Pós-mastectomia e a atuação do fisioterapeuta

há 1 ano     -     
Pós-mastectomia e a atuação do fisioterapeuta

PÓS- MASTECTOMIA E A ATUAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA

Alexsandro Barroso Pantoja*; Lorena Gonçalves Leal**

 

* Acadêmico de fisioterapia 4º período e integrante da LASM.

** Docente de enfermagem e coordenadora da LASM.

 

O Câncer de mama hoje segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva) é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do câncer de pele não melanoma, respondendo por cerca de 25% dos casos novos a cada ano, e como a maioria dos cânceres tem um tratamento muito agressivo que acaba trazendo grandes mudanças fisiológicas e físicas para quem vive com essa doença. Por isso, a importância de um bom acompanhamento fisioterápico tanto no pré-tratamento, durante o tratamento e após o tratamento, com principal objetivo de minimizar as possíveis sequelas que essa doença pode causar, sejam elas esteticamente (inchaço do braço, acúmulo de líquido), como físicas (dores, perca de amplitude de movimento, fraqueza no membro,...), com isso a fisioterapia assume um papel fundamental na prevenção, diminuição e resolução dessas complicações.

Quanto antes a paciente que passou por uma mastectomia chegar para a fisioterapia mais rápida e menos dolorosa será a sua recuperação. Após a cirurgia independente do tipo, é provável que em alguns meses a paciente note um inchaço no braço do mesmo lado da cirurgia, isso ocorre porque na maioria dos casos de mastectomias ocorrem a retirada dos linfonodos que ficam próximos as axilas e que auxiliam a drenar o líquido intersticial daquela região e a fisioterapia com técnicas manuais consegue pelo menos minimizar esse acúmulo e até a própria paciente após uma boa orientação do seu fisioterapeuta consegue fazer uma alta massagem em casa.

Após este tipo de cirurgia as recomendações seriam examinar o local da incisão cirúrgica, observar qualquer mudança de temperatura, examinar a outra mama a procura de massas suspeitas, deve evitar machucar o membro do lado da mama operada, realizar os devidos cuidados com o dreno, realizar a troca diária dos curativos sempre na técnica asséptica. A paciente deve evitar realizar retirada de sangue, injeções, aferir pressão arterial do lado operado.

As massagens que pode ser ensinadas e recomendadas para a paciente possa realizar no seu domicílio seria colocação de compressa fria no local e utilizar materiais que ela possui acesso em casa como bola, elásticos, cabo de vassoura.

A dor e a perca de amplitude do cíngulo do membro superior e do braço também são queixas comuns, a dor pode ser aliviado com analgésicos receitados pelo médico, a enfermagem pode auxiliar com a troca dos curativos e cuidados assépticos com dreno, mas a fisioterapia também conta com equipamentos que juntos com os remédios ajudam no controle da dor, podendo empregar técnicas de eletroterapia conhecida popularmente como “choquinhos”. Quando se fala em perca de amplitude, se diz respeito a algumas limitações de movimentos que a mastectomia traz para a paciente, atos simples como colocar a mão na nuca, prender o sutiã, levantar o braço ou levar a comida até a boca se tornam mais difíceis, por isso a fisioterapia conta com exercícios cinesioterápicos que ajudam na liberação e fortalecimento daquele membro acometido (músculo, articulações e todo o seu complexo).

Cada exercício cinesioterápico deve ser realizado a repetição de dez vezes. Com o auxílio de uma bola leve, oriente-a elevar com os braços estendidos para fortalecimento da musculatura da região dorsal e cervical. Com o auxílio de um elástico realizará uma rotação interna e externa do ombro para fortalecimento dos músculos do ombro e do braço. Com o auxílio de um cabo de vassoura deve elevar acima da cabeça deixando o membro estendido em 180º e depois retornar os membros em 90º. Com uma bolinha, peça para apertar na mão para fortalecimento dos músculos desta região, realizar flexão e extensão no cotovelo.

 

Com tudo isso fica bem claro que a fisioterapia tem um papel de suma importância no pós-operatório de mastectomia, mas tudo isso levando em conta e respeitando o corpo da paciente, o/a fisioterapeuta precisa também ser especializado na área de oncologia, fazer uma boa avaliação estando sempre bastante atento as mudanças e evoluções do caso, é importante ainda ressaltar que a paciente pós mastectomia, muitas vezes desenvolvem baixa autoestima por conta da retirada da mama, algo tão íntimo seu, e neste caso não se exclui a inclusão de acompanhamento psicológico, para auxiliar no tratamento, tudo isso com objetivo final de fazer com que a paciente, volte a uma vida normal sem grandes sequelas.

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