Fique sabendo: Febre amarela

há 1 ano     -     
Fique sabendo: Febre amarela

Devido às elevadas incidências de Febre Amarela na população brasileira -sendo até 13 de fevereiro de 2017, notificados, ao Ministério da Saúde, 1.214 casos suspeitos de febre amarela silvestre, desses, 877 (72,4%) casos permanecem em investigação, 234 (19,2%) casos foram confirmados e 103 (8,4%)  foram descartados- resolvemos discorrer sobre para que sejam esclarecidas quaisquer dúvidas. A Febre Amarela é uma doença infecciosa febril aguda, causada por um vírus transmitido por vetores artrópodes, que possui dois ciclos epidemiológicos distintos de transmissão: silvestre e urbano. O ciclo urbano foi erradicado no Brasil desde 1942, no entanto, devido aos incidentes casos do ciclo silvestre, fez-se presente a preocupação com relação a contaminação dos mosquitos Aedes aegypti-tão presentes em nossa sociedade- o que provocaria novas incidências do ciclo urbano. 

O vírus da febre amarela é um arbovírus do gênero Flavivirus. O vírus é transmitido pela picada dos mosquitos transmissores infectados e não há transmissão direta de pessoa a pessoa. A vacina é a principal ferramenta de prevenção e controle da doença. Considerando os aspectos etiológico, clínico, imunológico e fisiopatológico, a doença é a mesma nos dois ciclos. No ciclo silvestre da febre amarela, os primatas não humanos (macacos) são os principais hospedeiros e amplificadores do vírus, e os vetores são mosquitos com hábitos estritamente silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e Sabethes os mais importantes na América Latina. Nesse ciclo, o homem participa como um hospedeiro acidental ao adentrar áreas de mata. No ciclo urbano, o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão ocorre a partir de vetores urbanos (Aedes aegypti) infectados. 

O período de incubação no homem varia de 3 a 6 dias, podendo se estender até 15 dias. A viremia humana dura no máximo 7 dias e vai de 24-48 horas antes do aparecimento dos sintomas até 3 a 5 dias após o início da doença, e é durante esse período que o homem pode infectar os mosquitos transmissores. Nos casos que evoluem para a cura, a infecção confere imunidade duradoura. Os quadros clínicos típicos são insuficiência renal e hepática, no entanto podem ter como sintomas: febre, calafrios, cefaleia (dor de cabeça), lombalgia, mialgias generalizadas, prostração, náuseas, vômitos e outros.

Atente-se para caso humano suspeito:“Indivíduo com quadro febril agudo (até 7 dias), de início súbito, acompanhado de icterícia e/ou manifestações hemorrágicas, residente ou precedente de área de risco para febre amarela ou de locais com ocorrência de epizootias em primatas não humanos ou isolamento de vírus vetores nos últimos 15 dias, não vacinado contra febre amarela ou com estado vacinal ignorado”.

O tratamento é apenas sintomático, com cuidadosa assistência ao paciente que, sob hospitalização, deve permanecer em repouso, com reposição de líquidos e das perdas sanguíneas, quando indicado.

A vacinação contra a febre amarela é recomendada para uma grande área do Brasil onde a transmissão é considerada possível, principalmente para indivíduos não vacinados e que se expõem em áreas de mata, onde o vírus ocorre naturalmente. A vacina  é a medida mais importante para prevenção e controle da doença, produzida no Brasil desde 1937, sendo constituída por vírus vivos atenuados derivados de uma amostra africana do vírus amarílico selvagem que, por esse motivo, apresenta contraindicações em casos de indivíduos com imunosupressões, mas, por outro lado, em indivíduos imunocompetentes, o risco de apresentarem a doença é mínimo. Apresenta eficácia acima de 95%.

É contraindicada para:

• Crianças com menos de 6 meses de idade.

• Pacientes com imunossupressão de qualquer natureza, como:

• Pacientes infectados pelo HIV com imunossupressão grave, com a contagem de células CD4 <200 células/mm3 ou menor de 15% do total de linfócitos, para crianças com menos de 6 anos de idade.

• Pacientes em tratamento com drogas imunossupressoras (corticosteroides, quimioterapia, radioterapia, imunomoduladores).

• Pacientes submetidos a transplante de órgãos.

• Pacientes com imunodeficiência primária.

• Pacientes com neoplasia.

Obs: Nos casos de pacientes com imunodeficiência, a administração desta vacina deve ser condicionada a avaliação médica individual de risco-benefício e não deve ser realizada em caso de imunodepressão grave.

• Indivíduos com história de reação anafilática relacionada a substâncias presentes na vacina (ovo de galinha e seus derivados, gelatina e outros produtos que contêm proteína animal bovina).

• Pacientes com história pregressa de doenças do timo (miastenia gravis, timoma, casos de ausência de timo ou remoção cirúrgica).

Contamos com que as principais dúvidas sejam esclarecidas.

 

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