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Mulheres na Medicina

há 2 meses     -     
Mulheres na Medicina


Verifica-se a tendência consciente de
feminização da medicina. Os  homens ainda são maioria na medicina, porém, a cada ano a diferença diminui e as mulheres estão ingressando cada vez mais na profissão. Esse processo se observa ao longo das últimas décadas e que se acentuou recentemente (Figura 1). Não é à toa que as mulheres já representam 57,4% no grupo de até 29 anos de idade. Mas nem sempre foi assim: as primeiras mulheres a se formarem em medicina no Brasil foi 1918 na Universidade de São Paulo. Proibições, discriminação e preconceito marcaram o início delas, que ousaram desafiar tudo e levar adiante o sonho de se formarem médicas.

 

Fonte: REVISTA BIOÉTICA, 2013

 

Mas além do número crescente, outros fatores chamam a atenção para esse processo: É evidente que as mulheres diferem dos homens na escolha de especializações, na fixação territorial, na jornada de trabalho e no modo de exercício profissional. Entre as residências se destacaram aquelas com ligação mais estreita à atenção básica, como pediatria, medicina da família, clínica médica e ginecologia.

 

Nesta questão devemos chamar a atenção para o fato de que as mulheres costumam escolher a especialidade que consigam administrar melhor a carga horária, tenham melhor qualidade de vida e tempo que possa dedicar à família. Não é à toa que a cirurgia costuma ser uma área predominantemente de homens. Essa situação pode ser caracterizada como fenômeno mundial, embora nos Estados Unidos, Austrália e em países europeus como Inglaterra e Finlândia haja maior equilíbrio entre sexos na Clínica Médica, Medicina de Família, Pediatria e Anestesiologia.

 

A feminiização da medicina vem sendo apontada como um dos grandes fatores da redução da disponibilidade de médicos em atividade em países desenvolvidos. Isto ocorre porque existe uma tendência à jornadas de trabalho menores, assumirem menor volume de serviços, quando comparados aos médico, e são menos propensas a migração territorial, ou seja: menos frequente em interiores e periferias. Em alguns países onde as mulheres são maioria na área, como a Rússia e Estônia, a profissão passou a ser considerada ocupação de baixo status. Isso ocorreu porque, como na maioria das profissões, as mulheres acabam recebendo menos do que os homens.

 

Em contrapartida, alguns autores afirmam que as mulheres médicas são mais propensas do que seus colegas masculinos a harmonizar a relação médico-paciente, devido ao fato de adotarem estilos mais democráticos de comunicação, promovem relacionamentos colaborativos, discutem mais os tratamentos e envolvem os pacientes nas tomadas de decisão. Também existem estudos que mostram que as condutas e práticas das mulheres médicas podem conduzir à melhor eficácia das ações preventivas; se adequem mais facilmente ao funcionamento e à liderança de equipes multidisciplinares de saúde e; levam a otimizar recursos, pois são menos inclinadas a incorporar tecnologias desnecessárias, atendem mais adequadamente às populações em contextos de vulnerabilidade, e respondem a situações que requerem a compreensão de singularidades dos pacientes

 

Com lados positivos e negativos, assim como uma medicina mais masculina, nos basta observar essa mudança demográfica entre os médicos e tentar diminuir os prejuízos dessa feminização. O que acham desse processo? Conta pra gente!

 

Até a próxima!



REFERÊNCIA:
 

1: CORSI, Paulo Roberto et al . Fatores que influenciam o aluno na escolha da especialidade médica. Rev. bras. educ. med.,  Rio de Janeiro , v. 38, n. 2, p. 213-220, June 2014 . Available from . access on  19 Dec. 2018. http://dx.doi.org/10.1590/S0100-55022014000200008.

 

2: SCHEFFER, Mário César; CASSENOTE, Alex Jones Flores. A feminização da medicina no Brasil. Rev. Bioét.,  Brasília , v. 21, n. 2, p. 268-277, Aug. 2013 . Available from . access on  19 Dec. 2018. http://dx.doi.org/10.1590/S1983-80422013000200010.


 
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