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Farmacologia dos Benzodiazepínicos: Tudo em um só lugar!

há 6 meses     -     
Farmacologia dos Benzodiazepínicos: Tudo em um só lugar!

 

O que são os Benzodiazepínicos?


Os bezodiazepínicos pertencem a uma variedade de substâncias que tem a capacidade de deprimir o Sistema Nervoso Central (SNC), provocando calma ou sedação (sonolência). Os Benzodiazepínicos (BDZs) são sendo classificados como sedativo-hipnóticos (FOSCARINI, 2010).

Nesse artigo, iremos abordar a farmacologia dos benzodiazepínicos, passando por seus principais representantes, mecanismo de ação, farmacocinética, efeitos adversos e interações medicamentosas.

?Os benzodiazepínicos e barbitúricos são as classes que mais se destacam entre os ansiolíticos, sendo os BDZs primeira escolha para o tratamento dos estados de ansiedade e insônia por possuírem baixo índice de intoxicação quando comparados com os barbitúricos e elevado índice terapêutico (KATZUNG et al., 2014). Os protótipos são o diazepam e o clordiazepóxido (figura 1 e 2), mas a classe é representada também pelos seguintes fármacos: Alprazolam, Clonazepam, Oxazepam, Triazolam, Flurazepam e Lorazepam.

Figura 1: Estrutura do diazepam.     
Estrutura do diazepam - Sanar

Figura 2: Estrutura do clordiazepóxido
Estrutura do clordiazepóxido - Sanar
Fonte: Wikipedia
 
A diminuição progressiva da resistência da humanidade para tolerar tanto estresse, a introdução profusa de novas drogas e a pressão propagandística crescente por parte da indústria farmacêutica ou, ainda, hábitos de prescrição inadequada por parte dos médicos podem ter contribuído para o aumento da procura pelos benzodiazepínicos (PAPROCKI, 1990).

Com a sua popularização, a dependência química e todas as suas implicações passaram a constituir grande preocupação para a saúde pública (MOLINA; MIASSO, 2008).
 

Principais aplicações dos benzodiazepínicos ?


?São considerados fármacos de primeira escolha no tratamento da ansiedade, podem ser úteis como miorrelaxantes, anticonvulsivantes, pré-anestésicos e anestésicos propriamente ditos, porém a escolha dos diferentes benzodiazepínicos disponíveis deve ser feita após o diagnóstico do transtorno, assim como após a avaliação das condições físicas do paciente (SILVA, 2010).

Importante: A orientação médica  e farmacêutica relacionada ao uso dos benzodiazepínicos é um fator muito importante para minimizar a incidência dos efeitos colaterais, é importante alertar  sobre a diminuição da atenção que, conseqüentemente, pode aumentar o risco de acidentes com automóveis e outras atividades psicomotoras.
 

Mecanismo de Ação dos BDZs


Os benzodiazepínicos atuam potencializando a ação inibitória do neurotransmissor Ácido Gama Aminobutiírico (GABA).
Seus alvos são os receptores do ácido γ-aminobutírico tipo A GABAA, que é o principal neurotransmissor inibitório no sistema nervoso central, esses receptores do GABA A são compostos de uma combinação, no somatório de cinco subunidades α, β e γ inseridas na membrana pós-sináptica (Whalen et al., 2016).

O complexo formado entre o GABA e o seu receptor (GABA-R) abre  o canal de cloreto, aumentando sua condução intracelular e afetando a membrana do neurônio, despolarizando-a, os receptores do GABA são mantidos em estado de baixa afinidade pela ação de um peptídio endógeno modulador (GABAmodulina) (SILVA, 2010).
 

Farmacocinética


Os BDZs apresentam variações em sua farmacocinética, desde a absorção até sua excreção, mas em aspectos generalizados todos são rapidamente absorvidos, independente da via de administração, por conta da sua alta lipossolubilidade, que é uma característica que confere ainda extensa distribuição pelos tecidos, em sua maioria assim como seus metabólitos possuem alta ligação à proteínas, e apresentam fácil travessia pela barreira hematoencefálica, além disso, eles ainda ultrapassam a barreira placentária e são excretados no leite materno, portando as mulheres que necessitarem utilizar o fármaco durante período de amamentação deve ter seus filhos observados quanto a possíveis efeitos colaterais (RANG et al., 2016).

O diazepam é rapidamente absorvido, atingindo o pico máximo em 1h nos adultos e 15 a 30 minutos em crianças, já o clonazepam e o oxazepam apresentam absorção bastante lenta após a administração oral, levando várias horas para atingir seu pico de concentração plasmática. O alprazolam, o clordiazepóxido e o lorazepam possuem velocidades intermediárias de absorção (SILVA, 2010).

De acordo com Katzung e colaboradores (2014), os benzodiazepínicos sofrem intenso metabolismo hepático, sendo necessário que ocorra biotransformação em metabólitos mais hidrossolúveis para que eles sejam eliminados.

Tabela 1: Duração de ação dos benzodiazepínicos
Benzodiazepínico Duração da Ação Indicação    Tempo Tratamento
Diazepam Ação longa 1-3 dias Ansiedade/ Estado epiléptico/Espasmos do músculo esquelético Prolongado
Flurazepam Ação longa 1-3 dias    
Clonazepam Ação longa 1-3 dias Ansiedade/Convulsões Prolongado
 Alprazolam Ação intermediária 10-20h Transtorno do Pânico Curto/Prolongado
Lorazepam Ação intermediária 10-20h Ansiedade/Estado epiléptico Prolongado
Oxazepam Ação curta 3-8h Tratamento agudo de abstinência do etanol -
Triazolam Ação curta 3-8h Distúrbios do sono Intermitente
Fonte: Adaptado de WHALEN et al., 2016
 

Interações Medicamentosas


Devido o efeito depressor dos benzodiazepínicos no sistema nervoso central (SNC), uma interação farmacodinâmica perigosa ocorre quando há associação com outros fármacos que aumentam o efeito de sedação e podem levar à depressão respiratória, como os barbitúricos, os antidepressivos tricíclicos, os tetracíclicos, os antagonistas dos receptores da dopamina, os opióides e os anti-histamínicos (Guimarães, 2010; Silva, 2010).

