Medicina Intensiva - Avaliação Neurológica do Paciente Crítico

há 1 ano     -     
Medicina Intensiva - Avaliação Neurológica do Paciente Crítico

Em pacientes críticos neurológicos nas unidades de terapia intensiva é indispensável que seja feita uma avaliação neurológica cuidadosa e repetida já que esta facilita na decisão da melhor conduta terapêutica que possa alterar positivamente o desfecho do seu quadro. Assim, a monitorização neurológica intensiva, utilizando-se do seu caráter multimodal, permite uma avaliação mais confiável e próxima da real condição clínica do seu paciente.

No âmbito da monitorização neurológica podemos destacar novas modalidades como a medida da PO2 cerebral, a oximetria cerebral, a técnica de microdiálise e a ultrassonografia do nervo óptico. A medida da pressão parcial de oxigênio no tecido cerebral (ou PO2 cerebral) é feita através eletrodos implantados em áreas específicas do cérebro e nos permite verificar o balanço regional entre oferta e consumo de oxigênio. Tal método nos fornece informações de uma região pequena de um cérebro que é metabolicamente heterogêneo e, por isso, essa modalidade ainda precisa de estudos que comprovem sua real utilidade na avaliação do paciente neurológico grave.

Já a técnica de oximetria cerebral tem o intuito de avaliar de maneira não invasiva o modo de adequação da oxigenação cerebral. Nessa modalidade um sensor é posicionado sobre a pele da região frontal do paciente e uma luz será emitida ultrapassando os tecidos até chegar ao córtex cerebral; ao chegar em seu destino, essa luz emitida sofrerá uma reflexão pela hemoglobina, seja ela saturada ou insaturada. Como uma grande parte do volume sanguíneo cerebral (80%, aproximadamente) está localizada no território venoso, a técnica de oximetria cerebral representa, basicamente, a saturação venosa de tal região. Ainda não há valores que representem um padrão de normalidade para tal modalidade, contudo esse método tem sua importância na detecção precoce de mudanças na oxigenação cerebral.

          A técnica de microdiálise é feita através da introdução de um cateter de 0,2 a  0,6 mm de diâmetro composto por uma membrana semipermeável em uma região específica do cérebro, geralmente o córtex frontal. Quando já inserido no determinado local, o cateter é perfundido em uma solução de diálise geralmente iônica. O principal objetivo da microdiálise é a determinação quantitativa da concentração de solutos de baixo peso molecular (moléculas pequenas e neurotransmissores) no insterstício. O método é promissor no sentido da detecção de hipóxia ou situações de isquemia a partir da relação quantitativa de lactato/piruvato.

           Por fim, a ultrassonografia do nervo óptico é também um método relativamente novo no âmbito das unidades neurointensivas, e se mostra um exame alternativo para detecção de possíveis aumentos da pressão intracraniana (PIC). E essa associação a aumentos da PIC é feita a partir da medição do diâmetro da bainha do nervo óptico (DBNO). O USG de nervo óptico se mostra um método promissor, por se tratar, principalmente, de um método não invasivo, já que o padrão-ouro da monitorização da PIC é através da inserção de um cateter intraventricular, o que pode acarretar diversas complicações, principalmente infecções.

 

Referência bibliográfica 

AZEVEDO, Luciano César Pontes de; TANIGUCHI, Leandro Utino; LADEIRA, José Paulo. Medicina Intensiva: Abordagem prática. 1.ed. São Paulo: Editora Manole, 2013. 1096p.

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