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O que rolou no encontro da American Heart Association 2018

há 4 meses     -     
O que rolou no encontro da American Heart Association 2018

 

Tudo o que mudou no Encontro Anual da American Heart Association!

No último final-de-semana aconteceu em Chicago o Encontro Anual da American Heart Association e hoje vamos trazer o que rolou de mais interessante lá:

1)  Nova Diretriz Americana De Colesterol

No geral, não houveram mudanças tão radicais. Mas a Equipe do Carreira Médica  destacou as mais importantes que você precisa conhecer:

 

Fazer o acompanhamento do perfil lipídico do paciente 1 a 3 meses após início da estatina para observar a resposta ao tratamento e checar aderência. Depois disso, repetir apenas a cada 3 a 12 meses.

Caso o paciente tenha doença cardiovascular, deve-se utilizar a estatina na maior dose tolerada com o intuito de reduzir o LDL em 50% ou mais.

Pacientes de muito alto risco o ideal é o LDL fique abaixo de 70 mg/dL. Caso a estatina não seja suficiente, iniciar Ezetimiba, caso ainda não seja suficiente, iniciar inibidores da PCSK9. Na última recomendação, era ezetimiba OU PCSK9.

Caso o paciente tenha LDL maior ou igual a 190, o objetivo é que esteja abaixo de 100 mg/dL. Seguindo o mesmo fluxo abordado acima.

É destacado que os inibidores da PCSK9 possuem segurança ainda não determinada após 3 anos de uso e que o custo-benefício dessas medicações ainda é bem discutível.

Usar as calculadoras de risco CV, principalmente em pacientes entre 40 e 75 anos e que não tenham os fatores de risco (DM, doença cardiovascular manifesta, LDL > 190mg/dL). Caso o risco seja maior que 7,5%, a tendência é prescrever estatina. A dose nesse caso é moderada, visando a redução do LDL em > 30%. Caso o risco seja maior que 20% em 10 anos, deve-se ser mais agressivo.

Se o paciente estiver entre 7,5% e 19,9%, e você está na dúvida se prescreve estatina é bom pedir o escore de Cálcio. Caso seja zero, dá segurança de manter o paciente sem estatina. Entre 1 e 99 a tendência é de usar e acima de 100 fala fortemente a favor do uso.

Parece óbvio, mas: Fatores que aumentam o risco cardiovascular do paciente devem pesar na decisão de prescrever ou não estatina. São estes: história precoce de eventos cardiovasculares na família, LDL persistentemente maior ou igual a 160 mg/dL, síndrome metabólica, DRC, história de pré-eclâmpsia ou de menopausa precoce (<40 anos), doença inflamatórias crônica, grupos étnicos de maior risco (ex: asiaáticos), triglicerídios maior ou igual 175 mg/dL, ApoB >= 130 mg/dL, PCR>= 2 mg/dL, Lipoproterína A >= 50 mg/dL. Estes pacientes devem ser considerados para terapia com estatina mesmo com o risco CV entre 5 e 7,5%

 

2) Metotrexato para eventos ateroscleróticos

A inflamação é casualmente relacionado com risco de aterosclerose. Tratamentos com anticorpo monoclonal que inibe a inflamação neutralizando a interlecuina -1beta resultam em uma menor taxa de eventos cardiovasculares do que placebos. Se baseando nisso, o estudo que foi publicado concomitantemente no New England Journal of Medicine (NEJM), testou o uso do anti-inflamatório Metotrexato na prevenção de doenças cardiovasculares. Uma das maneiras de verificar os benefícios do fármaco para este fim seria pela diminuição dos níveis de interleucina-1β, interleucina 6 e proteína C-reativa.

O estudo randômico e duplo cego constou com 4.786 participantes, os quais já tinham sofrido um Infarto Agudo do Miocárdio ou doença coronariana multiarteria. Eles receberam 1 mg de ácido fólico, depois foram divididos aleatoriamente em dois grupos: O primeiro foi medicado com metotrexato (n=2.391) e o segundo recebeu placebo (n=2.395). O tempo de follow up foi de 2,3 anos. Comparando os dois grupos, a taxa de incidência de eventos cardiovasculares ficou em 4,13 vs. 4,31 por 100 pessoas-ano (Hazard ratio 0,96, IC 95% [0,79-1,16]). Além de não ter eficácia comprovada, o uso do metotrexato foi associado à elevação nos níveis de enzimas hepáticas. O MTX, por sua vez, não diminuiu os níveis de interleucina-1β, interleucina 6 e proteína c-reativa.

3) Sacubitril-valsartana e Insuficiência cardíaca aguda

Este estudo, que também teve publicação no NEJM, foi realizado com 881 pacientes com idade média de 61 anos, diagnosticados com insuficiência cardíaca  aguda. Eles foram divididos em 2 grupos: O primeiro recebeu sacubitril-valsartana (97 mg e 103 mg respectivamente, 2 vezes ao dia) e o segundo recebeu 10mg de Enalapril.

O tempo médio de redução no marcador NT-proBNP, que indica o grau de severidade da insuficiência cardíaca, foi significantemente maior no grupo sacubitril-valsartana do que no grupo enalapril. A razão de mudança (ratio of change) foi de 0,53 vs 0,75 (percentual de redução -46,7% vs -25,3). Se comparado o primeiro grupo em relação ao segundo, a taxa ficou em 0,71 (IC 95% [0,63-0,81]; P<0.001). A maior redução na concentração do marcador NT-proBNP no primeiro grupo se mostrou superior ao segundo logo na primeira semana (ratio of change 0,76; IC 95% [0,69-0,85]).Assim, entre os pacientes com IC aguda com fração de ejeção reduzida que estão hospitalizados por descompensação aguda, começar a terapia de Sacubitril-Valsartana leva a uma maior redução do NT-proBNP concentração comparado com a terapia de Enalapril.

4)  Dapagliflozin (inibidor da SGLT-2) e as doenças Cardiovasculares

Este medicamento hipoglicemiante, inibidor do co-transportador Sódio-Glicose 2, foi testado quanto a proteção para efeitos cardiovasculares maiores, como infarto agudo do miocárdio, AVC ou morte por causa cardiovascular em adultos com diabetes tipo 2 (DM 2). Entretanto, não houve uma taxa maior ou menos desses efeitos em comparação com Placebo. Mesmo assim, a taxa de mortalidade  e de internamentos por insuficiência cardíaca foi menor.  Ressaltando sua importância no tratamento de pacientes com IC e DM.

5) Outras Diretrizes 

Também foram lançadas as Diretrizes de Bradicardia e Atraso na Condução Cardíaca e O Consenso Internacional de Ressucitação Cardiopulmonar e Ciência de Emergência Cardiovascular com Recomendações de Tratamento .

Esses foram os estudos e diretrizes que achamos mais relevante para o médico generalista! Mas caso você tenha mais interesse no assunto, dá uma olhada no site deles aqui.

Até a próxima!

Equipe do Carreira Médica


REFERÊNCIAS:

Cardiopapers;  Disponível em: https://cardiopapers.com.br/quais-os-principais-pontos-da-nova-diretriz-americana-sobre-colesterol/

Paul M Ridker, M.D. Low-Dose Methotrexate for the Prevention of Atherosclerotic Events. Disponível em: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1809798

Angiotensin–Neprilysin Inhibition in Acute Decompensated Heart Failure. Disponível em: https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1812851

Stephen D. Wiviott. Dapagliflozin and Cardiovascular Outcomes in Type 2 Diabetes. https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1812389?query=featured_home


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