Fisioterapia no paciente com doença pulmonar obstrutiva Crônica (DPOC).

há 1 ano     -     
Fisioterapia no paciente com doença pulmonar obstrutiva Crônica (DPOC).

CASO CLINICO

Paciente, MRC, sexo masculino, 65 anos, peso= 58 Kg, estatura= 170cm, cor parda, trabalhou 40 anos como bombeiro e segurança particular, atualmente está aposentado,foi encaminhado ao Hospital Universitário Professor Edgar Santos,com diagnóstico clinico de DPOC. Relata que tem tosse produtiva e constante, sente muito cansaço, chiado no peito, falta de ar associada a esforços como subir escadas, andar depressa ou praticar atividades físicas, nos últimos meses foi internado algumas vezes por causa de infecções respiratórias. Não havia realizado nenhuma prova funcional até o momento. Paciente apresenta na radiografia de tórax em incidência posteroanterior demonstrando sinais de hiperinsuflação pulmonar (à esquerda), na radiografia de tórax em perfil evidenciando aumento do diâmetro anteroposterior do tórax e retificação da cúpula diafragmática (à direita).

Tratamento Fisioterapêutico

A doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) é um distúrbio respiratório prevenível e tratável, que acontece nas vias aéreas, no parênquima pulmonar e nos vasos pulmonares.Se identifica pela presença de obstrução crônica do fluxo aéreo, que não é completamente reversível, geralmente é progressiva e relacionada a uma resposta inflamatória incomum do pulmão, a partículas ou gases nocivos(SBPT, 2000).

A limitação ao fluxo aéreo é geralmente progressiva e associada à resposta inflamatória anormal dos pulmões a partículas nocivas ou gases. Além da dispneia, tosse, sibilância, produção de secreção e infecções respiratórias de repetição, consequências sistêmicas, tais como descondicionamento, fraqueza muscular, perda de peso e desnutrição são frequentemente observadas. A atividade física na vida diária está significativamente reduzida em comparação com indiví- duos saudáveis pareados para a idade. Problemas emocionais como depressão, ansiedade e isolamento social também são observados. Todos esses fatores contribuem para o estado de saúde dos pacientes e incluem alvos tratáveis importantes para fisioterapeutas (SBPT, 2000; LANGER, 2009).

Portadores de DPOC avançada são hiperinsuflados,  isto quer dizer que o seu volume de pulmão na expiração final de repouso é maior do que os Segundo a Sociedade Brasileira de Pneumologia, o teste fundamental para identificar a DPOC é através da espirometria, que é a medida dos volumes pulmonares. Durante o exame são feitas manobras de inspiração e expiração forçadas que são gravadas pelo espirômetro, fornecendo os valores de alguns volumes e fluxos pulmonares, entre eles o VEF1 (volume expiratório forçado no primeiro segundo), CVF (capacidade vital forçada), dos quais se calcula a relação VEF1/CVF (JARDIM et al, 2009).

Na definição fisiopatológica da DPOC, a espirometria é considerada como um exame primordial, pois nos permite assegurar a existência de limitação do fluxo aéreo, fator considerado como indispensável na definição de DPOC. A espirometria ajuda ainda no controle dos pacientes ao permitir-nos estadiá-los, de acordo com a gravidade da obstrução, e seguir intervenções específicas conforme tal estadiamento (JARDIM et al, 2009).

O diagnóstico da DPOC não se baseia normalmente em achados radiológicos, pois os achados típicos de hiperinsuflação só ocorrem em doença avançada. A maior parte dos indivíduos com DPOC, principalmente nas fases iniciais da doença, apresenta radiografia de tórax normal ou quase normal. A radiografia torácica é importante no sentido de eliminar outras condições que possam levar à incerteza no diagnóstico com a DPOC ou estarem relacionadas, principalmente ao câncer, tuberculose e bolhas pulmonares. A mesma é útil também no sentido de fazer o diagnóstico especifico com insuficiência cardíaca e doença intersticial pulmonar, principalmente naqueles pacientes com crepitações basais (JARDIM et al, 2009).

