Protocolo eFAST

há 1 ano     -     
Protocolo eFAST

Protocolo eFAST

 

O trauma é considerado a terceira maior causa de óbitos nos EUA e a primeira em indivíduos abaixo de 40 anos e, de todas as mortes por trauma, metade destas poderiam ser evitadas. Isso significa que, das cerca de 130 mil mortes ocorridas no Brasil por ano, mais de 50% delas poderiam não ocorrer.

Os traumatismos abdominais com lesão de vísceras podem evoluir para síndrome de perfuração ou síndrome hemorrágica, devendo ser rapidamente diagnosticadas para um melhor prognóstico. Apesar da tomografia computadorizada ser o método de diagnóstico por imagem não invasivo mais acurado para detectar lesões em traumatismos abdominais fechados, possui sérias desvantagens, como a necessidade de mobilização do paciente e a utilização de radiação ionizante. Dessa forma, a ultrassonografia, apesar de não ser tão precisa, é o método mais adequado para realizar o rastreamento desses pacientes, sobretudo os hemodinamicamente instáveis.

Há 30 anos cirurgiões da Europa e do Japão têm utilizado o protocolo FAST (focused assessment with sonography for trauma) na avaliação do paciente com trauma abdominal, com a finalidade de conseguir responder apenas duas perguntas: Há liquido livre/sangue livre no abdome? Há liquido livre/ sangue no pericárdio?

Assim, o protocolo FAST consiste em analisar quatro pontos em busca de líquido ou sangue, sendo:

1 - Corte longitudinal do quadrante superior direito para análise do fígado, rim direito e espaço de Morison

2 - Corte longitudinal do quadrante superior esquerdo para analisar fim esquerdo, baço e espaço esplenorrenal

3 - Cortes transversais da região suprapúbica para análise da bexiga e recessos retoutrino e retrovesical

4 - Corte transverso subxifóide para pesquisar presença de derrame pericárdico e lesões no lobo esquerdo do fígado.

Além desses cortes, o protocolo FAST recebeu uma extensão (eFAST) sendo adicionados cortes longitudinais das bases torácicas direita e esquerda para pesquisar derrame pleural e pneumotórax, visto que são imagens de rápida aquisição e de importante valor diagnóstico.

O exame ultrassonográfico utilizando-se o protocolo FAST pode ser realizado em 3 a 5 minutos e possui uma acurácia satisfatoriamente alta na detecção de líquido livre ou sangramentos. Nesse contexto, propõe-se a utilização do seguinte algoritmo:

Achados positivos e seguimento terapêutico:

 - Hemodinamicamente estáveis: completar a avaliação com tomografia computadorizada

 - Hemodinamicamente instáveis: Laparotomia exploradora (CC) deveria ser realizada emergencialmente.

 

Achados negativos no exame FAST:

 - Hemodinamicamente estáveis: complementação com TC e observação clinica

 - Hemodinamicamente instáveis: pesquisar outra causa de sangramento (extra-abdominal) ou intervir através de laparotomia exploradora.

 

 

Assim, deve-se destacar que a ultrassonografia se mostra, através de uma tecnologia portátil, como um exame prático, seguro e rápido, cuja utilização, associada aos dados clínicos do paciente, dentro do cenário de emergências e terapia intensiva, fornece dados importantes para a condução terapêutica. Sendo, portanto, mais uma importante alternativa diagnóstica para o manejo de pacientes críticos.

Entretanto, apesar de sua crescente e valorizada utilização no meio clínico, possui algumas limitações relacionadas a utilização de ultrassonografia como método de aquisição de imagem. Dentre tais limitações, podem ser destacadas a presença de obesidade, enfisema subcutâneo, distensão abdominal, cirurgia abdominal prévia;  a dificuldade de determinar a etiologia do líquido livre; o fato de ser um exame operador-dependente; a influência do biótipo e da cooperação do paciente na sala de emergência, bem como do espaço físico inadequado para realização de exame ultrassonográfico, devido a presença de muita luz, por exemplo; e também a incapacidade de diferenciar ascite de hemorragia intraperitoneal.

 

Liga Acadêmica de Medicina Intensiva (UNIME)

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