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Serie Casos Clínicos - Câncer de Bexiga

há 1 ano     -     
Serie Casos Clínicos - Câncer de Bexiga

Caso Clínico da LAOB UNIFACS
A bexiga possui uma camada que “forra” o órgão por dentro, que chamamos de urotélio. O urotélio está em contato com a urina que se acumula na bexiga para ser expelida. Portanto, as células que formam esse urotélio estão expostas a todas as substâncias que o corpo elimina através da urina, como consequência do metabolismo daquilo que se coloca para dentro do corpo através da alimentação e do ar que se respira.

Quando a bexiga está cheia, sua superfície interna fica lisa. Uma área triangular na superfície posterior da bexiga não exibe rugas. Esta área é chamada trígono da bexiga e é sempre lisa. Este trígono é limitado por três vértices: os pontos de entrada dos dois ureteres e o ponto de saída da uretra. O trígono é importante clinicamente, pois as infecções tendem a persistir nessa área.

O urotelio reveste também a pelve renal e os ureteres, mas a grande maioria dos tumores uroteliais se originam na bexiga.
Embora os cânceres de células transicionais tenham uma história natural variável, eles têm uma tendência à multifocalidade, altas taxas de recorrência e progressão para estádios patológicos mais altos.

Estes tumores são geralmente agrupados cm três categorias amplas: superficiais, musculoinvasivos e doença metastática, cada uma das quais difere cm comportamento clinico, prognóstico e tratamento primário. Nos tumores superficiais, o objetivo é prevenir recorrências e progressão para um estádio mais avançado. Na doença musculoinvasiva, o desafio médico é integrar cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, ou qualquer combinação dessas modalidades, para otimizar a probabilidade de cura e minimizar a morbidade. Na doença metastática, geralmente é usada quimioterapia para paliar os sintomas, mas um subconjunto de pacientes pode ser curado.

Admite-se que os carcinógenos ou seus metabólitos implicados na carcinogênese do câncer da bexiga são excretados na urina, onde eles podem atuar diretamente sobre o revestimento urotelial Uma Vez que o período de latência desde a exposição inicial até o desenvolvimento do câncer é quase 20 anos, é difícil estabelecer uma relação de causa e efeito definitiva entre um putativo carcinogêneo e o desenvolvimento da doença.

Hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, benzidina, benzeno e exaustão de gases de combustão são associados a um risco aumentado de câncer de bexiga. As ocupações descritas como associadas a um maior risco incluem trabalhadores com alumínio, limpeza a seco, fabricantes de conservantes e bifenis policlorados, além de aplicadores de pesticidas.

A maioria (70% a 80%) dos canceres de bexiga recém-detectados é classificada como tumores superficiais, incluindo tumores papiliferos exofiticos limitados à mucosa (Ta), tumores invadindo a lâmina própria (TI) e carcinoma in situ (CIS, também chamado Tis). Os tumores superficiais da bexiga são tipicamente graduados como de grau baixo (G1), intermediário (G2) ou alto (G3), com o último mais tendente a progredir para estádio clínico mais alto. A graduação é mais importante em tumores não invasivos Ta, porque quase todos os tumores vesicais invasivos (TI ou acima) são de alto grau.

Hematúria é o sintoma inicial em 80% a 90% dos cânceres de bexiga, mas outros podem ter uma infecção do trato urinário. Frequência urinária e nictúria podem estar presentes como consequência de sintomas irritativos ou capacidade reduzida da bexiga. Dor, quando presente, reflete tipicamente a localização do tumor vesical. Dor abdominal inferior pode ocorrer como resultado de uma massa vesical, enquanto desconforto retal e dor perineal podem resultar dos tumores que invadem a próstata ou a pelve. Tumores da pelve renal, ureter ou orifício ureteral da bexiga podem causar hidronefrose, função renal reduzida e dor no flanco. Os pacientes com doença mais avançada podem ter anorexia, fadiga, perda de peso ou dor de uma lesão óssea metastática. O exame físico frequentemente não é digno de nota porque a vasta maioria dos pacientes tem tumor limitado ao órgão.

Para o diagnóstico, pode ser feita a citologia (avaliar a presença de células malignas na urina) e a citoscopia (tem que ser feito na investigação de um suposto tumor mesmo que a citologia tenha dado positivo ou negativo). O fundamento do estadiamento e diagnostico do câncer de bexiga é avaliação citoscópica. Todos os tumores visíveis devem receber ressecção transuretral para determinar o subtipo histológico e a profundidade de invasão; invasão adentro do músculo exige consideração da cistectomia cirúrgica. Além desses exames, podem ser feitos exames complementares de imagem tais como tomografia computadorizada e ressonância magnética para concluir um possível estadiamento do tumor. TC de abdome e pelve, raio-x de tórax e cintilografia podem ser utilizados para diagnóstico de uma possível metástase.

As opções de tratamento vão depender do grau de evolução da doença. A cirurgia pode ser de três tipos: ressecção transuretral (quando o médico remove todo o tumor durante o exame chamado citoscopia- veja acima, em Diagnóstico), cistotectomia segmentada (retirada de uma parte da bexiga) ou cistotectomia radical (remoção completa da bexiga, com a posterior construção de um novo órgão para armazenar a urina). Após a remoção total do tumor, o médico pode administrar quimioterapia para eliminar células cancerosas que possam ter caído na corrente sanguínea.

Outra alternativa é a radioterapia, que pode ser externa ou interna (introduzida no organismo por injeções ou sementes radioativas). A quimioterapia também pode ser sistêmica (ingerida na forma de medicamentos ou injetada na veia) ou intravesical (aplicada diretamente na bexiga através de um tubo introduzido pela uretra).
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