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Pancreatite Crônica Agudizada

há 1 ano     -     
Pancreatite Crônica Agudizada

 

PANCREATITE CRÔNICA AGUDIZADA

Paciente sexo masculino, pardo, 25 anos, solteiro, natural e procedente de Salvador-Ba, há cerca de 02 meses, internado por quadro de astenia, desidratação e desnutrição importante associada a vômitos. Sem demais queixas no momento da consulta. Nega alergias. Não apresenta outras comorbidades. Faz uso de Tenofovir e Zolpidem (Stilnox®). TARV há 05 meses.    

Exame físico geral: Nível de consciência vigíl, lúcido e orientado no tempo e espaço, mucosas hipocoradas 3+/4+, sem linfonodos palpáveis, afebril, anictérico, acianótico, hemodinamicamente estável, eupneico e padrão ventilatório confortável em ar ambiente.

Sinais Vitais: Pressão arterial – 90 x 60 mmHg, Frequência Cardíaca – 80 bpm, Frequência Respiratória – 15 ipm.

Exame respiratório: Murmúrio Vesicular presente e bem distribuídos bilateralmente em todo hemitórax sem ruídos adventícios, som claro pulmonar a percussão, expansibilidade preservada bilateralmente.

Exame Cardíaco:  Ritmo cardíaco regular em 02 tempos sem sopros, bulhas rítmicas e normofonéticas.

Exame Abdominal: Abdome escavado, ausência de cicatrizes cirúrgicas e circulação colateral, cicatriz umbilical normotrusa e centralizada, ruídos hidroaéreos presentes, timpanismo à percussão do abdome, levemente doloroso a palpação do epigástrio, não há visceromegalias ou massas detectáveis à palpação. 

 

Exames complementares:

CD4 245 e CV 176 há 15 dias.

Endoscopia digestiva alta: Lesão elevada em piloro associada a semioclusão pilórica e subestenose duodenal, além de estase esofágica e gástrica, anatomopatológico com resultado inespecífico.

Tomografia computadorizada de abdome com contraste: Lesão edemaciada e com áreas de necrose em cabeça de pâncreas, com efeito de massa em duodeno.  

Realizada a punção de material pancreático através de ecoendoscopia, biópsia compatível com cisto não mucinoso, inflamatório, aguarda imunohistoquimica.  

Realizou CPRE com colocação de prótese pancreática, sem intercorrências.

Suspeitas Diagnósticas: Semioclusão pilórica – compressão extrínseca; Pancreatite de Groove; Pancreatite Infecciosa; Pancreatite Neoplásica;

Hipótese diagnóstica: Pancreatite Crônica com agudizações por B24 (Doença pelo vírus da imunodeficiência humana [HIV] não especificada).

 

DISCUSSÃO

As pancreatites crônicas (PC) se caracterizam, do ponto de vista anátomo-patológico, pela fibrose progressiva do parênquima glandular, inicialmente focal e, a seguir, difusa por todo o pâncreas. Do ponto de vista evolutivo, geralmente há persistência das lesões, mesmo com a retirada do fator causal, determinando alterações pancreáticas residuais anatômicas e funcionais.

Manifestações clínicas observadas em pacientes portadores de pancreatite crônica: Dor abdominal; Emagrecimento; Esteatorreia; Diabetes; Icterícia; Pseudocistos; Derrames cavitários; Hemorragia digestiva.

O diagnóstico laboratorial da PC se fundamenta na avaliação da função exócrina da glândula, com identificação de insuficiência exócrina pancreática (IEP). Esta, porém, não é específica da PC, pois pode estar relacionada a outras alterações pancreáticas, como obstruções ductais (benignas e malignas), fibrose cística do pâncreas e anomalias congênitas, entre outras. As dosagens séricas da amilase e da lipase têm baixa sensibilidade para a PC, embora, quando elevadas, nos induzam ao diagnóstico de agudização da PC ou de complicações, como pseudocisto. 

O pseudocisto pancreático pode ser definido como uma coleção organizada, rica em enzimas pancreáticas, que surge como consequência e permanece após um episódio de pancreatite aguda, ou após exacerbação de uma PC. Desenvolve-se quando o ducto pancreático principal ou um dos seus ramos se rompe, liberando secreção pancreática para o retroperitônio ou para os planos peritoniais peripancreáticos. Sua parede é formada por uma cápsula fibrosa, sem epitélio próprio.

A CPRE deve ser indicada criteriosamente, devido a seu potencial de complicações, mas, dentre as modalidades de imagem, é a que melhor oferece visão anatômica e dinâmica do ducto pancreático. É importante para caracterizar a comunicação entre o pseudocisto e o ducto pancreático, e na suspeita de síndrome de desconexão distal. A ecoendoscopia, além do estudo morfológico, permite obter material para análise bioquímica e citopatológica na dúvida diagnóstica.

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