Ressonância magnética de crânio (RMN).
Exames complementares: Hemograma, plaquetas, TP (tempo de protrombina) e TTPa (tempo de tromboplastina parcial ativada), fibrinogênio, enzimas cardíacas, glicemia, função renal e eletrólitos.
 
O ATENDIMENTO RÁPIDO E EFICAZ FAZ DIFERENÇA?
O tempo é fator determinante da conduta, tratamento e prognóstico do paciente. Estima-se que 2 milhões de neurônios morrão por minuto em pacientes com AVE. No atendimento pré-hospitalar deve-se direcionar o paciente para o hospital o mais rápido possível, priorizando os pacientes potenciais candidatos à terapia trombolítica.
Na emergência, ao passar pelo acolhimento e classificação de risco o paciente deve ser submetido ao protocolo FAST (Face, Arm, Speech and Time): “Estenda os braços, sorria e fale a frase o céu é azul”, e o profissional deve investigar o tempo de início dos sintomas.
 
COMO É FEITO O TRATAMENTO?
O tratamento do AVE Isquêmico pode ser realizado através da trombólise. Os objetivos da terapia trombolítica são: limitar a progressão da oclusão tromboembólica, reperfundir o tecido e evitar recorrência do AVEi. Janela terapêutica: Até 4,5 horas do início dos sintomas. É necessário tratar a PAS > 180 mmHg e PAD > 110 mmHg antes de iniciar a trombólise. Manter PA sistólica <185 mmHg ou PA diastólica <110 mmHg nas primeiras 24horas pós trombólise. O principal evento adverso associado é a hemorragia intracraniana.
Já no AVE Hemorrágico o tratamento é cirúrgico, através da evacuação do hematoma (craniotomia). É indicado quando há deterioração neurológica ou presença de sinais de compressão de tronco cerebral ou hidrocefalia sintomática.

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