PROFISSIONAIS DO SEXO E SAÚDE MENTAL

há 1 ano     -     
PROFISSIONAIS DO SEXO E SAÚDE MENTAL

Saúde ocupacional é um tema em crescente discussão. Muitas profissões estão associadas a um aumento da incidência de doenças diversas, estando muitas vezes implicadas com prejuízos à saúde mental, inclusive. No caso de profissionais do sexo, independente de gênero, há um claro aumento de distúrbios psicológicos. Estudos mostraram prevalência de doenças mentais em cerca de 50% dos participantes, valor bem mais alto do que o da população geral. Essa diferença permanece mesmo com ajuste para outras variáveis, como idade, uso de drogas ou trauma psicológico pré-existente.

            As razões para esses dados não estão estabelecidas. Algumas pessoas defendem que fatores de risco para doenças levam pessoas para essa profissão, enquanto outras acreditam que a natureza do trabalho é mais importante para o aparecimento dessas condições. Um estudo suíço realizado com mulheres trabalhadoras do sexo, no entanto, traz à luz outro tópico fundamental para a discussão – o tipo de trabalho realizado. Algumas profissionais do sexo apresentam risco maior que outras. Uma análise detalhada pode dividir as profissionais em 4 grupos: nessa análise o grupo com maior prevalência apresentou 90% de casos positivos. Ele era formado por mulheres, em sua maioria não europeias, trabalhando na rua, com baixo suporte social e altos índices de pressão, violência e estupro. Na outra ponta, o grupo formado por mulheres de origem europeia, trabalhando em estúdios ou bordéis, com alto suporte social e relativamente baixa violência, pressão e índices de estupro, apresentou prevalência de distúrbios psicológicos bastante similar ao da população americana feminina, por exemplo. Outro estudo com resultados similares concluiu que as condições sob as quais é realizado o trabalho apresentam maior influência na saúde mental do que a natureza do trabalho.

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            Sexo por dinheiro, independentemente de você ser contratante ou contratado, na maioria das vezes (essa informação pode assustar algumas pessoas) é sexo – sem conexão emocional e adicionando uma transação financeira. O peso do estigma e a marginalização social da profissão parece ser mais prejudicial do que a profissão por si mesma.

            Estar preparado para receber e auxiliar na solução das dificuldades trazidas por qualquer pessoa deve ser parte central da formação de todos os profissionais da saúde. A despeito de nossas crenças individuais, estamos comprometidos com a melhoria da vida daqueles que procuram o nosso auxilio. Conhecer a realidade por eles enfrentada é fator fundamental para atuar positivamente. Com esses dados, procuramos mostrar a necessidade de mais pesquisas, menos estigma e, principalmente, a necessidade de busca por ações que reduzam os desafios enfrentados por esse grupo. Como profissionais da saúde é fundamental tomar uma posição e exigir dos nossos representantes políticas públicas específicas para esta e outras populações de risco.

 

Referências:

http://goo.gl/F0TBFH

https://goo.gl/iSvk0r

https://goo.gl/8nvH5q

http://goo.gl/cWK0OH

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