Fique sabendo: Influenza

há 1 ano     -     
Fique sabendo: Influenza

A influenza (gripe) é a doença infecciosa aguda de origem viral que acomete o trato respiratório e a cada inverno atinge muitas pessoas em todo o mundo, levando algumas à morte. Estima-se que, anualmente, cerca de 10% da população mundial apresenta um episódio de influenza. O agente etiológico é o Myxovirus influenzae, ou vírus da gripe, partículas de RNA envolopadas de fita simples. Este subdivide-se nos tipos A, B e C, sendo que apenas os do tipo A e B apresentam relevância clínica em humanos. O tipo A é o que apresenta maior variabilidade, sendo divididos em subtipos de acordo com as glicoproteínas de suas superfícies, denominadas hemaglutininas (H) e neuraminidases( N ). Existem 15 tipos de hemaglutininas e 9 tipos de neuraminidases. O vírus influenza apresenta altas taxas de mutação, o que resulta freqüentemente na inserção de novas variantes virais na comunidade, para as quais a população não apresenta imunidade. Atualmente, são notadas três hemaglutininas (H1, H2 e H3) e duas neuraminidases (N1 e N2) presentes no tipo A, adaptadas para infectar humanos. São poucas as opções disponíveis para o controle da influenza. Dentre essas, a vacinação constitui a forma mais eficaz para o controle da doença e de suas complicações. Em função das mutações que ocorrem naturalmente no vírus influenza, recomenda-se que a vacinação seja realizada anualmente. No Brasil, segundo dados obtidos pelo Projeto VigiGripe - ligado à Universidade Federal de São Paulo -, verifica-se que a influenza apresenta pico de atividade entre os meses de maio e setembro. Assim, a época mais indicada para a vacinação corresponde aos meses de março e abril. Para o tratamento específico da influenza estão disponíveis quatro medicamentos antivirais: os fármacos clássicos amantadina e rimantidina e os antivirais de segunda geração oseltamivir e zanamivir. Os últimos, acrescentam alternativas para o tratamento da influenza e ampliam as opções disponíveis para o seu controle. A natureza fragmentada do material genético do vírus influenza induz altas taxas de mutação durante a fase de replicação, em especial da hemaglutinina e neuraminidase, as duas glicoproteínas de superfície do vírus. Estas mutações ocorrem de forma independente e habitualmente provocam o aparecimento de novas variantes para as quais a população ainda não apresenta imunidade, já que a infecção prévia por determinada cepa confere pouca ou nenhuma proteção contra os vírus de surgimento mais recente.Soma-se a isto a facilidade de transmissão do influenza. Os vírus se replicam nas células epiteliais colunares do trato respiratório e, a partir daí, misturam-se às secreções respiratórias e são espalhados por pequenas partículas de aerossol geradas durante o ato de espirrar, tossir ou falar. O período de incubação da influenza mostra-se bastante curto (1 a 4 dias) e um único indivíduo infectado pode transmitir a doença para grande número de pessoas susceptíveis. Epidemias de influenza de gravidade variável têm ocorrido de maneira sistemática a cada 1a 3 anos, predominantemente no inverno. Já as pandemias de influenza - que acometem extensos contingentes da população - têm ocorrido de forma irregular, geralmente com 30 a 40 anos de intervalo. Desde o século XVI descreveram-se ao menos 30 episódios pandêmicos. Devido às epidemias anuais de gripe e ao risco de novas pandemias, o monitoramento epidemiológico do vírus influenza é de fundamental importância. Iniciada em 1947, a rede de vigilância epidemiológica da gripe coordenada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) inclui atualmente cerca de 110 Laboratórios Nacionais de Influenza distribuídos em 80 países, apoiados por quatro Centros de Referência localizados em Londres, Atlanta, Melbourne e Tóquio. Com base nos dados coletados ao redor do mundo, um comitê de espertos reúne-se na OMS duas vezes ao ano para formalizar a recomendação das cepas do vírus influenza a ser incluídas na composição da vacina, para que se obtenha a formulação adequada para a próxima temporada de gripe.

Nas últimas décadas, a imunização anual com vacinas inativadas contra influenza tem sido a principal medida para a profilaxia da gripe e redução da morbi-mortalidade relacionada à doença. Atualmente, entre 180-200 milhões de doses de vacina contra influenza são distribuídas e utilizadas a cada ano no mundo. Além disso, o contínuo impacto causado pelo vírus influenza, tanto em indivíduos de risco – idosos e portadores de patologias crônicas -, como na população geral, vem motivando o desenvolvimento de novas abordagens para sua prevenção e controle. Dentre elas, merece destaque o desenvolvimento nos Estados Unidos de uma vacina nasal de vírus atenuados, o surgimento de vacinas inativadas contendo adjuvantes, vacinas produzidas em culturas de células ao invés de ovos embrionados de galinha e estratégias de vacinação em trabalhadores sadios visando a redução dos prejuízos econômicos diretos (despesas médicas) e indiretos (diminuição da produtividade e absenteísmo) relacionados à doença. Baseado nas recomendações da OMS não só relacionadas à composição da vacina, mas também orientando quais os principais grupos alvo para a vacinação, as autoridades de saúde de cada país formulam políticas específicas para seus programas de imunização.

No Brasil, a recomendação oficial para a vacinação contra influenza tem sido direcionada aos idosos. A imunização dos indivíduos acima de 65 anos de idade foi instituída na cidade de São Paulo a partir de 1998, após a aprovação da lei municipal 12.326/97. A seguir, em junho de 1998, foi aprovada a lei estadual 10.003/98 estendendo a vacinação do idoso para todo o Estado de São Paulo. Em 1999, o Ministério da Saúde decidiu incluir no programa nacional de imunização a vacinação contra influenza para indivíduos com mais de 65 anos de idade, alcançando cobertura vacinal acima de 80% em todo o país. A partir de 2000, as autoridades de saúde do governo federal diminuíram a faixa etária de corte para a vacinação anual contra influenza de 65 para 60 anos de idade.

Os métodos de prevenção podem ajudar na diminuição do risco do contágio. Uso de máscaras, principalmente se for a locais públicos. Ao voltar para casa sempre lavar bem as mãos, no meio dos dedos e entre as unhas e também até o punho. Cuidar da saúde – alimentar-se bem e dormir bem. Uma pessoa saudável tem menos chances de se contagiar. Ventilar o ambiente doméstico Evitar locais fechados e aglomerados. Desses pontos, dê atenção especial a lavar bem as mãos. Diminui o risco de contágio da influenza e de outras doenças também.

VEJA TAMBÉM

Autoimmune paraneoplastic syndromes associated to lung cancer

Caso Clínico - Cetoacidose diabética

Tuberculose Pulmonar

  • 3 Publicações