As interações farmacocinéticas também contribuem para o aumento dos efeitos depressores dos benzodiazepínicos, pois inibiem o seu metabolismo hepático, a cimetidina, os inibidores da bomba de prótons, o dissulfiram, a isoniazida, os estrógenos e os anticoncepcionais orais provocam aumento das concentrações plasmáticas de benzodiazepínicos, tais como o diazepam e o clordiazepóxido (Sadock & Sadock, 2007; Silva, 2010).

A interação com álcool deve ser levada em consideração, podendo ser extremamente grave.
 

Efeitos Adversos dos benzodiazepínicos 


Mesmo apresentando relativa segurança, os BDZs, assim como todo medicamento, apresentam efeitos colaterais, como exemplo a sonolência, falta de memória, diminuição da atividade psicomotora, entre outros que são mais comuns em doses normais de uso, sendo necessária uma atenção maior com o uso de BDZs em idosos, pois estes estão mais susceptíveis aos efeitos colaterais por conta de suas alterações fisiológicas (CONSTANTE, 2008).

O uso prolongado pode causar efeitos colaterais leves e mais graves como perda da memória e da função cognitiva e desequilíbrio. Devem ser usados durante 2 a 4 meses, não devendo exceder este período, pois o paciente pode ficar no estado de dependência da sua ação e tornando a dosagem ineficiente, tendo, em muitos casos, que dobrar a quantidade do medicamento (NORDON et al., 2009).
 
De acordo com Silva (2010) outros efeitos mais raros são: fraqueza, cefaleia, visão turva, náuseas e vômitos, desconforto epigástrico e diarreia, podem ainda aparecer dores nas articulações e no tórax, e embora não causem problemas circulatórios ou respiratórios profundos ainda que em doses tóxicas, doses terapêuticas podem comprometer a respiração de pacientes com doença respiratória obstrutiva.

Devem ser usados cautelosamente em pacientes com doença hepática. Eles devem ser evitados em pacientes com glaucoma de ângulo fechado agudo (WHALEN et al., 2016).
 

Antagonista dos benzodiazepínicos


O flumazenil é um antagonista do receptor GABA que pode rapidamente reverter os efeitos dos benzodiazepínicos e está disponível apenas para administração intravenosa (IV). Seu início de ação é rápido e sua duração é curta.

Administrações frequentes podem ser necessárias para manter a reversão dos benzodiazepínicos de longa ação tendo efeitos adversos mais comuns a tonturas, a náusea, a êmese e agitação (WHALEN et al., 2016).

Tem tropismo central, mostrando suave atividade anticonvulsivante, não induz a sonolência nem a relaxamento muscular, apresenta a propriedade de bloquear os efeitos dos benzodiazepínicos, mas não dos demais depressores do sistema nervoso central como barbitúricos, carbamatos, etanol, GABAmiméticos e opioides, por conta disso, pode ser empregado como agente diagnóstico diferencial em caso de intoxicação em que não se conhece a natureza do agente intoxicante.
 

Referências

  • CONSTANTE, J. O. O perfil de uso de benzodiazepínico por usuários de uma unidade de estratégia de saúde da família de uma cidade do sul de Santa Catarina. 2008.
  • FOSCARINI, P. T. Benzodiazepínicos: uma revisão sobre o uso, abuso e dependência. Trabalho de Conclusão de Curso: Curso de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 34 p., 2010.
  • GUIMARÃES, F. S. Hipnóticos e ansiolíticos. In: FUCHS, F. D, WANNMACHER, L. Farmacologia clínica: Fundamentos da terapêutica racional. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2010. p.711-727.
  • KATZUNG, B. G.; MASTERS, S. B.; TREVOR, A. J. Farmacologia Básica e Clínica. 12. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014.
  • MOLINA, A. S.; MIASSO, A. I. Consumo de benzodiazepínicos por trabalhadores de uma empresa privada. Rev Latino Am Enfermagem, v. 16, p. 517-522, 2008.
  • NORDON, D.G; AKAMINE, K.; NOVO, N.F.; HÜBNER, C.V.K. Características do uso de benzodiazepínicos por mulheres que buscavam tratamento na atenção primária. Revista Psiquiátrica RS. v. 31, n. 3, 2009.
  • PAPROCKI, J. O emprego de ansiolíticos benzodiazepínicos pelo clínico geral e por especialistas não psiquiatras. Rev ABP-APAL, v. 64, n.3, p. 05-12, 1990.
  • RANG, H.P; RITTER, J. M.; FLOWER, R. J.; HENDERSON, G. Farmacologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
  • SADOCK, B. J; SADOCK, V. A. Terapias biológicas. In: Compêndio de Psiquiatria: Ciências do Comportamento e Psiquiatria Clínica. Porto Alegre: Artmed; 2007. p. 1087-94.
  • SILVA, P. Farmacologia. 8. ed., Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2010.
  • Whalen, K.; Finkel, R.; Panavelil, T. A. Farmacologia ilustrada. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.
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