Gravidez molar

há 1 ano     -     
Gravidez molar

Franci Junior Gomes da Silva* e Lorena Gonçalves Leal**

* Acadêmico de enfermagem do 7º período e integrante da LASM

** Docente de enfermagem e coordenadora da LASM

 

A Gravidez Molar, também conhecida como mola hidatiforme ou gravidez em mola, é uma complicação da gravidez, com alta capacidade para evolução tumoral maligna, caracterizada por apresentar o desenvolvimento de células com anormalidades, formando apenas um emaranhado celular, sendo comparado com cacho de uva. No Ocidente, ocorre na proporção de um caso para 1.000 gestações, já no Brasil, raros estudos sobre o tema indicam a proporção de uma gravidez molar para 215 gestações, ou seja, é mais frequente que a média ocidental.  

Ainda não há uma explicação científica exata sobre as causas desta intercorrência, mas indicativas apontam que possa estar relacionada à fecundação de dois espermatozoides simultaneamente. Na gravidez normal, o óvulo fertilizado contém 23 cromossomos da mãe (XX) e 23 cromossomos do pai (XY), totalizando células com 46 cromossomos. Existem dois tipos de gravidez molar: completa e parcial. Já na forma da Gravidez Molar Completa, o tipo mais frequente e de maior risco, o óvulo não possui núcleo ativo, e os cromossomos do espermatozoide se duplicam, sendo assim, não há a formação de tecidos placentários impossibilitando a evolução fetal. A outra forma, mais rara, é a Gravidez Molar Parcial ou incompleta, resultante da concepção triploidia, ou seja, entre dois espermatozoides e um óvulo de núcleo ativo, formado células com 69 cromossomos.  

Nas últimas décadas, houve grandes avanços no diagnóstico, tratamento e acompanhamento da doença, possibilitando a descoberta precoce, e devido a isso a gravidez molar, em muitos casos, ocorre assintomática. No início da doença, os sintomas são iguais de uma gravidez normal incluindo náuseas, vômitos, aumento do útero, dores lombares e inchaço abdominal, mas quadros de sangramentos incomuns podem ocorrer e são mais característicos desta intercorrência. Alguns sinais como elevados níveis de gonadotrofinas coriônica humana, beta-HCG excessivamente alto ou o útero com volume maior que o normal, é indicativo para ser realizada uma avaliação médica.  

O aborto espontâneo pode ocorrer entre 6ª à 16ª semanas de gravidez, algumas vezes só após levar o material abortado para análise laboratorial, é que descobre que se tratava de um caso de gravidez molar. Os sintomas devem ser levados em consideração para a patologia ser tratada precocemente em tempo adequado. O surgimento de sangramento de repetição é a forma mais frequente da apresentação, e pode indicar o início do aborto na gravidez molar.  

Somente metade dos casos de gravidez molar possuem características clássicas à ultrassonografia, no primeiro trimestre de gestação, com diversos cistos ou vesículas visíveis e sem embrião. E só durante o segundo trimestre que ocorrerá o desenvolvimento máximo do conteúdo molar dentro do útero, com a eventual expulsão.  

A reincidência das doenças trofoblásticas gestacionais, são consideradas baixas, sendo que a repetição da gravidez molar é cerca de 1%. Mas depois de diagnosticada, deve haver o tratamento completo e o acompanhamento com a realização periódica da ultrassonografia e dosagem dos níveis de HCG, sendo essencial para verificar se não houve a evolução maligna, uma vez que, as células anormais quando eliminadas, inapropriadamente, sem as técnicas de retirada e esvaziamento adequadas, podem progredir para um tumor instalado na parede uterina. Baseado nisso, após diagnosticada a mola a gravidez deve ser evitado durante o período de um ano após o tratamento e seguimento da doença, eliminando quaisquer chances de evolução maligna ou recorrências da intercorrências gestacionais.  

Quando é dado o diagnóstico, o conteúdo da cavidade uterina deve ser esvaziado, imediatamente, para inibir a evolução maligna ou a possível perfuração do miométrio por células invasoras. O uso de medicamentos ou drogas que provoquem contrações uterinas deve ser evitado, pois, a estimulação de contrações uterinas antes do processo de esvaziamento da mola, torna mais elevada o risco de evolução para doença persistente e de embolia (fechamento total ou parcial de vasos sanguíneos), principalmente, em vasos pulmonares. A técnica usada para o esvaziamento a vácuo-aspiração que tem o objetivo de remover internamente todo o volume molar, evitando a disseminação por outros tecidos e órgãos internos. O esvaziamento pode ser completado com a curetagem das paredes uterinas para que seja verificada se houve a remoção completa do conteúdo molar. O material resultante da curetagem é encaminhado para análise histopatológica, para verificar se houve a completa retirada das células molares.  

Enfim, pode-se dizer que todas as grávidas estão expostas a ter esta doença, entretanto, mulheres com idade inferior a 20 anos ou maior que 40 anos são mais vulneráveis, porém, o estado nutricional e histórico reprodutivo com gravidez molar é considerado fatores de risco para ocorrência da gravidez molar. Para tanto, o ideal é que mulheres, quando estiverem gestantes, busque o acompanhamento junto ao profissional ou equipe de saúde, sendo possível obter os cuidados pré-natais indispensáveis, e para que seja identificada e tratada não somente a gravidez molar, mas qualquer outra doença, permitindo um prognóstico favorável. Com isso, as chances dessas mulheres desenvolver uma gravidez saudável se tornam mais prováveis e possíveis.

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