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Futebol: cabecear a bola é associado a sintomas de sistema nervoso central

há 1 ano     -     
Futebol: cabecear a bola é associado a sintomas de sistema nervoso central

Um impacto não intencional foi independentemente associado com sintomas de SNC após controlar para cabeceadas (OR 2,98; IC de 95%, 1,69 – 5,26), mas dois ou mais desses impactos tiveram uma associação mais forte (OR 6,09; IC de 95%, 3,33 – 11,17).

"O que é novo aqui é que cabecear é uma causa de sintomas de sistema nervoso central, alguns deles provavelmente devidos a eventos concussivos", disse o Dr. Lipton.

Ele apontou que as cabeceadas estavam acontecendo em "uma boa quantidade" durante uma janela de duas semanas, e que a associação com sintomas foi independente de outras colisões.

Os pesquisadores observaram o efeito da circunferência do pescoço, um marcador de massa muscular. Outra ideia comum, sem muito apoio de evidências, é de que a força do pescoço ajuda a estabilizá-lo, e protege das concussões, disse o Dr. Lipton.

"A ideia é: se você tem um pescoço longo e estreito, com músculos pouco desenvolvidos, e a bola acerta sua cabeça, ela será golpeada com maior amplitude, levando a maior potencial de lesão e sintomas".

Mas os pesquisadores descobriram que ter um pescoço maior não teve efeito nas associações. "Isso significa que ter um pescoço mais espesso, ou mais músculos, não faz com que você tenha menos risco de ter sintomas concussivos, como consequência de uma colisão ou cabeceada", disse o Dr. Lipton.

No futebol, os homens tendem a cabecear mais do que as mulheres, "mas nós não observamos que a associação com sintomas foi claramente diferente entre homens e mulheres", embora o estudo não tenha sido desenhado especificamente para encontrar essas diferenças, disse o Dr. Lipton.

 

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Em atletas mulheres, "é altamente provável que o futebol seja o esporte com maior risco de concussão", de acordo com as diretrizes de 2013 da American Academy of Neurology sobre avaliação e tratamento de concussões em esportes.

De todos os esportes do colegial – entre masculinos e femininos – o futebol feminino fica atrás apenas do futebol masculino em termos de risco de concussão, disse o Dr. Lipton.

"As mulheres têm menor chance de ter um evento concussivo simplesmente porque não participam tanto de atividades que têm esse tipo de risco, mas elas têm maior probabilidade de apresentar sintomas persistentes como resultado de uma concussão", explicou ele.

Não existem diretrizes abordando o ato de cabecear para jogadores adultos de futebol nos Estados Unidos. Órgãos que supervisionam o futebol juvenil recomendam que crianças com menos de 14 anos não devem cabecear a bola, pelo menos em competições, disse o Dr. Lipton.

Um artigo do Dr. Lipton e colaboradores (Radiology. 2013;268:850-857) que não investigou sintomas, e sim alterações cerebrais na RNM e funcionamento cognitivo, esclareceu que pode haver uma quantidade segura de cabeceadas no futebol.

"Nós descobrimos que para as pessoas que cabecearam de 800 a 1000 vezes ao longo do último ano o risco de alterações cerebrais detectáveis era significativamente elevado, e para que a função cognitiva fosse afetada, era necessário mais de 1800 cabeceadas no último ano".

Mas o Dr. Lipton destacou que não está claro onde exatamente fica o limite, e que ele provavelmente varia entre os indivíduos.

Como o estudo incluiu apenas jogadores de futebol adultos no nordeste dos Estados Unidos, os resultados não podem ser generalizados para adolescentes e crianças mais jovens, ou mesmo para jogadores de outros locais.

As implicações de longo prazo das associações entre impacto craniano e sintomas de SNC não estão claras, disse o Dr. Lipton.

Na agenda de pesquisa

Em um editorial de acompanhamento, Hester Lingsma, Departamento de Saúde Pública, Erasmus MC University Medical Center (Holanda), e o Dr. Andrew Maas, Departamento de Neurologia, University of Antwerp (Bélgica), destacaram algumas das várias forças do estudo.

Uma delas é que, enquanto pesquisas prévias geralmente calculavam os efeitos combinados de cabecear e de impactos não intencionais, os autores desse estudo foram capazes de delinear os efeitos dessas duas exposições.

Da mesma forma, disseram eles, a análise foi ajustada para covariáveis relevantes, incluindo, por exemplo, a circunferência do pescoço.

Enquanto os autores do estudo concordam que os resultados não podem ser generalizados para os jogadores mais jovens fora da região nordeste dos Estados Unidos, Lingsma e o Dr. Maas apontaram que a mediana de três treinos e dois jogos em ambiente externo a cada duas semanas, relatada pelos participantes do estudo, "seria comparável à de muitos jogadores de futebol amador na Europa, adultos e crianças".

Os autores do editorial observam que exposições e desfechos foram autorrelatados e medidos no mesmo questionário, o que pode ter resultado em um viés de relato – em que jogadores com sintomas de SNC possivelmente têm maior probabilidade de relatar exposições. No entanto, disseram, os participantes tiveram de responder a questões sobre exposição antes das questões sobre desfechos, e não podiam mudar suas respostas.

Cabecear no futebol não tem recebido muita atenção em consensos sobre concussões em esportes, observam eles.

"Embora o estudo atual não forneça evidências para determinar se existe uma consequência em longo prazo de se cabecear a bola, ele destaca a necessidade de se colocar a cabeceada do futebol na agenda das pesquisas e das políticas internacionais".

Esse estudo foi financiado pelos National Institutes of Health e pela Dana Foundation. O Dr. Lipton, Lingsma, e o Dr. Maas declararam não possuir conflitos de interesse relevantes.

Neurology. Publicado on-line em 1º de fevereiro de 2017.

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