Psicologia Escolar: o que é, o que faz e onde atuar

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Psicologia Escolar: o que é, o que faz e onde atuar


Psicologia Escolar: o que é, o que faz e onde atuar

A Psicologia Escolar/Educacional pode ser entendida como um campo de reflexão teórica, de pesquisa e de intervenção profissional. Bardon (1989), citado por Gomes (2012), aponta que a Psicologia aplicada à Educação é um produto do desenvolvimento da Psicologia, decorrendo particularmente da Psicologia Clínica, da Educação e da Educação Especial.

Nesse artigo, o assunto se dividirá em 2 tópicos:

  • Definição da Psicologia Escolar
  • Atuação do psicólogo escolar
     

História e definição da Psicologia Escolar

Sua origem está atrelada às reais necessidades educacionais e escolares, principalmente no que se refere aos problemas de aprendizagem e problemas comportamentais dos alunos. Segundo Marinho-Araújo e Almeida (2010), a relação entre a Psicologia e Educação, deve refletir uma interdependência entre processos psicológicos e processos educacionais que privilegie a concepção histórica da constituição humana.

É necessário entender os conceitos presentes nos termos da expressão Psicologia Escolar e Psicologia Educacional, de acordo com Antunes (2008):

  • Psicologia Educacional ou Psicologia da EducaçãoSubárea da Psicologia (subárea de conhecimento) que tem por finalidade produzir saberes sobre o fenômeno psicológico no processo educativo.
     
  • Psicologia Escolar: Define-se pelo âmbito profissional e refere-se a um campo de ação determinado (o processo de escolarização), tendo por objeto a escola e as relações que aí se estabelecem; fundamenta sua atuação nos conhecimentos produzidos pela psicologia da educação, por outras subáreas da psicologia e por outras áreas de conhecimento.

 Deve-se, pois, sublinhar que psicologia educacional e psicologia escolar são intrinsecamente relacionadas, mas não são idênticas, nem podem reduzir-se uma à outra, guardando cada qual sua autonomia relativa. (ANTUNES, 2008, p. 470)
 
Mitjáns Martínez (2009) descreve que a Psicologia Escolar se constitui conjunção de dois elementos:

  1. O objetivo é a contribuição para a otimização dos processos educativos que acontecem no contexto escolar compreendendo estes processos de forma ampliada e complexa, tendo em vista que são afetados por fatores de ordem pedagógica, subjetiva, relacional e organizacional.
     
  2. O locus de atuação constituído pelas diferentes instâncias do sistema educativo, em especial a instituição escolar. 

 
A atuação do psicólogo escolar

A Resolução nº 13/2007, do Conselho Federal de Psicologia, define o campo de atuação do Psicólogo Escolar/Educacional:
 
No âmbito da educação formal, atua:

  • realizando pesquisas, diagnóstico e intervenção preventiva ou corretiva em grupo e individualmente;
  • envolvendo em sua análise e intervenção, todos os segmentos do sistema educacional que participam do processo de ensino- aprendizagem.
  • considerando as características do corpo docente, do currículo, das normas da instituição, do material didático, do corpo discente e demais elementos do sistema. 

Em conjunto com a equipe, colabora com o corpo docente e técnico na elaboração, implantação, avaliação e reformulação de currículos, de projetos pedagógicos, de políticas educacionais e no desenvolvimento de novos procedimentos educacionais. 
 
No âmbito administrativo atua: 

  • contribuindo na análise e intervenção no clima educacional, buscando melhor funcionamento do sistema que resultará na realização dos objetivos educacionais. 
  • participando de programas de orientação profissional com a finalidade de contribuir no processo de escolha da profissão e em questões referentes à adaptação do indivíduo ao trabalho
  • analisando  as características do indivíduo com deficiência, para orientar a aplicação de programas especiais de ensino
  • realizando seu trabalho em equipe interdisciplinar, integrando seus conhecimentos àqueles dos demais profissionais da educação. 

 
Para estes objetivos, realiza tarefas como, por exemplo: 

  1.  aplicar conhecimentos psicológicos na escola, concernentes ao processo ensino aprendizagem, em análises e intervenções psicopedagógicas; referentes ao desenvolvimento humano, às relações interpessoais e à integração família-comunidade-escola, para promover o desenvolvimento integral do ser;
     
  2.  analisar as relações entre os diversos segmentos do sistema de ensino e sua repercussão no processo de ensino para auxiliar na elaboração de procedimentos educacionais capazes de atender às necessidades individuais; 
     
  3. prestar serviços diretos e indiretos aos agentes educacionais, como profissional autônomo, orientando programas de apoio administrativo e educacional; 
     
  4. desenvolver estudos e analisar as relações pessoa-ambiente físico, material, social e cultural quanto ao processo ensino-aprendizagem e produtividade educacional; 
     
  5. desenvolver programas visando a qualidade de vida e cuidados indispensáveis às atividades acadêmicas; 
     
  6. implementar programas para desenvolver habilidades básicas para aquisição de conhecimento e o desenvolvimento humano; 
     
  7. validar e utilizar instrumentos e testes psicológicos adequados e fidedignos para fornecer subsídios para o replanejamento e formulação do plano escolar, ajustes e orientações à equipe escolar e avaliação da eficiência dos programas educacionais; 
     
  8. pesquisar dados sobre a realidade da escola em seus múltiplos aspectos, visando desenvolver o conhecimento científico.  

 
O desafio atual da Psicologia Escolar, segundo Tetters (1990), citado por Gomes (2012) é a adequação da produção teórica às características econômicas, sociais, políticas e ideológicas que influenciam a Educação, a escola, os alunos, as famílias e a sociedade. É urgente, portanto, que a Psicologia Escolar desloque o foco de interesse individualista das dificuldades de aprendizagem para uma proposta de trabalho coletivo e com orientação preventiva. 

 

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Referências 

ANTUNES M. A. M. Psicologia Escolar e Educacional: história, compromissos e perspectivas. Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE). Volume 12, Número 2, Julho/Dezembro de 2008. 
 

BARDON, J. L.; BENNETT, V. C. Psicologia Escolar. Rio de Janeiro: Zahar, 1981. 
 

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolução n° 013, de 14 de setembro de 2007. Institui a Consolidação das Resoluções relativas ao Título Profissional de Especialista em Psicologia e dispõe sobre normas e procedimentos para seu registro. Disponível em: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2008/08/Resolucao_CFP_nx_013-2007.pdf
 

MARINHO-ARAÚJO, C. M.; ALMEIDA, S. F. C. Psicologia escolar: construção e consolidação da identidade profissional. Campinas (SP): Alínea, 2010.
 

GOMES, V. L. T. A formação do psicólogo escolar e os impasses entre a teoria e a prática. In: GUZZO, R.S.L. (Org.) Psicologia escolar: LDB e educação hoje. 4ª edição revisada. Campinas (SP): Ed. Alínea, 2012. 
 

MARTINEZ,  A. M. (2009). Psicologia Escolar e Educacional: compromissos com a educação brasileira. Psicologia Escolar e Educacional, 13 (1), 169-177.  





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