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Escovas de dente podem ser vetores de bactérias

há 2 anos     -     
Escovas de dente podem ser vetores de bactérias

Item indispensável da higiene diária, a escova de dente também inspira cuidados. Segundo especialistas, logo no primeiro uso, a escova, útil para desorganizar a placa bacteriana, já é contaminada com essas mesmas bactérias da flora bucal.

Ninguém precisa descartar uma escova praticamente nova por causa disso, mas é importante conservá-la para que ela não traga bactérias estranhas para a boca, que podem, sim, ser nocivas para o bem-estar da pessoa.

Colocar a escova em um potinho no banheiro não é o ideal. “Quando você dá descarga, milhões de bactérias que estavam no vaso sanitário se espalham”, diz Luciano Dib, cirurgião-dentista. Por isso, é comum encontrar bactérias típicas do bolo fecal em escovas de dente.

Inconvenientes para a saúde podem surgir quando há contaminação por essas bactérias, estranhas ao organismo. “Quando há contato com bactérias nativas da boca, tudo bem, porque elas já estão ali mesmo. Quando você traz bactérias ditas alienígenas, que não estavam presentes, há o risco de outras complicações”, afirma o especialista.

Além de problemas na saúde bucal, essas bactérias podem chegar à corrente circulatória e prejudicar outros sistemas, como o respiratório e o digestivo.

Por isso, é importante guardar a escova de dente com capinhas protetoras ou deixar em um armário limpo, de modo que ela não esteja exposta a pó. Outra dica é lavar as mãos antes de usar a escova.

Limpeza

Limpar a escova de dente é outro passo importante para evitar inconvenientes. De acordo com a periodontista Débora Spinola Correia, a escova deve ser lavada em água corrente. Depois, basta secá-la com um papel absorvente, que possa ser descartado, e guardar a escova no armário ou em um protetor apropriado, limpo.

Há, no mercado, alguns kits para limpar as escovas, com substâncias para descontaminar as cerdas. Algumas tecnologias também pretendem eliminar as bactérias com o uso de raios ultravioleta.

No entanto, os especialistas acreditam que uma boa lavagem é suficiente. “Uma substância desinfetante pode auxiliar, mas na prática, lavar bem as cerdas e o cabo, secar e guardar em um lugar limpo é eficiente”, afirma Dib.

Se pode ou não guardar a escova em um estojo, depende. A recomendação é ter bom senso e só utilizá-lo se ele estiver bem limpo. “Caso o estojo não esteja bem lavado, vira um receptáculo para mais bactérias. Algumas bactérias vão se proliferar naquele meio”, diz Dib.

Compartilhando a escova

Para especialistas, a escova de dente não deve nunca ser compartilhada com outras pessoas. O uso de uma escova de outra pessoa pode trazer as ditas bactérias alienígenas, que podem provocar doenças gengivais e outros problemas.

“A escova de dente tem contato com sangue, gengiva, é absurdo dividir”, diz Dib. A própria cárie é uma doença contagiosa que pode ser contraída dessa forma. Por isso, também não é recomendado que as cerdas de escovas de pessoas diferentes fiquem em contato quando guardadas.

Troca

De acordo com Dib, pessoas com doença periodontal devem trocar a escova de dente pelo menos a cada mês. Para quem não tem grandes problemas, a troca deve ser feita, no mínimo, a cada três meses. Débora acrescenta que é importante observar as cerdas, que devem permanecer íntegras e sem manchas.

“Pelo uso constante, as cerdas acabam ficando desgastadas e deformadas, reduzindo a eficácia da remoção da placa bacteriana, favorecendo a instalação de doenças bucais como a gengivite”, diz. Recomenda-se também que a escova seja trocada após episódios de doenças infecciosas transmitidas por via oral.

Atenção

Os cuidados dentários de crianças, gestantes e idosos precisam ser redobrados, já que são grupos mais suscetíveis a doenças. De acordo com a odontopediatra Sandra Duvoisin, algumas doenças comuns na infância são transmitidas por secreções da mucosa, saliva ou gotículas respiratórias, como o sarampo, caxumba, catapora, hepatite A, rotavírus e bronquiolite.

A especialista alerta ainda para o perigo dos problemas respiratórios, gripes, candidíase (sapinho), estomatite, herpes, infecções urinárias e de pele, cáries, escarlatina e meningites.

“É pela boca também que entram as enterobactérias e os coliformes fecais. Por isso, cuidar da higiene bucal das crianças, idosos e gestantes é um hábito essencial que, além de manter dentes e boca saudáveis, também protege contra doenças”, alerta a dentista, autora do livro “Cássio e a Fada dos Dentes”.

Fio dental

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 53% dos brasileiros usam escova de dente, pasta e fio dental para a higiene bucal.

O fio dental deve ser usado ao menos uma vez por dia e é importante para alcançar as regiões em que a escova de dente não chega. A placa bacteriana, quando não é removida, pode desencadear diversos problemas para a saúde, que vão desde gengivite até endocardite bacteriana.

“O fio dental serve para limpar a superfície do dente, ele também faz a desorganização da placa bacteriana, mas nas partes dos dentes que estão em contato um com o outro”, afirma Dib.

O dentista Wilson Trevisan Júnior acrescenta que pessoas com mais propensão a ter doenças gengivais devem recorrer ao item com mais frequência. Caso haja dúvida sobre qual fio dental escolher, a dica do especialista é optar pelo produto que desliza bem entre os dentes sem desfiar. “O fio dental não é só mais um item, ele é um aliado tanto na limpeza quanto no controle de doenças”, afirma.

Fonte: Clic Folha

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