3449 Publicações -

Médico militar: vale ou não a pena?

há 1 ano     -     
Médico militar: vale ou não a pena?


O médico militar


A carreira militar é bastante peculiar e pode ser incrivelmente realizadora para quem se adequar ao perfil. Costumo dizer aos mais próximos que das instituições públicas nas quais ainda se resguarda e se cultiva a civilidade e o respeito no nosso país, somente as forças armadas surgem em mente.

Embora admire bastante e tenha tido bons momentos durante o serviço militar (o qual tive a honra de prestar no Hospital Geral do Exército em Salvador-BA) a carreira militar tem prós e contras os quais listarei (os principais) de forma objetiva na tentativa de auxiliar quem pretende investir na farda.

PONTOS POSITIVOS:
  • Estabilidade: exceto que cometa um crime militar ou coisa do gênero você não será demitido. O soldo (salário) nunca atrasa e você sabe exatamente quanto ganha hoje e projeta uma boa estimativa de quanto vai ganhar em dez anos.
     
  • Benefícios: aposentadoria integral e em menor tempo que as demais profissões, 13º salário, férias, adicional de férias, soldo extra para o nascimento de cada filho, adicional por mérito (pós-graduação, cursos), auxílio fardamento, moradia subsidiada, facilidade para escola pública de qualidade (colégios militares), plano de saúde (Fusex) são alguns dos benefícios que devem ser colocados na ponta do lápis (calcule quanto custa uma previdência privada por exemplo).
     
  • Ambiente de trabalho e coleguismo: são características inerentes ao círculo militar e há muito respeito entre os colegas e uma grande cordialidade entre os militares. O trabalho é desenvolvido de forma multidisciplinar e existe o respeito as patentes, mas também a parte técnica.
     
  • Hierarquia e disciplina: as bases das forças armadas, embora assustem no início, são elementos com os quais nos acostumamos e incorporamos. No fim, percebi que esses princípios ajudam muito na construção de um ambiente de trabalho que funciona.
     
  • Desenvolvimento pessoal: as forças armadas incentivam o desenvolvimento físico, intelectual e humanístico do militar, através da participação em pós-graduações e cursos (na área médica ou militar), competições desportivas, missões humanitárias. Existem realmente oportunidades de se ter experiências bem motivadoras e enriquecedoras.

    Quer se preparar para os concursos das Forças Armadas? Clique aqui!
     
PONTOS NEGATIVOS:
  • Remuneração: Um guarda-Marinha e o  aspirante-a-oficial (patentes de entrada do médico) ganham como soldo base R$ 5.622,00 (a partir de março de 2015 – Anexo LXXXVII à Lei no 11.784, de 22 de setembro de 2008)(1). É realmente um salário muito aquém do mercado. Embora o médico teoricamente possa chegar Contra-Almirante, General de Brigada e Brigadeiro com soldo de R$ 10.041,00. É triste, mas um oficial General no Brasil ganha o mesmo que um estrangeiro do programa Mais Médicos.
     
  • Carga horária: Em teoria você será militar 24 horas por dia e 7 dias por semana podendo ser chamado a qualquer hora. Na prática, a carga horária é muito variável a depender do local de trabalho (batalhão x hospital) e também do comandante. Nos hospitais trabalha-se em regime de meio expediente com escalas de plantões para cobertura de noite e finais de semana (também varia de acordo com a especialidade), nos batalhões o expediente é de 7h ás 17h.
     
  • Transferências: as transferências pelo território são mais comuns no exército e bem menos na aeronáutica e marinha. O progredir na carreira militar muitas vezes depende dessas movimentações e nem todo mundo está disposto.
     
  • Outras atividades: Na medida que se progride na carreira militar, o oficial tende a assumir cargos de comando e chefia que o tornam mais próximos da administração e menos próximo da parte técnica da medicina. Então tenha isso em mente. O militar de alta patente dificilmente vai ficar atendendo pacientes ou participando de cirurgias, e muito mais provavelmente estará preocupado em resolver problemas, gerar documentos e relatórios, analisar dados e cuidar dos seus subordinados. Embora tenha colocado como ponto negativo, esta percepção depende muito das suas aspirações pessoais para a sua carreira.

Para os colegas homens que desejam conhecer melhor vale a pena servir um ano antes de começar a residência, afinal além de ser um ano de enriquecimento pessoal dá para juntar um “pé-de-meia” para começar a residência com uma reserva de caixa e precisar dar menos plantões fora, aliviando a rotina pesada da residência médica. Lembrando que quem vai de forma voluntária tem a prerrogativa de escolher onde vai servir (hospital e cidade).

Para as colegas mulheres lembrem-se que raramente dentro da carreira médica se têm direitos tão importantes quanto a licença maternidade.



Dr. Caio Nunes
Médico pela UFba
Radiologista pelo HC-FMUSP
2o Tenente / R2 do Exército Brasileiro
Autor do livro " Como escolher a sua residência médica

Originalmente publicado no site Academia Médica
3449 Publicações - 0 Seguidores

  • 3449 Publicações