PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA INSUFICIÊNCIA VENOSA CRÔNICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA

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PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA INSUFICIÊNCIA VENOSA CRÔNICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA

PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DA INSUFICIÊNCIA VENOSA CRÔNICA NA ATENÇÃO PRIMÁRIA EM BRAGANÇA PAULISTA-SP. 

Caio Henrique Galvão Urzelin*, Vitor Piquera de Oliveira**.

*Discente do 10° semestre do curso de medicina da Universidade São Francisco.

**Orientador e docente do curso de medicina da Universidade São Francisco.

RESUMO:

INTRODUÇÃO: A insuficiência venosa crônica (IVC) é definida como uma anormalidade do funcionamento do sistema venoso causada por uma incompetência valvular (congênita ou adquirida), associada ou não a? obstrução do fluxo venoso, podendo afetar o sistema venoso superficial, o sistema venoso profundo ou ambos. Sendo uma doença extremamente prevalente na população brasileira que em suas formas mais graves é capaz de gerar prejuízos para a vida diária do doente. MÉTODO: Representa um estudo ecológico transversal que visa categorizar epidemiologicamente a IVC no município de Bragança Paulista – SP, no período de 29/03/2016 a 11/04/2016, no nível primário de atenção a saúde, utilizando como local para coleta de dados os postos de saúde Nilda Coli e Madre Paulina. Foram coletados dados de 79 pacientes consultados no período estabelecido, sendo 58 do sexo feminino e 21 do sexo masculino e separados por faixas etárias (adulto jovem, adulto e idoso). RESULTADO: Avaliando a população geral estudada, pode-se observar que 24% dos pacientes não apresentam sinais de patologia venosa, 20% apresentam teleangiectasias, 14% foram classificados como CEAP C2, 32% dos pacientes estão classificados como CEAP C3, 4% apresentaram alterações tróficas da pele, cerca de 1% da população estudada foi classificada como CEAP C5, e cerca de 5% apresentou úlceras em atividade nos MMII. Ainda sobre a população geral estudada, observou-se que nos adultos jovens o CEAP C0 foi o mais prevalente com cerca de 50% do total nessa faixa etária, seguido de 34% de pacientes classificados como CEAP C1. Ao mesmo tempo, pode-se observar que em adultos houve maior prevalência dos pacientes configurados como CEAP C2 e CEAP C3, com 23% cada. Na população idosa estudada, observou-se predominância do CEAP C3 com cerca de 62% dos pacientes avaliados nessa faixa etária CONCLUSÃO: O estudo demonstrou que a IVC tem maior prevalência com o avançar da idade, assim como a presença de formas mais graves e avançadas da doença. Também foi capaz de demonstrar que o sexo feminino é mais acometido que o sexo masculino. E demonstrou que gestantes, apesar de graus menores de IVC, apresentaram com uma idade precoce o desenvolvimento inicial da patologia. 

DESCRITORES: Varizes, Insuficiência Venosa, Perfil de Saúde, Atenção Primária a Saúde/Atenção Primária.

KEYWORDS: Varicose veins, Venous Insufficiency, Health Profile, Primary Health Care. 

INTRODUÇÃO:

A insuficiência venosa crônica (IVC) é definida como uma anormalidade do funcionamento do sistema venoso causada por uma incompetência valvular (congênita ou adquirida), associada ou não a? obstrução do fluxo venoso, podendo afetar o sistema venoso superficial, o sistema venoso profundo ou ambos1.

Representa uma doença comum na prática clinica, e suas complicações, principalmente a úlcera de estase venosa, causam morbidade significativa. A ulceração afeta a produtividade no trabalho, gerando aposentadorias por invalidez, além de restringir as atividades da vida diária e de lazer. Para muitos pacientes, a doença venosa significa dor, perda de mobilidade funcional e piora da qualidade de vida2.

A prevalência de insuficiência venosa crônica na população aumenta com a idade1. Na Europa, em adultos entre 30 e 70 anos de idade, 5 a 15% apresentam essa doença, sendo que 1% apresenta úlcera varicosa. Nos Estados Unidos, em torno de 7 milhões de pessoas têm IVC, a qual é a causa de 70 a 90% das úlceras de membro inferior3,4. Maffei et al.5, em um estudo epidemiológico de alterações venosas de membros inferiores da população de Botucatu- SP, avaliou 1775 pacientes, estimando uma prevalência de varizes de 35,5% e de formas graves de IVC, com úlceras abertas ou cicatrizes de úlceras prévias de 1,5%.

Em relação aos fatores de risco estabelecidos para a patologia em questão, destacam-se a idade acima dos 50 anos, a hereditariedade, a força hidrostática gravitacional e os hormônios sexuais femininos, fato que explica a maior propensão a doença e sintomas em mulheres6.

Diversas classificações foram propostas ao longo dos anos visando padronizar os graus da IVC. Atualmente a classificação de CEAP (clinical signs; etiology; anatomic distribution; pathophysiology) foi padronizada e portanto é utilizada para categorizar a doença, permite avaliar a IVC perante os sinais e sintomas clínicos, a etiologia, a distribuição anatômica e fisiopatologia da doença, sendo a utilização dos sinais e sintomas clínicos dos pacientes a forma mais utilizada para classificar a patologia.

Dessa forma define-se como CEAP C0 a ausência de sinais visíveis ou palpáveis de doença venosa, CEAP C1 a presença de teleangiectasias e/ou veias reticulares, CEAP C2 a presença de veias varicosas, CEAP C3 a presença de edema, CEAP C4 a presença de alterações tróficas da pele (hiperpigmentação, eczema, dermatite ocre, lipodermatofibrose), CEAP C5 presença de cicatriz de úlcera prévia curada e CEAP C6 a presença de úlcera ativa7,8.

Atualmente o tratamento para IVC é resultado de uma série de medidas que somadas promovem melhora clinica e inversão do processo fisiopatológico, visando evitar a progressão até ulceras venosas de estase2. A terapia baseia-se na interação entre a compressão elástica, utilização de drogas vasoativas e procedimento cirúrgico quando corretamente indicado9,10. No caso de úlceras venosas já estabelecidas o tratamento é focado na utilização de curativos do tipo Bota de Unna e drogas vasoativas10,11.

 

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