SÍFILIS CONGÊNITA: UMA PREOCUPAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA

há 1 ano     -     
SÍFILIS CONGÊNITA: UMA PREOCUPAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA

 

SÍFILIS CONGÊNITA: UMA PREOCUPAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA

 

Rozana Romero de Sousa Almeida* e Edicássia Rodrigues de Morais Cardoso** 

 

* Acadêmica de enfermagem do 7º período e integrante da LASM-FESGO

** Docente do curso de enfermagem e coordenadora da LASM-FESGO

 

 

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível, de evolução lenta no qual muitos desconhecem os sintomas, com isso, vem aumentando de maneira assustadora, com grandes dificuldades no tratamento por falta de um diagnóstico precoce, também pode ser transmitida da mãe para o feto por via transplacentária denominada de sífilis congênita. A bactéria treponema pallidium invade a submucosa por meio de pequenas rupturas invisíveis na mucosa (pele), os sinais e sintomas de sífilis são vários, depende do estágio que se encontra a doença. A infecção pelo Treponema pallidum não confere imunidade permanente, por isso, é necessário diferenciar entre a persistência de exames reagentes (cicatriz sorológica) e a reinfecção pelo T. pallidum.

São três tipos de sífilis, primária, secundária, terciaria.

Na Sífilis primária, após a infecção, ocorre um período de incubação entre 10 e 90 dias. O primeiro sintoma é o aparecimento de uma lesão única no local de entrada da bactéria. A lesão denominada cancro duro é indolor, tem a base endurecida, contém secreção serosa e muitos treponemas. A lesão primária se cura espontaneamente, num período aproximado de duas semanas. As lesões sifilíticas facilitam a entrada do vírus da imunodeficiência humana – HIV. Quanto mais precocemente a sífilis primária for tratada maior será a possibilidade dos exames sorológicos tornarem não-reagentes. Porém, mesmo após a cura, os testes treponêmicos podem permanecer reagentes por toda a vida.

Quando a sífilis não é tratada na fase primária, evolui para sífilis secundária, período em que o treponema já invadiu todos os órgãos e líquidos do corpo. Nesta fase, aparece como manifestação clínica o exantema (erupção) cutâneo, rico em treponemas e se apresenta na forma de máculas, pápulas ou de grandes placas eritematosas branco-acinzentadas denominadas condiloma lata, que podem aparecer em regiões úmidas do corpo. Após o tratamento nessa fase, os testes treponêmicos permanecem reagentes por toda a vida do usuário,

A fase terciária é a fase de inflamação progressiva e lenta (crônica) pode levar 10, 20 ou mais anos para manifestar, com sintomas relacionados aos órgãos predominantemente comprometidos, é destrutiva e incapacitante. Assim, no caso do cérebro, teremos a neurosífilis, com sintomas de meningite e paralisia de nervos ou o comprometimento de vasos cerebrais causando obstruções de artérias, com sintomas de trombose ou derrames cerebrais.

 

A sífilis congênita, trata-se da infecção do feto em decorrência da passagem do treponema pela placenta. É mais grave quanto mais recente for a infecção materna. Na gestação, a sífilis congênita se manifesta com abortamento, nascimentos prematuros ou nascimentos seguidos de morte. Ao nascer, a criança com sífilis congênita pode apresentar lesões bolhosas, ricas em treponemas, na palma das mãos, planta dos pés, ao redor da boca e do ânus. Mesmo quando não se manifesta com essas características, a infecção congênita pode permanecer latente, vindo a se expressar durante a infância ou mesmo na vida adulta.

A Sífilis tem tratamento, e um fácil diagnóstico, mas no caso da congênita, o pré- natal é muito importante e quanto mais cedo forem realizados os exames na gestante, melhor resposta teremos no tratamento. Porém mesmo após estabelecer o diagnóstico e iniciar o tratamento, segundo dados do Ministério da Saúde, muitas mulheres abandonam o tratamento e muitos parceiros não são tratados,  oferecendo grandes riscos ao bebê.

Mesmo com esse tratamento eficaz através da penicilina, e o fácil diagnostico feito por uma pequena coleta de sangue, para realização da sorologia para Lues, ou VDRL, a Sífilis ainda continua, sendo uma preocupação dá saúde pública, pois os números de pacientes contaminados, principalmente gestante e recém nascidos , através da mãe continuam crescendo, usar preservativo e o melhor meio de prevenção, caso ocorra alguma relação sexual sem o uso do preservativo é após 10 até 90 dias surgir espontaneamente ulcera firme e dura em mucosas oral ou genital, a pessoa infectada deve ir fazer uma consulta médica.

A sífilis congênita, segundo a Organização mundial de Saúde (OMS), é um dos mais graves desfechos adversos previníveis da gestação, Aproximadamente 40% das gestações resultam em perdas fetais e perinatais e, nas restantes, em torno de 50 %dos recém-nascido poderão sofrer sequelas físicas, sensoriais ou do desenvolvimento.  

O tratamento materno adequado é todo tratamento completo, ou seja, adequado ao estágio da doença, feito com penicilina e finalizado pelo menos 30 dias antes do parto, tendo sido o parceiro tratado concomitante. O tratamento é considerado inadequado para sífilis materna quando: for realizado com qualquer medicamento que não seja a penicilina; for incompleto, mesmo sendo feito com penicilina; a instituição ou a finalização de tratamento for nos 30 dias anteriores ao parto; o parceiro não for tratado inadequadamente ou quando não se dispõe das informações sobre seu tratamento.

A enfermagem tem como meta os cuidados e a prevenção de doenças, inclusive as Sexualmente Transmissíveis, dentre elas, a sífilis, e no pré-natal, esses cuidados redobram, pois, o pré-natal de baixo risco é também da responsabilidade do enfermeiro que solicita na primeira consulta, todos os exames para garantir, uma boa gestação tanto para mãe, quanto para o feto.

 

E uma das orientações que fazemos as gestantes e a toda mulher que deseje engravidar, que procure um profissional de saúde para realizar todos os exames que garanta uma gestação sem problemas.

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