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Política Nacional de Humanização do SUS – Uma Política Transversal

há 1 ano     -     
Política Nacional de Humanização do SUS – Uma Política Transversal

           Hoje abordaremos uma das políticas de saúde mais importante para a mudança do processo de trabalho do SUS: a PNH. Sua implementação se dá através de mudanças das relações entre os atores envolvidos no processo do cuidado – usuários, gestores e trabalhadores e da materialização dos princípios, diretrizes, marcas e prioridades, sem esquecer dos dispositivos definidos para “pôr em prática” o que consta no “papel”.

            Os inúmeros avanços no campo da saúde pública brasileira verificados especialmente ao longo de mais de duas décadas convivem, de modo contraditório, com problemas de diversas ordens.

 

 

Para a construção de uma política de qualificação do SUS, a humanização deve ser vista como uma das dimensões fundamentais, não podendo ser entendida como apenas um programa a mais a ser aplicado aos diversos serviços de saúde, mas como uma política que opere transversalmente em toda a rede SUS.

 

 

         Entre tantos outros importantes movimentos que fazem parte do SUS e se entrelaçam com ele, a PNH tem se afirmado em defesa do direito à saúde, em defesa da vida e em defesa da democracia nas organizações, respondendo a uma demanda social por humanização na atenção e na gestão. 

         A mobilização social e a transversalidade convocam a PNH a um esforço de abordagem ampliada na compreensão e na ação diante dos problemas e desafios do SUS. É por isto mesmo, que a PNH não se apresenta como uma política específica de nenhum tipo de serviço de saúde, especialidade profissional ou âmbito gerencial no SUS, de forma que o enfoque sobre as demais políticas de saúde, sem se contrapor a abordagens especializadas, busca compor com elas.

 

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         Neste movimento de múltiplas conexões, tanto nos espaços dos serviços de saúde, de governos, quanto acadêmico, a Política de Humanização vem também – e não se imaginaria de outra forma – se modificando, ampliando suas experimentações, ratificando sua função e tarefa no SUS: humanização como estratégia de democratização da gestão e das práticas de saúde.

 

 

         Democratização, como substantivo, impõe a inclusão da diferença na ação política e institutional. Assim, humanizar é um processo ativo e sistemático de inclusão.

         A Política de Humanização tem compreendido, em sintonia com as discussões atuais nos espaços de gestão e acadêmico, que a atenção básica é espaço significativo para a qualificação do SUS como política pública. Isto porque, de um lado, favorece a produção de vínculos terapêuticos entre sistema/equipes e usuários/redes sociais, sem a qual a ação clínica corre o risco de ser corrompida por tecnologias medicalizantes, as quais ao invés de reconstruir ratificam posição subalterna da atenção básica no sistema de saúde e na cultura sanitária na nação; de outro lado, exatamente esta vinculação com corresponsabilização é que permite a organização de cuidado em rede, pois o vínculo inequívoco entre equipe-usuário é força-motriz para o acionamento dos demais equipamentos de saúde do território, permitindo avançar na composição de ofertas de atenção à saúde de forma organizada e em sintonia com as singularidades das situações.

 

 

 

 

 

A humanização como uma política transversal supõe necessariamente ultrapassar as fronteiras, muitas vezes rígidas, dos diferentes saberes/poderes que se ocupam da produção da saúde.

 

 

 

TEMAS TRANSVESAIS 

 

          Entendemos, entretanto, que tal situação de transversalidade não deve significar um ficar fora, ou ao lado, do SUS. 

 

 

 

A humanização deva caminhar, cada vez mais, para se constituir como vertente orgânica do Sistema Único de Saúde. Mas, também que sua afirmação como política transversal garanta este caráter questionador das verticalidades com o qual estamos na saúde sempre em risco de nos ver capturados.

 

 

 

          A humanização se define: aumentar o grau de corresponsabilidade dos diferentes atores que constituem a rede SUS no cuidado à saúde. Implica mudança da cultura da atenção dos usuários e da gestão dos processos de trabalho.

 

 

          Tomar a saúde como valor de uso é ter como padrão na atenção o vínculo com os usuários, é garantir direitos dos usuários e seus familiares, é estimular a que eles se coloquem como protagonistas do sistema de saúde através de sua ação de controle social, mas é também ter melhores condições para que os profissionais efetuem seu trabalho de modo digno e criador de novas ações e que possam participar como cogestores de seu processo de trabalho.

         A humanização supõe troca de saberes (incluindo os dos usuários e de sua rede social), diálogo entre os profissionais, modos de trabalhar em equipe. E aqui vale ressaltar que não estamos nos referindo a um conjunto de pessoas reunidas eventualmente para resolver um problema, mas à produção de uma grupalidade que sustente construções coletivas, que suponha mudança entre seus componentes.

 

HumanizaSUS é o caminho!

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