 Os preditores de mortalidade na DPOC são idade, VEF1 , tabagismo, hipoxemia, hipersecreção crônica, dispneia, capacidade de exercício e atividade física na vida diária reduzidas, massa e força muscular reduzidas, baixo índice de massa corpórea e perda de peso excessiva. Um maior declínio anual no VEF1 é observado em fumantes e em pacientes com hipersecreção crônica e baixo nível de atividade física. Pacientes com hipoxemia ao repouso se beneficiam de oxigenioterapia a longo prazo (domiciliar). O uso de oxigenioterapia domiciliar em pacientes que dessaturam somente com o exercício é controverso. Pacientes com fraqueza muscular mais evidente e reserva ventilatória pouco prejudicada podem ser melhores candidatos a programas de treinamento físico. Idade avançada, comprometimento pulmonar grave, presença de hipercapnia, condição psicossocial e tabagismo são pobres preditores de desfecho na reabilitação pulmonar. Além disso, comorbidades que estão comumente presentes em pacientes com DPOC, tais como, doenças cardiovasculares, diabetes, osteoporose e doença vascular periférica também se beneficiam do treinamento físico. Pacientes com tais comorbidades e/ou doença avançada não deverão ser excluídos dos programas de exercício. Após exame cuidadoso e testes de exercício, esses pacientes devem ser incluídos em programas de treinamento adaptados de acordo com suas necessidades e capacidades(LANGER, 2009).

Como tratamento terapêutico deve incluir a educação do paciente, retardar a progressão da obstrução ao fluxo, minimizar a obstrução das vias aéreas, corrigir as alterações fisiológicas secundárias e otimizar as funções e capacidades. Parar de fumar é a única atitude que evita o declínio irregular da função pulmonar. O fim do tabagismo, redução da exposição a outros irritantes das vias aéreas, prevenção e tratamento precoces das infecções respiratórias são medidas que auxiliam a redução da secreção das vias aéreas (SBPT, 2000).

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica é uma patologia que não tem cura, costuma ser uma doença gradativa e em alguns casos costuma levar o paciente a óbito. Diante disto, ainda que haja tratamento buscando retardar sua progressão, a única atitude realmente eficaz é a prevenção, ou seja, não fumar. A terapia medicamentosa busca principalmente aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. Broncodilatadores inalatórios como salbuterol, formoterol, ipratrópio e tiotrópio, entre outros, ajudam a diminuir a obstrução dos brônquios temporariamente, ajudando o fluxo de ar dentro das vias respiratórias(MD SAÚDE, 2017).

REFERÊNCIAS

1.JARDIM, José R.; PINHEIRO, Bruno; OLIVEIRA, Julio A. Doença pulmonar obstrutiva crônica. Rev Bras Med, v. 66, n. 12, 2009.

2. LANGER, Daniel et al. Guia para prática clínica: Fisioterapia em pacientes com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). Brazilian Journal of Physical Therapy/Revista Brasileira de Fisioterapia, v. 13, n. 3, 2009.

3.LOPEZ, A. D. et al. Chronic obstructive pulmonary disease: current burden and future projections. European Respiratory Journal, v. 27, n. 2, p. 397-412, 2006.

4. MDSAUDE. Disponível em: <http://www.mdsaude.com/2010/04/dpoc-enfisema-bronquite-cronica.html >. Acesso em 05 de maio de 2017.

5. OURO. Estratégia global para o diagnóstico, gestão e prevenção da doença pulmonar obstrutiva crónica (2011), pp. 16-68. 3. MANSOUR, Osama F. et al. Osteoporosis in patients with chronic obstructive pulmonary disease. Menoufia Medical Journal, v. 28, n. 2, p. 521, 2015.

6.POLKEY, Michael I. Chronic obstructive pulmonary disease: aetiology, pathology, physiology and outcome. Medicine, v. 36, n. 4, p. 213-217, 2008.

7. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA. I Consenso Brasileiro de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica.

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