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Estudo mostra que pacientes internados morrem mais quando são acompanhados por R1s

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Estudo mostra que pacientes internados morrem mais quando são acompanhados por R1s


Um estudo publicado no periódico JAMA Internal Medicine mostra que a incidência de mortalidade entre pacientes tratados por médicos durante o primeiro ano de residência (R1) é significativamente maior do que a mesma incidência entre pacientes tratados por residentes mais experientes.

O desfecho primário foram mortes 30 dias após a internação foi definido pelo Dr. James S. Goodwin - médico do Departament of Medicine e do Sealy Center on Aging, do University of Texas Medical Branch, em Galveston – e seus colegas que realizaram o estudo. Já as mortes ocorridas durante a internação foram consideradas um desfecho secundário.

Foram 21.612 médicos residentes que trabalham exclusivamente nos hospitais, e que atendem pacientes do Medicare – plano de saúde pago pelo governo dos Estados Unidos para a população acima dos 65 anos de idade. O estudo aconteceu entre julho de 2013 e julho de 2014, 5.445 (25%) tinham até um ano de experiência e 11.596 (54%) tinham pelo menos quatro anos de experiência. Os pesquisadores analisaram 101.575 hospitalizações e descobriram que a mortalidade em 30 dias foi de 10,51% para pacientes tratados pelo R1 e de 9,97% para os pacientes tratados pelos médicos em segundo ano de residência (R2).

A odds ratio (OR) de mortalidade para os pacientes tratados pelos R2 foi 10% menor (OR: 0,90; intervalo de confiança, IC, 95%, de 0,84 a 0,96) em comparação à mortalidade dos pacientes tratados pelos R1.
No caso de pacientes internados, o número de mortes dos pacientes tratados por R1 foi de 3,33% contra 2,96 para os tratados pelos R2 (OR: 0,84; IC de 95%, de 0,75 a 0,95). Houve pouca mudança na probabilidade dos desfechos entre os R2 e os residentes seguintes (R3 e R4) para as incidência de mortalidade, nos 30 dias e na hospitalar.

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Com isso, os autores concluíram que os médicos em início de carreira, que trabalham exclusivamente nos hospitais, podem se beneficiar de algum respaldo adicional e da redução do número de pacientes que assumem.

Os autores observaram também uma mudança que a residência médica implica em termos de rapidez no ritmo e dos novos protocolos de atendimento hospitalar, que pode representar uma sobrecarga para o médico, e esses resultados podem indicar a necessidade de mais envolvimento da preceptoria, com maior número de professores participando do treinamento dos residentes, e até uma criação de registros ou de fellowships para residentes.

A maioria dos estudos anteriores analisando a experiência em comparação com os desfechos, o fez sobre longos períodos de tempo, de modo que a categoria com menos experiência tinha de um a cinco anos de prática. O fato de separar os anos ajudou a trazer uma nova percepção às informações, como afirmaram Dr. Goodwin e equipe.

Essas informações podem ter destacado a relevância deste fato, dada a rotatividade alta dos residentes e o grande número que abandona a residência, segundo os autores da pesquisa. “Muitos mudam de carreira migrando para o atendimento primário ou iniciando em alguma especialidade. Alguns médicos estrangeiros podem ter de passar dois anos como residentes em áreas carentes de atendimento médico a fim de cumprir as exigências do visto antes de buscar outro treinamento. A rotatividade gera um número importante de residentes em início de carreira”, concluíram os pesquisadores.

As hospitalizações foram calculadas a partir de uma amostra de 5% proveniente dos assegurados da Medicare norte-americana, por isso, as 101.575 hospitalizações representam 2.031.500 hospitalizações totais de usuários do Medicare durante o período do estudo. 

Fonte: JAMA Intern Med. Publicado on-line 26 de dezembro de 2017.
 
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